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Vovô tenta contrabandear carga milionária de eletrônicos e é preso, obviamente (porque não foi no Brasil)

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Eu sei que neste exato momento é meio complicado falar de temas polêmicos como importação de produtos, fiscalização aduaneira e, principalmente, Receita Federal. Tem uns e outros que estão bem queimados na rodinha por causa desses temas.

Mas como não quero polemizar, deixo claro que o tema deste artigo não aconteceu aqui no Brasil (e deixo claro antes que você desista desse divertido artigo de tecnologia, que “nada tem a ver com política”).

O caso em destaque deste artigo ocorreu na fronteira entre a China e Hong Kong, onde a escassez de chips durante a pandemia de 2020 gera reflexos até hoje nos hábitos de importação de produtos.

 

Um contrabando milionário

Em 27 de março de 2023, foi interceptado um caminhão na fronteira entre os dois países. Inicialmente, os agentes federais encontraram um lote de produtos devidamente declarados e, portanto, legalizados.

Mas… sabe quando você encontra um verdadeiro universo de possibilidades alternativas quando você decide dar aquela bela segunda olhada no tal lote?

Pois é… foi exatamente isso o que aconteceu.

O motorista do caminhão, todo meninão apesar dos 61 anos de vida, não imaginava que os agentes federais fariam o seu trabalho de forma ainda mais competente do que o habitual, e descobriram por trás do lote declarado uma enorme quantidade de dispositivos eletrônicos que iriam passar pela fronteira de forma desapercebida.

E como a confiança do contrabandista era enorme, a carga de dispositivos envolvendo smartphones, computadores e câmeras para carros contava com um volume total de produtos que, somados, registravam um valor que superava a casa de 223 mil euros.

Mas… espere, pois tem mais (sempre tem mais).

Também foram encontrados no lote processadores, unidades de RAM e discos rígidos com elevadas capacidades de armazenamento. E esses itens, somados, concentravam um valor total superior a 3.2 milhões de euros.

Mais precisamente 3.272.486 euros.

No final das contas, os agentes federais apreenderam mais de 508 mil itens de eletrônicos, que acumulavam um valor estimado de 3.506.235 euros. Esse é o maior contrabando terrestre detectado pelo órgão de controle desde 2018.

O mais curioso de tudo isso era que o homem que conduzia esse caminhão que concentrava uma pequena Santa Ifigênia de produtos importados era um senhor de 61 anos, que poderia passar desapercebido pelos olhares menos atentos.

Acredito que os fiscais da Receita Federal estavam com um ótimo humor depois de descobrirem que iriam ganhar um iPhone, um iPad e um MacBook por causa daquela apreensão. A evidência disso é que o motorista foi preso e, horas depois, liberado por causa do pagamento de uma fiança.

Mas os problemas do vovô contrabandista de 61 anos não param por aqui.

 

Bem diferente do que acontece aqui no Brasil

Para quem não sabe, o contrabando de peças e componentes eletrônicos é um delito grave em Hong Kong, e qualquer pessoa considerada culpada pode ser condenada a pagar uma multa de até 233.7 mil euros, além de ficar até sete anos na prisão.

É sempre importante lembrar que Hong Kong é considerada uma “Região Administrativa Especial” da China. Ou seja, tem o seu próprio governo, moeda oficial própria, idioma, bandeira e sistema de importação e exportação de bens e serviços, mas o chefe de estado oficial do território é Xi Jinping.

Isso é… as coisas podem mudar no futuro, mas pelo menos no momento em que este artigo foi produzido, o cenário político na região é esse.

Por outro lado, o transporte de mercadorias entre os dois territórios está estritamente regulado, desde que você declare todos os bens que está transportando e pague os respectivos impostos pela quantidade de produtos em deslocamento.

Todo mundo deveria saber disso, inclusive aqueles que tentam entrar no Brasil com uma quantidade milionária de joias que não foram declaradas para a Receita Federal. E, diferente de Hong Kong, pelo menos até o momento em que finalizei este artigo… ninguém foi preso por aqui.

Vergonha, minha gente… vergonha!


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@oEduardoMoreira