Você, cidadão comum, ou afegão médio. Como queira. Você… é um imbecil.

Eu estou falando com você, que passou os últimos meses de sua vida compartilhando notícias recebidas pelo WhatsApp, sem procurar por fontes de credibilidade. Sem procurar a verdade. Você, que pautou o seu discurso político e até ético baseado na rede de mentiras que você mesmo ajudou a construir.

Eu tenho raiva de você.

É por causa de pessoas como você que a internet está essa podridão. Por causa de pessoas como você que as pessoas que fazem jornalismo a sério, investigando as fontes e divulgando os fatos, perderam a credibilidade. Você, que passou anos compartilhando fotos de gatinhos no Facebook e mensagens de bom dia em todos os grupos do WhatsApp, de forma insuportável.

A culpa é sua.

Por causa de você, que tem a preguiça endêmica de não pesquisar fontes e acreditar em qualquer bobagem que recebe pelas redes sociais, hoje temos um ambiente conectado totalmente tóxico e inverossímil. Hoje, está mais difícil divulgar a realidade dos fatos, porque você descredenciou veículos de informação que são sérios, jornalistas que contam com o compromisso com a verdade, e disseminou as fake news, que deram o tom para as escolhas do coletivo.

Hoje, as pessoas pautam suas opiniões e convicções através das notícias falsas. E não é só a rede de mentiras que me enoja. Me dá náuseas perceber que as pessoas agora pautam os seus conceitos morais e éticos de acordo com sua conveniência. Agem com leniência, ignorando o bom senso e até o senso do que é certo ou errado.

Simplesmente ignoram o fato de que estão caluniando pessoas com discursos falsos, mentirosos e absurdos. Ignoram o fato que os dois lados estão errados, que os dois lados não contam com valores cristãos. Que os dois lados são imorais.

Você, que compartilhou mentiras na internet sem verificar fontes, ou sem se preocupar com a verdade.

A culpa é sua.

Eu tenho raiva de você.

Sinceramente, agora eu torço pelo pior. Torço pelo castigo ao coletivo. Torço para que você venha a se foder no futuro da forma mais impactante possível. Eu não desejo que você morra, ou que sofra de algum mal físico, ou que venha a sofrer. Eu desejo para você uma saúde plena para testemunhar cada segundo do desastre que você plantou. Eu quero que você saboreie lentamente e com detalhes o gosto amargo da derrota do bom senso e do coletivo.

Sim. Pois independente da escolha… TUDO VAI DAR ERRADO!

Não importa. Já estamos fodidos como povo.

E a culpa é sua. Não minha.

Eu tentei avisar. Reuni todos os esforços e recursos ao meu alcance para alertar a cada pessoa que eu conhecia que o desastre era iminente e inevitável. Cansei de informar as pessoas sobre as fake news que eram compartilhadas, mas concluí que estou cercado de imbecis preguiçosos, que não se dão ao trabalho de pesquisar para identificar o que é falso ou verdadeiro nas redes sociais.

Mas… eu me cansei.

A gente cansa. E eu quero ter saúde mental para acompanhar tudo isso.

Logo, quando a merda começar a feder, lembre-se: eu avisei que iria dar nisso. Eu avisei que a gente iria se ferrar.

E nem adianta me dizer que “a gente não tinha escolha”. Tinha sim, seu mentiroso! Várias outras opções. Ninguém quis olhar para outras vias.

E eu vou ser o primeiro a enfiar o dedo na sua cara (se não for no seu cu) para dizer “a culpa não é minha… a culpa é sua… eu não votei em nenhum dos dois”.

Profético. Sim.

Podem me cobrar depois. Não tenho medo de dar a cara para bater.

E tenho vergonha na cara de não sujar minhas mãos.