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Bacurau é um filme espetacular.

Uma narrativa intensa, um roteiro complexo e várias críticas sociais inseridas em pequenos tópicos.

É um filme tão inteligente, que me permite contar um pequeno spoiler sem entregar o contexto geral da história ou revelar algo muito importante para quem ainda quer ver o filme brasileiro que (e é sempre importante lembrar) venceu o Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2019.

 

Na cena, sentados em torno de uma mesma mesa, temos aproximadamente oito estrangeiros (norte-americanos) e dois brasileiros. A conversa segue, até que um dos estrangeiros pergunta:

– De onde vocês vieram?

Os estrangeiros sabiam que o casal de brasileiros não eram de Bacurau ou da região nordestina. Os traços étnicos do casal deixam isso evidente.

Então, o rapaz brasileiro responde:

– Nós somos do sul do Brasil, uma região evoluída e promissora, de pessoas com um padrão financeiro elevado… basicamente, nós somos como vocês.

O grupo de estrangeiros começa a rir da afirmação. E o brasileiro, incomodado, questiona sobre o motivo das risadas.

Os estrangeiros sentados na mesa afirmam, de forma categórica, que o casal brasileiro não é como eles. E justifica?

– Vocês dois? Como nós? Vocês não são como nós! Em nosso país, vocês não são nem brancos. Vocês não passam de latinos, no máximo! Os lábios grossos e os narizes grandes mostram claramente que vocês não são iguais a nós.

 

Entenderam a sutil referência?

 

Bacurau é um filme para olhos e mentes abertas para as críticas estabelecidas pelos roteiristas, referências culturais e recados claros para diferentes núcleos de sociedade.

Recados que são claramente direcionados para a sociedade brasileira como um todo.

Mais adiante, eu vou escrever sobre o filme em si. Na íntegra. Mas fiz esse post rápido para que você se interesse em assistir ao excelente Bacurau o quanto antes. É lição de casa para qualquer pessoa com QI acima de 90. Fundamental para compreender o presente e projetar um futuro que não é tão fictício quanto parece.

 


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