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Por diversas vezes a gente ouve as pessoas dizendo a frase “o tempo é o senhor da razão”, e de forma quase estúpida, tentamos contrariar essa lógica. Sim, vem aí uma redundância. Mas… esse mesmo tempo mostra a verdade de forma tão clara e evidente, que escapar disso tem o mesmo efeito de sair da beira da estrada e começar a caminhar no meio dos trilhos do trem. E começar a rir quando ouve lá no fundo um apito de um trem em movimento.

O tempo não apenas é o senhor da razão. Ao que tudo indica, ele é o irmão da maturidade. De forma irônica, quanto mais velho você fica, melhor você consegue enxergar as coisas. É claro que a idade vai tirar a sua visão biológica, e com muita sorte você não vai se tornar um Mr. Magoo no futuro. Por outro lado, a sua percepção para determinadas coisas aumenta, e o índice de decisões erradas que você toma começa a cair, de forma curiosa.

A regra que eu citei no parágrafo anterior não se aplica a todos os seres humanos. Tem muito membro da chamada “melhor idade” cometendo erros infantis, algo que me deixa um tanto quanto incomodado. Mas esse é um tema para outro texto.

Alguns exemplos aleatórios que mostram como o tempo e a maturidade podem evitar você a cair em frias mais geladas que os dias de inverno aqui em Florianópolis.

Para começar, uma pergunta bem simples: você compra um carro que você sabe que já foi batido? Se a sua resposta for SIM, segure essa pergunta para o final do texto. Se a sua resposta for NÃO, pode continuar a ler o texto sem maiores problemas, pois eu acho que vamos chegar juntos a algum lugar.

Com o passar do tempo, nos tornamos mais questionadores. Não aceitamos qualquer explicação com facilidade (principalmente se você assistiu a 16 temporadas de CSI e 10 temporadas de Criminal Minds), nos tornamos mais céticos e passamos a acreditar mais nas nossas convicções, principalmente quando temos elementos claros que algo não vai dar certo.

Logo, por que não questionar uma parceria cujo parceiro é “anônimo”, que indica um CEO que foi demitido duas vezes de outra empresa semelhante e, caso a parceria dê errado (e já está dando claramente), prevê que a dívida ou prejuízo fica na conta da parte que, nesse momento, é a mais prejudicada?

Quem é que fecha uma parceria dessas?

Por que não questionar o simples fato de uma obra ficar em reforma por quase três décadas, recebendo aditivos inexplicáveis e, quando investigada, tem parte dos documentos que envolvem essa reforma “desaparecendo” “do nada” (sim, eu estou separando tudo para que você entenda o quão estranho é tudo isso)?

Por que negociar com alguém que nesse momento responde a um processo por não pagamento de impostos, sendo que, no passado, essa mesma pessoa já teve um parecer do Tribunal de Contas do Estado que considerou essa mesma pessoa como responsável por crime de nepotismo (não apenas familiares receberam fundos vindos dos cofres públicos, mas acumulou funções para que a maior parte do dinheiro ficasse dentro da própria família)?

Então… você compraria um carro dos responsáveis pelos três exemplos que eu citei acima?

Você compraria um carro batido?

E eu agradeço ao tempo e a maturidade por me ajudar a economizar algum dinheiro e evitar dores de cabeça desnecessárias.

Vou repetir: “Time. The ultimate truth teller”. PERRY, Kate.


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