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Eu sou péssimo para falar sobre despedidas e perdas. Nunca é agradável.

Pois bem… mais uma despedida.

Dessa vez, eu escrevi tudo o que eu queria dizer de uma vez. Em um tiro certeiro. Talvez com uma certa indignação, pois tudo tomou um rumo inesperado e desnecessário. Porém, o tempo me ensinou que tudo em nossa vida acontece como deve ser, e não exatamente do jeito que gostaríamos que acontecesse. Logo, era para ser assim: com questionamentos de lado a lado, com decepções, com noites mal dormidas.

Coloquei os meus motivos para o fim de uma relação, desejei boa sorte para quem vai continuar na jornada, e fui embora. Sem olhar para trás. Tudo bem, eu vou pensar em tudo o que aconteceu nos últimos 12 meses da minha vida por algum tempo. Mas, sinceramente, eu espero me lembrar muito mais da intensidade dos acontecimentos do que nas tempestades dos últimos três meses.

Eu não conseguia dormir direito. Eu estava sofrendo. Eu não aguentava mais.

Por isso, o fim foi a melhor solução.

Nesse caso, me despedir não foi difícil. Não usei as melhores palavras, é verdade. Deixei a indignação explícita pelas ofensas recebidas, mas não me arrependo em nenhum momento pelos termos usados. Aqui, a despedida foi um sinal claro de libertação, um desejo de devolver a paz interior que estava se perdendo.

Hoje, eu me sinto melhor. A tempestade passou.

Estou tão melhor, que até fiz a barba. Minha auto estima está voltando, e é muito bom respirar um pouco melhor depois que tudo passou.

Tenho plena convicção que a decisão tomada foi muito mais do que uma ruptura com algo que não mais funcionava dentro do meu entendimento, mas um sinal de maturidade. É impressionante perceber que, com o passar do tempo, adquirimos a capacidade de dizer “não” para as pessoas. E dizer “não”, em alguns momentos, liberta. Entrega ao indivíduo personalidade. Desenvolver uma maior capacidade de discernimento é fundamental para obter uma personalidade mais forte, ao mesmo tempo que você abre mais possibilidades para dizer “sim” para você mesmo.

E, por favor, não venha você me dizer que eu me tornei uma pessoa egoísta. Eu continuo abraçando em mim os sentimentos mais fraternos e solidários para as pessoas que eu amo de verdade. Se você precisar de um abraço ou um ombro amigo para chorar, conte comigo. Sempre. Agora, se você precisar que eu empreste para você R$ 3.250 para hoje a tarde, sem problemas: eu posso indicar ótimos bancos e financeiras, porque dinheiro é a última coisa que eu tenho.

Eu me despedi de algo que eu vivi intensamente durante 12 meses. Algo que me fez feliz, mas que chegou ao fim. Seja porque eu fui dispensado ou porque eu decidi ter a coragem de sair para buscar outros caminhos, fato é que, por causa dessa intensa experiência, eu me tornei uma pessoa melhor, mais consciente sobre as minhas convicções e mais completo nos aspectos técnicos.

O fim pode sim doer um pouco por causa do fechamento de um ciclo. Mas nesse caso, representa a conclusão de um pacote de aprendizados que agora eu vou carregar até o fim da minha jornada. E eu prefiro ter 12 meses de intensidade do que uma vida inteira de morosidade.

Pois a felicidade se materializa em momentos curtos.

Um abraço que recebemos de alguém que amamos. Os seis minutos quando ouço Bohemian Rhapsody. Um orgasmo. O tempo que eu levo comendo o hambúrguer do Capitão Gourmet. Duas horas de ensaios nos corais.

O tempo que eu levei para escrever esse texto, e constatar que a despedida não me fez sofrer dessa vez.

Porque entre o “oi” e o “adeus” valeu a pena. Apesar da tempestade no final.


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