Já fui bem mais. Hoje, estou de boa.

Alguns movimentos internacionais iniciam projetos envolvendo a “tecnoterapia”, com o objetivo de reduzir o vício das pessoas em dispositivos eletrônicos. São tratamentos com focos específicos: videogames, gadgets de consumo, computadores e, é claro, smartphones.

Se isso realmente vingar, eu estou ferrado. Desde criança eu sou um viciado confesso em tecnologia, ou a qualquer coisa que vai na tomada ou abriga uma bateria. Eu amo tanto esse universo, que tudo isso virou a minha profissão, que paga as minhas contas, a minha comida e, obviamente, mais gadgets.

Porém, fazendo uma reflexão sobre o meu comportamento atual, posso dizer que não estou mais tão viciado em tecnologia como eu já fui no passado. Em 2018, eu consigo fazer as minhas atividades não relacionadas com o mundo tech com maior tranquilidade, e sem sofrer de tremores pela abstinência.

No passado, já fui mais viciado no mundo tech. Ficava nervoso quando não usava o videogame, ou quando ficava longe do computador por muito tempo. Percebi que esses eram sintomas de isolamento social que não me faziam bem. E olha, que isso aconteceu em um período que eu já estava nos corais.

Aos poucos, eu fui me desintoxicando. Fui buscando outros focos de interesse. Decidi que manteria mais conversas com meus amigos pessoalmente, para poder enxergar no olhar deles as emoções e sensações que não são sentidas através das frias letras exibidas nas telas.

Uma das medidas drásticas que acho que todos deveriam tomar pelo simples fato de ser um gesto de educação para as demais pessoas é a de deixar o smartphone em modo avião em encontros sociais, jantares e eventos especiais. Sei que meu trabalho depende da notícia em tempo real, mas não posso ser um escravo do dispositivo e do meu trabalho.

As mudanças deram resultado. Por incrível que pareça, hoje eu durmo melhor, desenvolvo melhor o meu trabalho, me relaciono melhor com as pessoas e aproveito melhor a vida. Me permito mais a tirar mais folgas, e distribuo melhor o meu tempo em todos os compromissos que assumi.

Talvez o termo ‘tecnoterapia’ seja forte demais, mas também admito que um tratamento para aqueles que se tornaram muito dependentes do mundo tech é algo bem vindo. A tecnologia deve estar ao nosso dispor, e não podemos ficar ao dispor dela para nos sentirmos melhor.

Com tantas mudanças que fiz, entendi que a vida passa depressa demais para ficar o dia inteiro no Twitter ou no Facebook. E que os gadgets não vão fugir de mim tão cedo.

Amo meu smartphone, mas amo mais as pessoas com quem decidi conviver todos os dias, no mundo real.

Ok, a maioria delas. Tem algumas que é bem difícil conviver com elas. Mas isso é outra história.