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Foi impossível não escrever sobre o DeepNude, por mais que eu não quisesse. Não era do meu interesse dar publicidade para um aplicativo com interesses tão mesquinhos. Por outro lado, foi por causa da denúncia de tantos sites abordando os aspectos mesquinhos do aplicativo que o projeto foi abandonado. Porém, infelizmente, o estrago está feito.

Para quem perdeu o bonde da história, o DeepNude prometia desnudar qualquer mulher. Na prática, o programa funcionava em uma base de dados de pessoas nuas, aplicando as partes que mais se encaixam no corpo da pessoa e, assim “desnudando” qualquer foto de qualquer mulher. Obviamente, os seios e os genitais não são daquela pessoa, mas… quem se importa?

O potencial do aplicativo para criar falsas fotos de nudez era enorme, e poderia ser utilizado tanto para invadir a privacidade das vítimas como para destruir reputações de terceiros.

 

 

O fim do DeepNude abriu uma grande caixa de Pandora

 

 

O DeepNude já tinha alguns meses de vida, mas um artigo publicado pelo Motherboard o tornou conhecido em todo o mundo. Seus criadores não esperavam por isso, e a página do app teve problemas com o enorme volume de acessos para download da ferramenta. A pressão foi gigantesca, e os seus criadores anunciaram no Twitter que estavam abandonando o projeto.

Os seus autores dão a entender que o principal motivo para o fim do DeepNude foi a sua repentina popularidade, detectando que as possibilidades de abuso eram enormes. Porém, ignoram o fato que as tais “vendas controladas” alegadas por eles mesmos já eram utilizados para os abusos. A mensagem tem claro tom defensivo para evitar problemas com possíveis denúncias.

Por exemplo, afirmam ter implementado uma série de “medidas de segurança” como as marcas d’água. Porém, não dizem que, na versão paga, as marcas d’água estão em locais que podem ser facilmente recortadas. E a versão gratuita tem a marca d’água tapando a maior parte da nudez falsa.

 

 

O aplicativo continua a ser compartilhado

 

 

É claro que a fama do DeepNude pegou mal para os criadores do aplicativo, e eles deixaram de oferecer o software, inclusive suas atualizações, além de adicionar um alerta indicando que o download do software de qualquer outro software viola a licença de uso do mesmo. Para terminar, afirmam que ‘o mundo ainda não está pronto para o DeepNude’, dando a entender que a culpa é de quem não soube fazer um bom uso da sua ideia.

É claro que esta é uma patética tentativa de fechar a tal caixa de Pandora aberta pelo DeepNude. E tem muita gente com licença paga do programa para gerar uma quantidade considerável de fake nudes. E os próprios criadores do aplicativo reconhecem que o programa vai continuar a ser distribuído e compartilhado pela rede, sem falar nas cópias piratas disponíveis em vários sites, com o volume de downloads só aumentando. Além disso, é muito provável que apareçam soluções alternativas baseadas no mesmo conceito ou inclusive no mesmo código.

Em resumo: a caixa de Pandora está aberta, e isso é só o começo. Goste ou não, estamos na era das fake nudes, e dela não vamos conseguir sair. É um uso irresponsável da tecnologia que nos levou a esta situação. Agora, só podemos esperar que as coisas não fiquem ainda piores.


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