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Os japoneses sabem muito bem como conjugar os termos “tecnologia” e “vaso sanitário”. Agora, a Universidade de Stanford (que não é japonesa, obviamente) mostra como esse item do banheiro pode monitorizar a nossa saúde, podendo assim prevenir e detectar doenças como infecções urinárias, diabetes ou inflamações do intestino.

Em um estudo recém publicado, foi descrito um vaso sanitário com um sistema de sensores e câmeras. É uma espécie de “vaso sanitário inteligente”, que foi testado com mais de 20 voluntários, onde com a ajuda da inteligência artificial e reconhecimento de imagens, o item conseguiu analisar quem o está utilizando, coletando os dados de saúde daquela pessoa.

Um pouco invasivo demais? Talvez. Mas se for eficiente, é isso o que importa.

 

 

 

Sensores de pressão e câmeras de vídeo para a coleta de dados

 

 

Além de reconhecer o rosto e a digital do usuário, o vaso sanitário inteligente é capaz de identificar os indivíduos pela sua… como vou dizer isso de uma forma cientificamente delicada… “digital anal”. Isso, mesmo, amigo leitor: o vaso sanitário tem um sistema chamado Analprint Scan, que escaneia o ânus de cada usuário para coletar os dados.

E o motivo para utilizar tal método de biometria é bem simples: todo mundo precisa usar o banheiro, e isso é algo inevitável. Logo, o vaso sanitário é a forma perfeita para se obter uma fonte de dados relativamente precisa sobre a saúde de uma pessoa que normalmente é ignorada. E a melhor parte é que o usuário não precisa fazer absolutamente nada de diferente do que normalmente faz no banheiro.

 

 

O vaso sanitário grava vídeos dos usuários realizando suas necessidades fisiológicas, e essa informação é processada através de algoritmos para detectar possíveis padrões. O sistema está preparado para determinar o volume e o tempo de fluxo da urina (urodinâmica) ou da viscosidade das amostras das fezes. Um sistema que é ativado na hora que o usuário senta no vaso sanitário graças ao sensor de pressão que incorpora.

Esses sensores trabalham com as quatro câmeras que enviam as imagens para o computador. O vaso sanitário também conta com tiras reativas de urina para analisar o pH, a presença de proteínas, glicose e, dessa forma detectar possíveis infecções.

 

 

Todos esses dados são enviados para a nuvem, em um sistema acessível pelos médicos, mas armazenados de forma privada. Por enquanto, tudo é uma investigação, mas não é difícil imaginar que tudo isso pode gerar uma certa dose de dúvidas e incômodos entre os usuários: em pesquisa realizada entre 300 participantes, 30% deles se sentiram incomodados e preocupados sobre a privacidade do sistema de reconhecimento do ânus.

Quem diria que um dia eu ia escrever algo assim…

 

 

Via The Guardian


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