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Xbox portátil: na nossa cara o tempo todo

Não dá pra dizer que a gente não sabia, pois estava na nossa cara.

A Microsoft oficializou sua entrada no mercado de consoles portáteis através de uma parceria estratégica com a ASUS, fabricante que desenvolverá os dispositivos sob a marca ROG (Republic of Gamers).

A iniciativa confirma os vazamentos anteriores que circulavam desde março de 2025 sob o codinome Keenan, o que prova que o tão falado “Xbox portátil” estava na nossa cara o tempo todo.

Isso não quer dizer que somos trouxas. Apenas que não colocamos ênfase o suficiente no assunto, já que todo mundo estava focado na ideia de a Microsoft lançar um hardware próprio, em carreira solo, e não em parceria.

 

Os detalhes mais importantes

São dois consoles: o ROG Xbox Ally e ROG Xbox Ally X, ambos com lançamento previsto para o final de 2025, e com configurações diferentes.

A versão padrão utilizará o processador AMD Ryzen Z2 A, enquanto o modelo X contará com chip Ryzen AI Z2 Extreme, oferecendo performance superior.

As especificações técnicas revelam telas IPS de sete polegadas com resolução Full HD, taxa de atualização de 120Hz e proteção Corning Gorilla Glass Victus com tratamento antirreflexo. A luminosidade atinge 500 nits, garantindo visibilidade adequada em diferentes condições de iluminação.

A principal diferença entre nos modelos está principalmente na capacidade de memória e armazenamento.

O modelo básico oferece 16GB de RAM LPDDR5X-6400 e 512GB de storage, enquanto a versão X amplia para 24GB LPDDR5X-8000 e 1TB.

A bateria também varia entre 60Wh no modelo padrão e 80Wh na versão premium, ambas com carregamento de 65W.

 

Como o ASUS ROG Xbox Ally quer te conquistar?

A principal e mais relevante diferença desse ROG Xbox Ally para o ROG Ally de toda vida está no movimento estratégico da Microsoft na forma em como entrega o seu sistema operacional no console e, principalmente, pensando na experiência dos gamers.

Os dispositivos vão executar o Windows 11 com interface personalizada pela ROG, reproduzindo fielmente a experiência visual dos consoles Xbox domésticas.

O launcher mantém elementos familiares como atalhos laterais, acesso a jogos recentes e sugestões de novos títulos.

Só isso aqui já faz toda a diferença para os jogadores, não apenas na redução das distrações visuais e complexidade de configuração do sistema operacional, mas principalmente pela melhor performance que a versão customizada do Windows promete entregar.

A empresa investiu na otimização de recursos em segundo plano para acelerar a inicialização e melhorar a fluidez operacional.

O Windows 11 é historicamente rejeitado pelos gamers justamente pela ausência de otimização dos recursos de hardware.

A proposta personalizada e otimizada para o ROG Ally promete resolver o problema de uma vez por todas. E faz isso adaptado para o formato dos consoles portáteis, que crescem em visibilidade e vendas em todo o planeta.

O design ergonômico do dispositivo baseia-se nos controles tradicionais Xbox, criando uma experiência integrada que combina portabilidade com familiaridade de uso.

A compatibilidade com serviços de nuvem representa outro pilar da proposta apresentada por Microsoft e ASUS.

Além do Xbox Cloud Gaming através do Game Pass, os dispositivos suportarão plataformas como Epic Games, Battle.net e a própria Steam.

A tecnologia Xbox Play Anywhere elimina pagamentos duplicados, permitindo acesso aos jogos tanto no console quanto no PC.

 

O “Xbox em qualquer lugar” na prática

A versatilidade constitui o principal atrativo comercial destes dispositivos, pois é o primeiro passo efetivo para que o Xbox esteja efetivamente em qualquer lugar, e devidamente adaptado aos dispositivos onde ele vai rodar.

Por executar Windows de forma nativa, os consoles não se limitam ao ecossistema Xbox, oferecendo acesso ao catálogo completo de jogos para PC.

A abordagem posiciona os produtos mais próximos de computadores portáteis especializados do que consolas tradicionais.

É mais um diferencial que esse tipo de produto oferece em relação aos seus principais concorrentes. Na prática, é um centralizador de conteúdo, com a promessa de entregar a melhor experiência para quem tem jogos em diferentes plataformas.

A estratégia reflete a tendência crescente dos “handheld PCs” no mercado gaming, segmento em plena expansão. E o movimento feito pela Valve, ao abrir o SteamOS para diferentes tipos de dispositivos, abriu os olhos da gigante de Redmond.

A Microsoft busca estabelecer presença neste nicho competitivo, oferecendo alternativa aos produtos existentes através da integração com seu ecossistema de serviços.

Chamou a Valve para a briga, sem qualquer tipo de cerimônia.

Os dispositivos compartilham semelhanças técnicas com a ROG Ally convencional, diferenciando-se através de maior potência, gatilhos hápticos, design reformulado e interface otimizada para usuários Xbox.

Ou seja, era muito mais fácil para a Microsoft aproveitar tecnologias já validadas no mercado do que partir de peito aberto para uma proposta de console portátil próprio.

O que faz todo o sentido do mundo.

A Microsoft está correta em não ter pressa para lançar um produto próprio, se é que vai lançar. Se Phil Spencer quer mesmo ter “o Xbox em qualquer lugar”, a melhor maneira é fazer a sua proposta de software se fazer presente em diferentes dispositivos.

Mesmo porque precisa bater de frente com a Valve, que fez o mesmo movimento com o SteamOS, e possui uma interessante moeda de troca com os fabricantes e o consumidor.

Algo que vai além da loja Steam.

O SteamOS é mais barato que o Windows.

 

Quanto a brincadeira vai custar?

As expectativas de preço situam-se próximas aos 1.000 euros, considerando o hardware premium e as melhorias implementadas.

Neste momento, não há previsão de preço dos novos consoles. Só sabemos que eles vão chegar ao mercado no final de 2025.

Vale a pena lembrar que o ROG Ally tradicional custava 799 euros na versão básica e 899 euros no modelo X, o que pode servir como referência para a precificação dos novos produtos.