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Eu comecei a brincar com esse negócio chamado internet em 1997. Depois que voltei da minha primeira Fenasoft (saudades…) com o meu primeiro kit multimídia debaixo do braço, e um “poderoso” modem de 33.600 Kbps, eu pensei: “agora, nada mais me segura…” exceto as tarifas telefônicas, que me obrigavam a utilizar os pulsos únicos das madrugadas e finais de semana. De 1997 até 2004, o principal meio de comunicação com outras pessoas pela internet era o ICQ (saudades também…). Depois disso, foi o Orkut.

Eu conheci o Orkut meio que por acaso. Acabei me inscrevendo no serviço porque vi que todo mundo estava fazendo o mesmo, e a partir daí, comecei a me conectar com aqueles que eu já conhecia e com outras pessoas de outros estados e até de outros países. Cheguei a conhecer pessoalmente algumas delas. Bons tempos.

Mas talvez a coisa mais útil do Orkut fossem as comunidades, algo que hoje é utilizado em profusão no Facebook. Quantas e quantas vezes consegui arquivos de RMVB para ver minhas séries, ou links de filmes que já não encontrava mais nas locadoras? No Super Bowl de 2007, quando o New York Giants vence o New England Patriots com a jogada mais espetacular da história das finais da NFL, foi no Orkut que gritei pela primeira vez #ChupaBrady.

Mas o tempo passou. Veio o Twitter, que aproveitou muito bem a febre dos smartphones e da mobilidade, assim como o Facebook, que hoje é utilizado bem mais nos smartphones do que nos desktops. Algo que o Orkut não fez com eficiência, e quando decidiu apostar nisso, já era tarde demais. Sem falar nas demais redes sociais que apareceram simultaneamente (principalmente o MySpace), onde apesar de todas elas morrerem antes do Orkut, ajudou a minar a popularidade do serviço da Google.

O Orkut durou dez anos. Podemos dizer que ele durou demais.

Na verdade, ele durou tudo isso por conta do Brasil e da Índia, países que mais utilizavam o serviço. Para o restante do mundo, o Orkut já não existe. Aliás, para muitos que eu conheço, só estava faltando enterrar mesmo. Eu mesmo parei de usar o Orkut de forma mais frequente em 2010, para adotar as outras opções que estavam aparecendo na época. Tá, minhas fotos ainda estão rodando na rede social rosa (está rosa ainda?), mas como não criei comunidades, não preciso me preocupar com esses dados.

E, no final das contas, todos os meus amigos mais próximos se mudaram para o Facebook. Ou seja, sem perdas nesse aspecto.

O Orkut morre para entrar para a história de muitos brasileiros, de ser a rede social que iniciou o hábito de se comunicar pela internet. Ajudou a estreitar fronteiras, a ampliar horizontes, e a provocar muitas brigas entre os fãs de séries adolescentes e filmes de Harry Potter e Crepúsculo. Foi a “pré-história” da história que temos hoje, e o começo de muita coisa bacana que existe na web atual.

Não vou ser hipócrita para dizer que vou sentir saudades do Orkut. Mas nessas horas, o sentimento saudosista é quase inevitável. Não podemos dar as cosas para algumas coisas positivas que foram vivenciadas e compartilhadas no serviço que está chegando ao fim. E, no final das contas, se hoje eu estendi o meu leque de relacionamentos pessoais pela internet, parte dessa “culpa” é do Orkut.

Mais uma vez, #RIPOrkut. Que agora você possa descansar em paz.