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Eu tive o meu primeiro computador em 1996. Na verdade, não era meu. Meu pai comprou o PC para a família toda, mas como ficou no meu quarto, eu era aquele que mais utilizava o produto. Chegava a dar briga em casa para saber quem iria usar o produto antes e para quê. No final das contas, o tempo passou, e cada um passou a ter o seu computador (eu, meu pai e minha irmã mais velha). Era o objeto de desejo da década de 1990.

Eu cresci, comecei a trabalhar, e um dos objetivos era ter um notebook. Objetivo alcançado, com o dinheiro do meu trabalho. Depois que comecei a escrever nos blogs, esse objetivo foi tomando novos contornos, como por exemplo ter um notebook mais potente, com um sistema operacional atual. Depois, a meta era ter um notebook mais leve, para poder levar em qualquer lugar. Felizmente, todos esses objetivos também foram alcançados.

Mas o tempo foi passando, e eu fui ficando mais ranzinza. Não queria mais levar o notebook para a sala para comentar as corridas de F1 ou os eventos esportivos. Aliás, quando estava na sala para ver TV, se eu tivesse que comentar alguma coisa sobre o que estava assistindo, não tinha motivos para recorrer ao notebook ou ultrabook. Ia para o smartphone mesmo. Porém, não era algo muito confortável (não era, pois hoje estou com um smartphone com tela maior).

Aí você compra um tablet. E resolve tudo isso.

Devo confessar que não me livrei dos meus notebooks por causa do Nexus 7 (que é um fiel companheiro na hora de consumir conteúdos). Porém, é inegável que o cenário de hoje é totalmente voltado para os tablets e smartphones. O IDC registrou no primeiro trimestre de 2013 uma queda de 10% nas vendas dos PCs (nesse grupo, devemos incluir  desktops, notebooks, ultrabooks, netbooks e all-in-ones), e um dos principais motivos para essa queda é que muitos usuários domésticos simplesmente estão abandonando os seus PCs e notebooks para ficarem só com os tablets.

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Os motivos são os mais diversos: é mais barato, basicamente faz a mesma coisa que um notebook (para a maioria dos usuários, que fique bem claro; não estamos aqui analisando comportamentos específicos), é mais leve, logo, mais alinhado ao conceito de mobilidade, possui uma tela razoavelmente confortável para a navegação na internet… é mais barato… (eu já disse que é mais barato?), entre outros fatores.

De fato, comprar um notebook hoje no Brasil pode não ser um bom negócio para aquelas pessoas que apenas consomem os conteúdos na internet. Acessar vídeos no YouTube, ler e-mails, redes sociais, jogos… todas essas atividades podem ser desenvolvidas com um tablet, sem maiores problemas. E, convenhamos: a maioria dos usuários de tecnologia usam seus dispositivos para, basicamente, esses itens previamente descritos.

Logo, podemos entender que a maioria está no grupo dos “consumidores”. Os produtores de conteúdo (blogueiros, jornalistas, editores, programadores, profissionais de diferentes áreas, executivos…) ainda vão precisar de um computador convencional, por causa de uma única palavra: produtividade.

Eu já tentei produzir textos em tablets (principalmente no iPad). O teclado virtual não é uma solução, e mesmo com um teclado QWERTY físico (conectado ao tablet via Bluetooth), os resultados não são os mesmos. Em algum momento, vamos precisar de um recurso específico que só será encontrado no desktop, e o ideal é que, se o tablet vai mesmo ser a sua ferramenta de produtividade, que ele resolva pelo menos 95% de todos os seus problemas.

No meu caso, isso ainda não acontece. Alguém aí já tentou editar podcasts em um iPad? Sei que é possível, mas dá um trabalho… o mesmo caso vale para edição de vídeos e tratamento de imagens. Para tarefas mais pesadas e complexas, o PC ainda é a melhor solução.

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Logo, entendo que o usuário doméstico tradicional deve migrar completamente para as plataformas móveis. Afinal de contas, faz mais sentido, uma vez que estamos em um mundo desprovido de fios e cabos, e onde as pessoas querem registrar os seus melhores momentos em qualquer lugar. Para aqueles que trabalham com isso, o PC ainda vai sobreviver por um bom tempo (quem sabe pelo resto da vida útil desse grupo), o que deve garantir que o computador tradicional não será extinto.

Lembrando: muitos acreditam que um tablet ou um smartphone é sim um “personal computer”. E eu concordo com essas pessoas. Afinal de contas, poucas coisas são tão pessoais hoje do que um smartphone ou tablet. Seguindo nessa linha, o conceito PC não vai desaparecer. Pelo contrário. Vai perdurar por décadas.