Quem é geek, brasileiro e classe média sabe que uma das formas mais eficientes para fazer um upgrade na sua vida tecnológica é na base do escambo. Mas, calma. Isso não envolve atividades ilícitas ou de cunho sexual. É apenas uma troca de um produto por outro. É claro que o mercado de tecnologia se desvaloriza rapidamente. Mas ainda é possível colocar dentro de casa alguns produtos bacanas. Nesse post, passo algumas das minhas últimas experiências com os gadgets que uso diariamente.

Era uma vez… não, não vou fazer isso.

Eu me lembro que o primeiro produto de tecnologia que comprei com o dinheiro do meu próprio esforço (ou do meu primeiro trabalho) foi um Super Nintendo, e isso lá no longínquo ano de 1994. Fiz pequenos serviços de manutenção de computadores para parentes e amigos por três meses, e ao conseguir o dinheiro, fui lá, contente e feliz comprar o videogame na loja. E aí veio o som do trombone, quando vi que o dinheiro não dava. A solução? Classificados do jornal. Encontrei o objeto do desejo, pelo preço que poderia comprar.

Com o passar dos anos, percebi que essa era a forma mais prática de obter os produtos que eu queria. Mesmo hoje, com a situação mais “estável” (obrigado, planilha do Excel pela graça alcançada), esse é o meu meio para comprar alguns produtos. Por opção, para alguns itens, eu escolhi não ser um “early adopter”, e ficar com, pelo menos, uma geração atrás do mais recente modelo. Por exemplo, eu acabei de vender o meu iPad 1 para agora pegar o iPad 2, por um preço mais competitivo. Tá, ok, o ideal seria ter o Novo iPad, mas um dia eu chego lá. Por enquanto, vamos trocando o velho pelo “quase novo”.

No mercado mobile, isso se torna ainda mais prático e funcional. Um exemplo claro disso foi como eu cheguei no iPhone 4 e no Samsung Galaxy S II. Tudo começou quando ganhei da Nokia o cobiçado Nokia N8. Smartphone incrível, com câmera de 12 megapixels, um ótimo design, uma estrutura bem resistente… mas tinha o Symbian, que na versão touch, me incomodava muito. Então, fui para uma decisão “radical”: procurei quem estava disposto a abrir mão de um iPhone 3GS para receber o N8. Choveram propostas (o que uma câmera de 12 MP não faz…), e resolvi trocar por aquela que era a mais vantajosa.

Fiquei com o iPhone 3GS por pouco mais de um ano. E, de fato, o iPhone é um baita de um smartphone. A experiência de uso é excelente, a qualidade de som é ótima, e realmente, é o produto da Apple que podemos chamar de “o” produto. Tudo bem, o iTunes me incomoda até hoje (obrigado, iOS 5 pela graça alcançada de não mais depender dele). Mas aí, veio a chance de ter o Samsung Galaxy S II, o até então smartphone Android TOP. Não pensei duas vezes: durante minhas férias em Balneário Camboriú (SC) no final do ano passado, consegui o tão cobiçado smartphone, por um preço bem abaixo do mercado. Calma, o produto não era roubado (tinha nota fiscal no nome da pessoa que me vendeu).

O Galaxy S II é incrível, mesmo com o problema do GPS, que só se resolveu quando mudei a firmware dele. É um Android que me faz feliz, com uma performance impecável, e um desempenho fantástico. E isso fez com que eu começasse a compará-lo com o iPhone 3GS, que já me incomodava com o desempenho com o iOS 5. Ou seja, era a hora de mudar. Vendi o 3GS, completei o valor, e fui atrás de um bom iPhone 4 semi-novo. Depois de muito pesquisar e testar alguns aparelhos, adquiri o iPhone 4 de 32 GB que uso hoje, custando bem menos do que o iPhone 4 de 8 GB que é vendido nas lojas hoje.

