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Antes de começar este artigo, saiba que o termo johatsu significa “pessoa evaporada” em japonês. E como as coisas são bem diferentes no Japão, acho que vale a pena falar desse conceito de desaparecimento. Vai que você vai precisar dele em um futuro próximo.

Os japoneses contam com uma coisa que muitos brasileiros não possuem ou ignoram a sua existência, que é “vergonha na cara”. O “devo, não nego e pago quando eu quiser” não existe por lá, e ser pego com crimes de corrupção, golpes financeiros e fornicação com a mulher do próximo é algo que muitos cidadãos da terra do Sol Nascente não consideram como “normal ou aceitável”.

Diante disso, sobram duas alternativas para os japoneses: o suicídio, ou o desaparecimento para sempre, adotando uma nova identidade. Tal e como você faria em filmes de ficção científica.

 

 

 

O desaparecimento por completo de sua identidade

 

Os “evaporados” vão, na prática, ocultar o seu paradeiro do mundo, o que pode ser um sonho para muita gente. Muitos japoneses recorrem a empresas que facilitam o processo, que são conhecidas como “serviços de mudanças noturnas”, que fazem todo o serviço para quem quer praticar o johatsu.

Essas empresas oferecem (por exemplo) alojamento e anonimato em locais onde (teoricamente) os desaparecidos não podem ser encontrados. O serviço apareceu na década de 1990, no mesmo período que a bolha econômica do Japão estourou, deixando o país em crise e colocando muitas pessoas em condições de falência.

Porém, não é só o dinheiro que pode fazer uma pessoa desaparecer de tanta vergonha. Os tais motivos sociais, como processos de divórcio, o desejo pela privacidade ou a vontade de recomeçar a vida do zero também incentivam os japoneses a procurar as empresas de johatsu.

E, nesse caso, a polícia só vai atrás do evaporado em casos de crimes ou acidentes graves. Aí, não tem jeito: nenhum johatsu salva o cidadão.

 

 

 

Você quer desaparecer?

 

Eu compreendo as pessoas que, de tempos em tempos, pensam em desaparecer desse mundo para parar de sofrer. E não julgo essas pessoas, porque eu também senti esse desejo. Porém, o suicídio jamais é a melhor opção. Sob nenhuma circunstância.

Nesse caso, é melhor desaparecer e não deixar rastros. E se dar o direito de recomeçar.

Pessoas que são vítimas de violência doméstica, de abuso sexual, de estupro e violência infantil contam com todos os motivos do mundo para desejar desaparecimento de identidade. E nenhum caso não é suficientemente sério para as empresas de johatsu, pois todo mundo tem os seus próprios problemas.

É importante destacar que a cultura do desaparecimento apareceu no Japão no final da década de 1960, impulsionada pelo filme Um Home Desaparece, onde o protagonista abandonou o seu trabalho e prometeu “desaparecer” para a sua prometida. Desde então, muitos casos de johatsu aconteceram nas zonas rurais e em algumas das grandes cidades japonesas, sempre envolvendo jovens.

É claro que não sou eu que vou dizer o que você deve ou não fazer da sua vida. A decisão sempre vai ser sua. Mas posso compartilhar o que eu penso sobre o assunto.

Reforço que já pensei em desaparecer, mas entendi que para onde eu for, alguns dos meus problemas vão comigo. Por outro lado, também aprendi a deixar o meu passado para trás e seguir em frente, pois sempre sei que o futuro é promissor.

Então, se nesse momento você está pensando em desaparecer desse mundo, que pelo menos não seja retirando de você mesmo a oportunidade de recomeçar. Desapareça da frente daquilo que faz você sofrer, mas ao menos assuma uma nova identidade para iniciar uma nova jornada.

Entre o seppuku e o johatsu, sempre opte pelo segundo termo. E não se esconda da vida no recomeço. Encare tudo de frente, e acredite que o reboot de sua existência vai funcionar da forma que você idealizou e planejou.

E boa sorte!

 

 

Via BBC, Business Insider


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