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A WWDC 2013 acontece na semana que vem. Agora passa a ser uma questão de dias (ou horas, para os mais ansiosos) para que a Apple apresente o seu futuro nos dispositivos móveis, e o anúncio do iOS 7 será determinante para isso. Nesse exato momento que você lê esse post, os dispositivos iOS representam pelo menos 80% do valor das ações da empresa, deixando todos os demais produtos (incluindo os Macs) com os demais 20%. Logo, o keynote do próximo dia 10 de junho é o mais importante do ano.

“Branco, preto e plano”. Estas três palavras estão ressoando na maioria dos blogs de tecnologia. Mesmo assim, diversas fontes apostam no fim do skeumorfimso nos dispositivos móveis da Apple. Mas… até onde as mudanças podem acontecer no novo iOS?

Em primeiro lugar, é sempre bom lembrar que o iOS é um sistema operacional desenvolvido prioritariamente para aquelas pessoas que não possuem nenhum contato com o mundo da tecnologia. Seu primeiro objetivo é conquistar aqueles que não tinham intimidade nenhuma com um dispositivo desse porte, utilizando uma tela sensível ao toque e uma interface totalmente visual, tornando assim a experiência de uso mais intuitiva do que simplesmente colocar um monto de teclas na frente desse usuário iniciante.

O design minimalista do iOS satisfaz a maioria das pessoas, além da alta estabilidade do sistema e elevada otimização, que resultam em uma fluidez de uso que faz a alegria da maioria daqueles que antes não sabiam o que era um smartphone. Bom, desse grupo e também de muitos fãs de tecnologia.

Mesmo assim, nada nesse mundo é perfeito, e tudo pode ser melhorado. De fato, os usuários mais antigos do iPhone já estão de saco cheio da interface do iOS, e entendem que a Apple não inova mais. Para dizer a verdade, apesar de funcionar de forma adequada, ver todos os dias a mesma interface cansa. E o iOS apenas evoluiu desde a sua estreia em 2007. Evoluiu, mas não mudou.

Considero que nesse momento, a grande maioria dos usuários já estão acostumados e adaptados a lidar com os dispositivos com iOS. Logo, é totalmente lógico que no lançamento do primeiro iPhone, todos encarassem como um conceito totalmente novo, e ninguém estava acostumado a usar nada parecido (quero dizer, entre aqueles que nunca utilizaram um Palm na vida…). Por conta disso, a facilidade de uso era uma das barreiras que a Apple tinha que superar para agradar o maior número de pessoas. E eles alcançaram esse objetivo. Porém, nesse momento, essa simplicidade poderia ser complementada, com a adição de novas funcionalidades, que torariam o uso ainda mais simples para os novatos, e mais interessante para os veteranos.

Para começar (como você já deve imaginar), seria legal que a barra de notificações contasse com atalhos para ativar/desativar recursos como WiFi, 3G, GPS, rotação ou até mesmo silenciar o dispositivo (economizando assim um botão na lateral do smartphone). Tudo bem, encontramos tudo isso na opção “Ajustes”, mas não é algo que você tenha tão a mão quando você mais precisa. E sim, eu sei que já encontramos isso em outros dispositivos de concorrentes. Mas se a Apple adicionasse isso no iOS 7, ia ser muito bem vindo.

Por outro lado, os aplicativos que acompanham o iOS cumprem com o seu papel, mas são muito básicos. Seria interessante ver o aplicativo de fotos permitindo a utilização de etiquetas de geolocalização, para que posteriormente o usuário pudesse realizar uma busca em assuntos de interesse e localidades. De fato, no lugar de fazer um scrolling quase infinito nas fotos, seria muito mais interessante poder buscar a imagem pela data ou local de registro da foto. Além disso, as opções de compartilhamento são limitadas. Não seria ruim ver essa lista de compartilhamento aumentando.

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Mas talvez o ponto mais polêmico esteja na adição de novos gestos para interação com a interface. Por exemplo: arrastar três dedos na tela para simular a função do botão Home, ou outro gesto na tela para ver todos os aplicativos em execução, e transitar por eles. O que todos ganhariam com isso? Além do fim do botão Home (que serve basicamente para isso no sistema), seria possível ganhar em tamanho de tela, sem comprometer as dimensões do iPhone ou iPad.

Por fim, o seu design. Nos últimos tempos, muito se falou sobre a possibilidade de Jony Ive abandonar o skeuformismo, que era tão amado por Steve Jobs. Muita gente vai defender o minimalismo oferecido hoje pelo iOS. Até porque essa foi uma das chaves do sucesso dos gadgets da Apple. Por outro lado, penso que seis anos no mundo da tecnologia é muito tempo, e também é preciso pensar na renovação dessa proposta. Até mesmo para se conectar ao conceito de inovação, que é uma palavra que, definitivamente, não é ventilada nos corredores da Apple há muito tempo.

Nesse momento, o iOS não é um sistema perfeito. Está plantado no conceito “vamos ser o mais simples possível”. Porém, ainda está em tempo dessa proposta ser modificada, nem que seja de forma mínima, para abrir os horizontes para novas possibilidades. Que continue a ser um sistema simples, mas que ao mesmo tempo, seja um pouco mais elaborado, ou que saia um pouco do comum que ele se tornou.

Vamos descobrir quais serão essas mudanças, na prática, em poucos dias.