Jay Y. Lee, herdeiro e vice-presidente da Samsung, foi condenado a cinco anos de prisão, por crimes de corrupção. Em 2008, seu pai foi sentenciado a três anos com suspensão da pena, sob acusação de criar fundos ilícitos por cinco anos.

A Samsung informa que não fara mudanças drásticas na gestão da empresa (por enquanto), mas o vácuo na liderança cria dúvidas sobre as futuras execuções estratégicas da empresa e planos de investimentos.

A Samsung tem presidentes diferentes para seus três principais negócios: smartphones, eletrônicos de consumo e microchips. Nos três campos, os executivos demonstraram sua capacidade de liderança, mas não tem autoridade para para realizar investimentos e aquisição em grande escala sem a aprovação do dono da empresa.

Nos últimos anos, a Samsung adquiriu várias empresas, e desde que o escândalo de corrupção se tornou público, a linha de fusões e aquisições perdeu força. Há rumores sobre possíveis operações, mas a empresa não se pronuncia, e não é esperado ver grandes operações desse tipo a curto ou médio prazo.

Lee entrou para o comitê diretivo em outubro, e implantou um novo estilo de gestão, mais moderna. Sua entrada levantou dúvidas se ele seria capaz de mudar o DNA da Samsung de uma empresa de fabricação para uma empresa de software, completando assim o plano de seu pai de transformar essa empresa em uma liderança em biotecnologia e tecnologias financeiras.

A família Lee possui menos de 5% da empresa, mas controla a Samsung que hoje vale 230 bilhões de euros, através de uma trama de propriedades privadas.

O mais surpreendente disso tudo é que muitos investidores estão vendo o escândalo como uma oportunidade para melhorar a estrutura de gestão da Samsung e a transparência corporativa.

Apesar de sua reputação, a estrutura de gestão e transparência corporativa são dois temas pendentes da Samsung. O veredito também envia uma mensagem clara para outros conglomerados familiares, que não se caracterizam pela sua transparência.