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O WhatsApp se tornou um dos aplicativos favoritos dos usuários de smartphones. É prático, rápido, muito econômico (pois é compatível com qualquer conexão de internet) e é de graça. Bom, quero dizer, era. A empresa desenvolvedora do aplicativo de comunicação instantânea decidiu cobrar dos novos usuários US$ 0,99 por ano de utilização do serviço (antes, o aplicativo custava em torno de US$ 5), e isso deixou muitos usuários indignados. De forma até estranha, mas é compreensível.

E olha que aqui “não é pelos 20 centavos”. Por uma razão quase inexplicável, quando é imposto um pagamento anual a um serviço que usamos todos os dias, mesmo que seja em um valor simbólico de US$ 1, as pessoas reclamam. É o típico caso de “valor percebido”, termo esse muito utilizado no marketing. Funciona mais ou menos assim: as pessoas são questionadas sobre quanto o serviço nos oferece para o valor que pagamos por ele. Por exemplo um café, que consumimos em poucos minutos, pode custar os tais R$ 3 (em média, e ainda assim, eu acho caro), que é um preço razoavelmente justo.

Mas quando falamos de um serviço com um grande valor agregado, como é o caso do WhatsApp, a equação se torna mais complicada. A decisão de pagamento anual foi tomada em março de 2013, com o aplicativo deixando de ser gratuito no Android para os novos usuários. Na prática, o valor a ser pago pela assinatura anual do WhatsApp é ridículo, ainda mais se fracionarmos por dia.

Porém, alguma coisa mudou de forma definitiva: a percepção do usuário sobre um produto que deixava de ser gratuito para ser pago. A indignação se estendeu pela rede, dividindo os usuários em dois grupos. De um lado, aqueles que lembravam o quão ridículo é esse valor por dia. Do outro lado, aqueles que achavam injusto ser taxados apenas por serem “novatos” no serviço.

Vale a pena lembrar que, graças ao WhatsApp, o SMS simplesmente está morto. E olha que os usuários pagavam bem mais por uma mensagem de SMS (que hoje pode ser ofertado pelas operadoras “de graça”, dependendo do plano escolhido pelo assinante… e ainda assim você está pagando alguma coisa), sem reclamar (ou reclamando, mas sem tanta ênfase). Além disso, os criadores do WhatsApp também anunciaram que o serviço também será de assinatura anual para os usuários novos do iOS, o que deveria acalmar os ânimos dos Android users.

Mesmo assim, os indignados lançam outro forte argumento para reclamar: o WhatsApp sempre foi um app pago no iOS, e essa era a única fonte de lucros reconhecida para o aplicativo. Ou seja, os donos do iPhone novatos podem descarregar o aplicativo de forma gratuita, utilizar o mesmo no primeiro ano a custo zero, para depois entrar no plano de assinatura anual. E isso, para algumas pessoas, é algo inaceitável.

Para completar, outros serviços aparecem como competidores diretos do WhatsApp, como por exemplo o LINE ou o WeChat, que oferecem a mesma proposta do popular aplicativo de troca de mensagens, mas adicionando recursos que agregam um valor de mercado ainda maior, como as chamadas via VoIP e stickers.

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O LINE, por exemplo, opta por obter lucros através da venda de serviços agregados (os stickers). O WeChat ainda não estabeleceu um modelo para obter lucros diretamente dos usuários, mas já capitaliza pelas parcerias com empresas como o McDonald’s, no formato de pagamento de produtos e serviços pelo aplicativo. Com isso, eles podem passar um bom tempo sem cobrar um centavo dos usuários.

O que chama a atenção na decisão do WhatsApp é justamente cobrar uma mensalidade anual no mesmo tempo que os seus concorrentes estão encontrando soluções alternativas para não cobrarem dos usuários. Tudo bem, o WhatsApp ainda é lider em mercados considerados chave, como o europeu, além de manter poucos serviços agregados, mas que funcionem bem. E isso pode garantir a liderança do serviço por mais algum tempo.

Mesmo assim… voltamos para o exemplo do café.

Pagamos todos os dias mais em um cafezinho do que em um ano de assinatura do WhatsApp. Então… por que ficamos indignados com o aumento do WhatsApp?

A reflexão é obrigatória para os usuários de dispositivos móveis, e seria importante averiguar por que esse paradoxo acontece. Porém, no meio dessa tormenta toda, temos que lembrar algo que sempre se faz presente no mundo da tecnologia: por trás de cada aplicativo, existe uma pessoa, ou uma equipe de desenvolvedores, que se esforçou e dedicou horas, dias e semanas de trabalho para oferecer alguma coisa que melhore a vida dos usuários.

Logo, é justa a cobrança de uma compensação por tal serviço prestado, e ao usuário, também cabe que essa roda siga girando: em teoria, se os desenvolvedores de apps ganham mais dinheiro, maiores serão as chances dos nossos aplicativos preferidos serem ainda mais sofisticados.

E tudo isso por apenas US$ 0,99 por ano.