
Sério mesmo que a Microsoft acha que tem moral para tirar sarro das locadoras… neste exato momento de nossas vidas?
Logo a gigante de Redmond, que ajudou a acabar com a mídia física nos videogames, contribuindo para o fim do mercado de empréstimos, trocas, vendas de segunda mão e colecionismo nos jogos?
O novo comercial da Microsoft para o Xbox Game Pass tenta mostrar a evolução do acesso aos jogos, comparando as antigas locadoras com o serviço digital. O que, neste momento, beira ao deboche, já que todo mundo está preso no sistema opressor da gigante de Redmond.
Marqueteiros burros

De tempos em tempos, o pessoal do marketing das empresas de tecnologia entrega algumas pérolas que são um prato cheio para as críticas. E neste caso, a impressão que fica é que a Microsoft implorou para ser criticada.
A peça tenta valorizar a conveniência e a variedade dos mais de 850 títulos disponíveis na plataforma. Na prática, soou como algo debochado, pois olhando para o outro lado da moeda, os gamers ficaram sem um monte de jogos, além é claro de perder o direito de propriedade aos títulos, algo que estava garantido na mídia física.
A crítica principal dos jogadores é que a campanha ignora a nostalgia das locadoras e menospreza a experiência física, em um debate que a própria Microsoft contribuiu negativamente para o seu surgimento, quando decidiu parar de vender os jogos em DVD ou Blu-ray em diferentes mercados globais.
Para muitos, a propaganda soa como desrespeito à história dos videogames e à cultura construída em torno das mídias físicas. É quase um bullying para quem sente falta até hoje de ir até à locadora para pegar aquele jogo para jogar durante o final de semana.
Um mar de contradições
Portais internacionais destacaram contradições da peça publicitária, apontando que o Game Pass não oferece todos os lançamentos no dia do lançamento. Ainda mais agora, que os planos foram reorganizados, e para ter o famigerado “day one no Game Pass”, você precisa pagar o plano Ultimate, que custa indigestos R$ 119,90 mensais.
Segundo análises, a limitação contrasta com a promessa de acesso instantâneo e constante a novos títulos. Algo que todo mundo tinha nas locadoras (exceto quando o amiguinho alugava o jogo antes de você).
Além da polêmica sobre o tom do comercial, há também críticas às práticas de remoção de jogos do catálogo. Sites como GameSpot lembram que jogos importantes, como Stalker 2, foram retirados recentemente do Game Pass, mostrando que o serviço não é tão permanente quanto promete.
Mas todos os acontecimentos recentes deixam claro para qualquer pessoa que podemos esperar por tudo da dona Microsoft, menos a tal da coerência. Pelo visto, o pessoal do marketing do Xbox não leu algumas das notícias publicadas recentemente sobre as práticas da divisão de games da gigante de Redmond.
Apesar da popularidade do formato digital, os números mostram que a mídia física ainda tem força no Brasil. A Pesquisa Game Brasil revelou que 41% dos jogadores ainda compraram jogos físicos no último ano, demonstrando que a nostalgia das locadoras ainda vive entre os gamers.
Mesmo que seja uma nostalgia impulsionada pelo interesse em manter aquele jogo como seu para sempre. E isso acontece com o gamer remando contra o tsunami de más notícias que a Microsoft entregou para todos.