Em resumo: tenho o iPhone 4 e o Samsung Galaxy S II, sem precisar vender um rim para isso.

Agora que contei minha história, quero compartilhar algumas dicas de como você pode adquirir o produto que você deseja, em perfeito estado de funcionamento, e economizando alguma grana, o que é sempre bom. Vejamos…

1) Estabeleça uma meta: na nossa vida, precisamos ter objetivos. Senão, viramos um vegetal andante. Logo, procure determinar aquilo que você deseja, e marque isso em algum lugar. Em uma tabela, lista, bloco de notas do Windows ou do iPhone. Desse modo, você vai sempre se lembrar do que quer, e se focar nisso.

2) Calcule o quanto você pode economizar: dinheiro não cai do céu (nem o do Eike Batista). A maioria de nós, brasileiros e trabalhadores, sabemos o quanto ganhamos todos os meses com o nosso trabalho. E aqui, a sua ginástica financeira começa: sem tirar o leite das crianças e a torrada francesa da sua mulher, você vai calcular o quanto você pode separar do seu orçamento mensal para comprar o seu objeto de desejo. Aqui, recomendo que você use uma planilha de controle financeiro (tem aos montes na Internet, é só procurar), para que você possa efetivamente visualizar seus gastos, ver o que pode cortar e controlar melhor suas despesas, permitindo assim a busca do produto desejado.

3) Decida o quanto você quer pagar: uma vez que você está com o controle da sua carteira, e a fatura do cartão de crédito não é mais ameaçadora do que uma carta de um terrorista, estabeleça um limite para comprar o produto que você deseja. Você não é obrigado a pagar o preço “sugerido” pelos fabricantes e operadoras. Enquanto você reúne recursos financeiros para a compra, você tem o privilégio de observar o mercado, que é dinâmico. De repente, você encontra na internet alguém que está vendendo o produto por um bom preço, ou alguma loja que reduz o preço do produto por um valor atraente. Isso tudo faz parte do jogo.

4) Pesquise. Muito. Incessantemente…:
ao conseguir a quantia previamente estabelecida, é hora de pesquisar. Você ainda pode dar uma olhada no mercado (sites como o Buscapé e o Bondfaro são ótimos amigos nessas horas) para saber se algum e-commerce está com algum preço reduzido. Mas se a sua escolha for o mercado dos semi-novos, pesquise preço, tempo de uso, procedência, e o mais importante: se for possível, teste o produto de forma minuciosa. Afinal de contas, você vai ser dono de um produto que já foi de alguém. Priorize adquirir aquele que cuida o produto tão bem quanto você pretende cuidar.

5) Se tiver a versão antiga, passe adiante e complete o dinheiro: essa é uma regra de geek. A não ser que você queira fazer uma coleção de gadgets na sua casa, ficar com produtos obsoletos em casa é sinal de dinheiro escoando pelos seus dedos. Se a sua ideia é sempre progredir no mundo tecnológico, fique de olho nas oportunidades. Em alguns casos, é melhor abrir mão do produto que você tem, e que vai ficar obsoleto em breve (como foi o caso do iPad que citei no começo do texto), investir um pouco mais de dinheiro e atualizar o gadget. A relação custo/benefício e o investimento empregado justificam a escolha.

6) Comece tudo de novo: a vida é um eterno ciclo. Recomeçamos o tempo todo, a cada dia, quando acordamos. E isso não é diferente no mundo geek. A habilidade de recomeçar é algo que nos faz crescer. Não estou dizendo que é prazeroso passar pelas mesmas dificuldades, mas esse exercício em especial de planejar, batalhar e concretizar os sonhos tecnológicos, em um processo passo a passo, me fez crescer em vários sentidos. Por causa desses objetivos é que mantenho meus projetos na Internet, invisto neles e concretizo alguns dos meus pequenos sonhos de consumo.

E aqui fica a minha pequena contribuição. Para mim, deu certo.