Compartilhe

Passamos a ficar muito mais preocupados com a nossa saúde por conta da crise do COVID-19, mas fato é que as bactérias estão conosco o tempo todo, inclusive na sua língua.

Uma imagem obtida pelos investigadores do Instituto Forsyth e da Escola de Medicina Dental de Harvard deixa isso muito claro. Uma nova técnica revela o mapa bacteriano na língua, onde podemos localizar até “bairros” de bactérias em determinadas regiões.

 

 

 

Sua boca é cheia de micróbrios

 

O corpo humano é (quase) completamente coberto por bactérias. Pele, genitais, intestinos e, é claro, a boca, contam com verdadeiros biomas bacterianos que nos ajudam em determinadas situações.

Já a língua é úmida, cheia de relevos e recebe alimentos e bactérias externas. Logo, é o local perfeito para esses seres se acumularem. E não adiante escovar os dentes ou utilizar produtos específicos: as bactérias vão ficar na língua, e em uma estrutura bem definida.

Na verdade, as bactérias do nosso corpo atuam como mais um órgão dentro de nosso organismo, e não um simples hóspede aleatório. O microbioma do intestino ou da pela está diretamente ligado com a nossa saúde.

E, na nossa língua, essas bactérias agem da mesma forma.

 

 

 

Como as bactérias se dividem na língua

 

Nas laterais do músculo central da língua e do tecido epitelial (em cinza), podemos ver picos em vermelho que saem para o exterior. Ali, ficam bactérias normalmente inofensivas, que também encontramos na nossa garganta, trato digestivo e aparelho urinário. Em cor rosa magenta, são colônias de bactérias que normalmente estão na boca, no trato respiratório e no trato digestivo.

Todas essas bactérias podem transformar o nitrato que pode ser encontrado em verduras de cor verde em nitrito, permitindo que nossas células produzam o óxido nítrico que ajuda a controlar a pressão arterial.

A Streptococcus mutans é uma das bactérias mais conhecidas da flora bucal, e é a responsável pela produção das cáries. Ela é ressaltada em verde, e normalmente fica nas bordas externas da língua. Já a Rothia sp, em azul cian, é uma actionobactéria que faz parte da microbiota normal da boca

As estruturas de bactérias são muito bem definidas, o que pode indicar uma comunidade. É preciso entender como essas divisões acontecem, e como elas afetam a nossa saúde. O estudo pode assentar as bases sobre como os componentes anatômicos de nossa língua servem para criar os espaços adequados para que as bactérias convivam entre si.

 

 

 

Fotografando o microbioma

 

 

Para obter essa foto, os pesquisadores utilizaram uma nova técnica desenvolvida no laboratório de Borisy, a CLASI-FISH (ou Etiquetado Combinatório unida a Imagem Espectral por Hibridação Fluorescente in situ).

Ou seja, eles etiquetaram vários micro-organismos com múltiplos fluorósforos com moléculas desenvolvidas para brilhar mediante determinadas circunstâncias específicas, remetendo a luz em várias longitudes de onda, onde cada um brilha com uma cor diferente.

A técnica permite que várias espécies diferentes de bactérias e outros micróbrios presentes na língua se iluminem imediatamente quando são fotografadas com a técnica adequada. Ao fazer isso, o resultado é a imagem da língua brilhando em diversas cores de acordo com as bactérias que foram etiquetadas.

 

 

Via Cell


Compartilhe