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A publicação de um estudo produzido pelo cirurgião Kenneth K. Hansraj sobre a pressão que o nosso pescoço recebe quando nos colocamos na posição para ler ou escrever uma mensagem no smartphone produziu várias discussões sobre os malefícios em nossa saúde do uso das novas tecnologias. Veremos como então o WhatsApp (ou o abuso do uso do smartphone) está prejudicando a nossa saúde.

 

O que diz o estudo de Hansraj?

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O estudo de 2014 do chefe de cirurgia da coluna e de reabilitação de Nova York publicado na Surgical Technology International avaliava o nível de estresse suportado pela coluna cervical, de acordo com a posição da cabeça no pescoço. O estudo viralizou rapidamente por conta da imagem acima.

Nela, podemos ver como o peso de nossas vértebras cervicais muda em relação ao grau de flexão do pescoço e ao adiantado da posição da cabeça. O estudo foi realizado a partir de uma simulação em três dimensões, onde se calculava o peso suportado pelo pescoço em diferentes posições.

Em uma posição “normal (cabeça erguida e olhando para frente), nosso pescoço suporta 60 newtons de força, ou 6 quilos de peso sobre as vértebras. Nessa posição, o centro de gravidade está a 18 centímetros sobre a vértebra C7. A flexão do pescoço para frente muda o centro de gravidade e o peso que nosso pescoço vai suportar. Em uma posição de 60 graus de flexão, que é a mesma quando olhamos para o smartphone para ler mensagens do WhatsApp, o peso suportado pelas cervicais é de 27 quilos.

O estudo de Hansraj conclui que a maior flexão do pescoço e o adiantamento da posição da cabeça aumenta o peso suportado pelo pescoço, e isso deve ser levado em consideração nas cirurgias de coluna para reconstrução do pescoço.

 

As consequências dessa postura em nosso corpo

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Nesse caso, o corpo sofre da sobrecarga na musculatura da zona cérvico-escapular (parte alta das costas, nos trapézios) e dores na região do pescoço depois de muito tempo em uma posição de flexão que não é a natural para o ser humano.

Alguns especialistas denominaram esta dor pelo uso indiscriminado do smartphone em uma postura incorreta como a “síndrome do pescoço de texto” (text neck syndrome). Além da dor e da tensão no pescoço e ombros, também é possível experimentar uma dor de cabeça ou espasmos musculares, já que a postura ativa os pontos de gatilho (trigger points), ou nódulos que geram dores com a sobrecarga ou compressão.

De acordo com a definição dessa síndrome, uma má postura durante muito tempo resulta em dores e em uma possível lesão crônica. Em geral recomenda-se evitar passar muito tempo na postura com a cabeça muito inclinada, e levar uma vida mais ativa para compensar o sedentarismo e o tempo que passamos diante das telas.

 

Isso é tão alarmante como parece?

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Mais ou menos.

Para começar, a postura do pescoço flexionado e da cabeça para frente não é algo exclusivo dos smartphones ou tablets: quem lê muito tem postura similar ou pior (principalmente se o livro está apoiado em uma mesa), afetando o pescoço do mesmo jeito. Vale a pena lembrar os tempos de estudante, e rapidamente perceberemos que a posição que ficávamos na sala de aula ou biblioteca é a mesma que usamos hoje nos dispositivos móveis.

É claro que a aparição dos smartphones e tablets fizeram com que o usuário mantivesse essa posição por mais horas ao longo do dia, e é possível que, por causa disso, os alarmes são mais constantes. Fato é que: uma maior flexão do pescoço e uma posição de cabeça adiantada pode resultar em estresse, no peso a mais para a coluna cervical, com maior ou menor flexão do pescoço. Mas não faz relação direta entre a dor de cabeça ou das costas com esses fatores.

Outras atividades profissionais como enfermeiros e músicos também passam pelos mesmos sintomas, e isso faz com que uma associação da postura ou posição do pescoço à dor não se faça efetiva. Entre os adolescentes (por exemplo), essa associação não procede.

Podemos então ficar despreocupados?

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Não devemos relaxar nossa postura de um modo geral, seja lendo em um smartphone ou tablet, ou em um livro. Mas nem por isso precisamos ser alarmistas: um estilo de vida ativo, com certa dose de movimento (o corpo humano foi desenvolvido para se manter em movimento) e um uso responsável da tecnologia são fatores totalmente compatíveis.

Levantar a cabeça de tempos em tempos, ativar nossas articulações, caminhar para melhorar a circulação e a oxigenação dos tecidos e manter de forma habitual uma postura cômoda e relaxada trarão benefícios para a nossa saúde a longo prazo.