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Viva a Vida. A Morte. E todos os seus amigos. Ah, sim… e aprenda com as derrotas.

Esta é uma das melhores músicas da primeira década do novo século (ou século XXI), sem sombra de dúvidas. Tecnicamente, é uma música com sonoridade impressionante, É uma letra espetacular. E tem um significado na minha vida que é único.

Muita gente que conheço não gosta da banda Coldplay. Honestamente, eu não sei porque isso acontece, e não me importo muito com isso. Como acredito que todo mundo é livre para gostar do que quiser, e gosto não se discute, eu confesso a minha apreciação para uma das bandas que melhor entregaram a sua sonoridade autêntica no universo do rock nos últimos 15 anos, pelo menos.

O Coldplay, de forma inteligente, deixa de lado guitarra, baixo e bateria para apostar em instrumentos típicos de uma orquestra, como violinos, violoncelos, tímpano e até um sino. A banda buscou uma sonoridade mais clássica, que tornou a canção única.

Aliás, “Viva La Vida” pode ser considerada uma aula de história em forma de música. Possui referências históricas e religiosas importantes. Até o seu título é uma referência à uma obra de Frida Khalo. Na letra, temos trechos da Bíblia, à vida de Maria Antonieta, o episodio da tomada do Palácio de Versalhes e, obviamente, os revolucionários franceses que queriam tomar o poder na Revolução Francesa.

Tudo isso já torna essa canção simplesmente espetacular. Mas… o que eu poderia aprender com uma música desse porte?

Além de todos os aspectos técnicos já descritos, “Viva La Vida” é uma canção que, para mim, apareceu em um momento muito importante.

Em 2008, eu decidi iniciar os meus projetos na internet. Hoje, boa parte dos meus ganhos estão nos blogs de tecnologia (TargetHD.net) e entretenimento (SpinOff.com.br). E por causa deles, minha vida tomou os rumos que tomou, e sou muito feliz por ter seguido por esses caminhos.

Hoje, eu vivo. Em função desses projetos. E sei como eles me ajudaram a crescer, a me tornar quem eu sou hoje. E essa música marcou esse período.

Foi além disso.

“Viva La Vida” conta a história da queda de um império. Do império do ser humano. Fala da derrota. Do fracasso.

De tempos em tempos, eu ouço essa música para perder o medo do fracasso. Recentemente, eu entendi que o fracasso é parte do processo do sucesso, e que cair é uma experiência que mostra nossos traços de humanidade, nossas fraquezas. E o que determina a diferença entre perdedores e vencedores é a nossa capacidade de aprender com as derrotas, com as batalhas perdidas.

Aliás, a grande dádiva dessa letra é que o narrador desse texto mostra isso claramente quando ilustra todas as sensações e emoções ao testemunhar o seu império caindo, ao mesmo tempo que ele pede que todo aquele cenário o mostre as lições que ele deve e precisa aprender com tudo isso.

Pode parecer um cenário pessimista e desolador, mas “Viva La Vida” é uma canção otimista, positiva e vibrante. É uma obra que, apesar do discurso da derrota, mostra claramente que podemos aprender sim com as perdas e os erros, sempre com a esperança que um dia você vai progredir, prosperar e vencer.

Mesmo porque esse discernimento em aprender a perder é uma das dádivas da vida, independente das vitórias ou derrotas.

Isso é parte da experiência da vida. Do bom viver. Do saber viver.

Logo, “Viva La Vida” lembra que viver é um processo de ganhos e perdas, mas que os sábios aprendem com as derrotas. Entendem que o ato de perder é parte do processo de vencer. Não se abate diante dos obstáculos, mas usa esses desafios para entender o que precisa fazer para prosperar.

É parte da filosofia daqueles que entendem que “sem luta não há vitória”. Que não desistem.

Me orgulho muito de dizer que não desisto nunca.

Me orgulho muito de aprender com meus fracassos.

E me orgulho muito de vencer, dentro das minhas possibilidades.

Não se domina o mundo. Você faz a sua parte para torná-lo mais seu. E de outros também.

 

 

“Viva La Vida”
(Guy Berryman, Jon Buckland, Will Champion, Chris Martin)
Coldplay, 2008

 


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