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Um software pode detectar a síndrome de burnout?

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Eu tenho quase certeza de que sofro de síndrome de burnout, um mal que já tomou proporções globais, principalmente neste momento que passamos mais tempo diante do computador e de outros equipamentos eletrônicos por conta do trabalho remoto e home office.

Essa é uma das novas enfermidades que surgiram nos tempos modernos, e que avançou de forma considerável em tempos de pandemia. E existem algumas empresas preocupadas com o aumento do burnout entre os profissionais de diferentes áreas.

Pois bem, várias dessas empresas estão desenvolvendo softwares que podem detectar o esgotamento dos trabalhadores digitais a partir de suas interações com plataformas profissionais como Slack ou Microsoft Teams.

Neste post, vamos ver como esses softwares funcionam.

 

 

 

Como essas ferramentas detectam o burnout

Funciona da seguinte forma: a ferramenta que detecta o burnout é instalada no software de produtividade, e pode detectar a enfermidade a partir da análise das mensagens enviadas e recebidas, publicações e o desenvolvimento do trabalho em si.

Os grupos de trabalho são analisados, e o software pode detectar pelas interações com colegas de trabalho se algum profissional está mais cansado do que deveria, interferindo no ritmo de trabalho dessa pessoa, através de notificações que podem incluir lembretes sobre os benefícios da saúde mental e até mesmo sugestões para que aquele funcionário tire umas férias.

Os algoritmos foram criados por times de psicólogos, e se baseiam em softwares de diagnósticos que detectam o esgotamento produzido pelo trabalho. Já outras ferramentas foram desenvolvidas a partir das respostas dos próprios trabalhadores, onde esses dados foram utilizados para medir os níveis de depressão e ansiedade.

Com essas informações, os algoritmos são treinados e, com o passar do tempo, a detecção da síndrome de burnout se torna mais eficiente (em teoria), permitindo que a empresa possa interferir de forma mais precoce em prol da saúde mental daquele funcionário.

 

 

 

As dúvidas sobre a privacidade

É claro que um sistema assim levanta dúvidas se a privacidade do funcionário será preservada, mas as empresas desenvolvedoras dos softwares defendem as suas respectivas tecnologias.

O principal argumento de defesa do uso da inteligência artificial para a prática de detecção do cansaço laboral é que o software trabalha em tempo real o tempo todo, medindo assim os níveis de esgotamento e estado de ânimo dos trabalhadores no momento em que ele está sofrendo desse esgotamento, reforçando o nível de compromisso com a solução do problema, e não necessariamente com a coleta de dados de forma indiscriminada.

Por outro lado, essas ferramentas que se vendem como uma ajuda para combater o burnout também podem se transformar em fonte de informação para justificar demissões. Algo que pode ser considerado injusto, pois se aproveita de um momento de fraqueza que pode muito bem ser produzido pela própria empresa em questão.

A boa notícia é que o desenvolvimento desses softwares ainda está em fases muito embrionárias e só está em testes nos Estados Unidos. Ou seja, se tais ferramentas vierem a vingar, elas terão que se adaptar à legislação brasileira de proteção de dados.

E, particularmente, entendo que deixar que uma inteligência artificial faça esse tipo de avaliação pode ser algo perigoso. É muito difícil determinar que uma máquina terá a mesma sensibilidade que um ser humano para identificar e decidir sobre uma questão tão pessoal e delicada quanto é o esgotamento laboral.


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