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Há quase um mês, eu escrevi nesse blog um post agradecendo ao Instagram pelo fim da exibição do número de likes nas postagens da plataforma, por entender que esse índice (entre outras coisas) só revelava a necessidade narcisista das pessoas em se sentirem amadas e populares.

Ah, sim, claro… os números ajudavam a aproximar as empresas de mídia com os “influenciadores digitais”, mas nesse aspecto nada mudou. Ninguém vai perder dinheiro com isso, pois o autor da postagem ou dono da conta vai continuar a saber quantos likes aquela foto recebeu.

O que eu não poderia imaginar é que algumas pessoas iriam entrar em crise existencial por causa do fim dos likes, com algumas das reações mais patéticas que eu li em mais de duas décadas utilizando a internet.

 

 

Larga a gilete, influenciador do Instagram!

 

Desde “isso aqui é censura” até “eu vou me matar sem os meus likes de volta”. Gente… vamos crescer e amadurecer?

Popularidade nas redes sociais ainda é comparado a ser rico no Banco Imobiliário. É legal só enquanto o jogo dura. Depois disso, perde a graça. E no final, os números do Instagram só serviam mesmo para turbinar a masturbação social que as redes sociais se transformaram. Todas elas.

Eu já passei por isso. No começo, o que eu queria mesmo era seguir e ser seguido. Coloquei tanta gente que eu não conhecia nas minhas redes sociais que, quando os problemas realmente aconteceram (especialmente quando eu decidia opinar sobre esses problemas), tudo o que eu recebi foi aborrecimento, ofensas e ameaças de processo.

Dinheiro, que é muito bom e ajuda a pagar as minhas contas, nada.

No final, eu acabei fazendo uma seleção das pessoas que eu queria acompanhar nessas redes, e até deixei um pouco de lado algumas das plataformas. Hoje eu interajo no Twitter de forma bem pontual, e até cheguei a abandonar uma das minhas contas do Facebook, que virou “perfil profissional”, só por causa do nome de usuário.

E olha, que eu deixei muita merda escrita nesse tal “perfil profissional”.

 

 

Um conselho (que não é de amigo) para os novos “suicidas em potencial”

 

Por isso, para você, digital influencer que entrou em crise porque o Instagram decidiu estourar os seu balão inflado de gás EGO (sim… trocadalho…), meu conselho (que não é de amigo) é que você volte para a Terra, toma o seu Toddyinho patrocinado pela avó, vai dormir um pouco (porque isso faz um bem danado para o cérebro) e, ao acordar, comece a pensar em posts criativos. Conteúdos que, organicamente, vão atrair a atenção das pessoas.

Pode até parecer um conselho vazio, de alguém que não é um digital influencer, e que todos os dias tenta tornar os seus conteúdos relvantes na internet. Mas ao menos é uma dica de um cara que conseguiu paz de espírito quando deixou de se importar com os números, e passou a se preocupar mais em conteúdos genuínos.

Não ser patrocinado me deu a liberdade de ser eu mesmo, e não ficar paranoico com a ausência de likes. E, de novo: retirar a contagem de likes do Instagram foi a melhor coisa que a plataforma fez em anos.

Trouxe muita gente para o terreno da normalidade. E não tem nada de ruim quando isso acontece.


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