Eu quero realmente acreditar que, em um futuro não muito distante, o voto online seja uma realidade. E não apenas para escolher o vencedor do The Voice ou do Big Brother, mas para eleger os futuros governantes de cidades e estados brasileiros, além é claro do presidente da república.

Mas o caminho é longo. Eu disse que queria isso em um futuro não muito distante, mas com tudo o que é apresentado nesse momento, pode demorar mais tempo do que o desejado.

O voto online ganha adeptos

Alguns países começam a realizar os primeiros testes práticos pensando em eleições decididas pelo voto online. Tal expediente não é pensado apenas nos mais acomodados, que não querem sair de casa para votar (e, com isso, acaba com a desculpa de serem lenientes com o voto por pura preguiça), mas também com aquelas pessoas que estão em trânsito ou fora do seu domicílio eleitoral.

Estônia e Polônia são países que recentemente testaram o voto online, que também se mostra como uma maneira mais rápida de contagem de votos, uma vez que os dados são transmitidos de forma quase instantânea para uma central eleitoral.

Porém, é um sistema que ainda levanta muitas dúvidas sobre o seu funcionamento, credibilidade e confiabilidade. Tudo funciona bem em um país pequeno. Mas… e no caso de países com dimensões continentais como o Brasil e Estados Unidos? É necessária uma engenharia muito mais complexa para tudo dar certo.

Vários sistemas de segurança envolvidos

Se em 2016 Donald Trump contou com a “ajuda amiga” dos russos para vencer as eleições para presidente dos Estados Unidos, imagine o que os hackers podem fazer em uma eleição através do voto online. Todo mundo sabe o quão frágil é toda a tecnologia que envolve qualquer sistema informático do mundo, e a possibilidade de decidir o futuro de uma nação é tentadora demais para quem gosta de explorar os limites dos sistemas informáticos.

E isso nas mãos erradas pode ser um perigo.

Logo, qualquer país que quiser implantar um sistema de voto online vai precisar reforçar muito bem as suas plataformas, em níveis nunca antes vistos. E isso requer tempo e muito dinheiro. Logo, o médio prazo que eu queria pode ser tornar longo prazo por causa das necessidades pontuais que qualquer sistema eleitoral precisa receber para se tornar mais confiável para o voto online.

No futuro, pode valer a pena

Modernizar as instituições governamentais é uma forma de, no futuro, entregar gestões mais eficientes, organizadas e transparentes. E as eleições online podem ser o ponto de partida para toda uma reformulação e re-elaboração de nossas gestões para um futuro melhor em vários aspectos.

Porém, eu reconheço que ainda é cedo para dizer quando e como teremos a nossa primeira eleição online. Muito dessa problemática passa também pelas várias formas que os mais espertinhos abraçam para fraudar e manipular as ferramentas conectadas, e a ideia de trabalhar com esse expediente requer toda uma engenharia para antever passos e buscar alternativas viáveis para entregar uma eleição limpa, transparente e com resultados que refletem o desejo do povo.

Não é uma eleição para escolher o vencedor do Big Brother. Estamos falando de prefeitos, governadores e presidente. O buraco é sempre BEM mais embaixo, certo?