A Samsung é líder do mercado de smartphones, mas tudo indica que isso pode mudar. O Galaxy S9 não funcionou no mercado como esperado, a ponto de ser o menos vendido entre os tops de linha dos coreanos desde o Galaxy S3.

O Galaxy S9 não vende, e os lucros caem, apesar das demais divisões da empresa manterem seus números.

Chegou a hora da Samsung mudar a sua estratégia nos smartphones?

20% a menos de receita, 34% a menos nos lucros. Mesmo assim, a Samsung está longe de dar prejuízo nos smartphones. Mas essa queda, somado ao bom trabalho da concorrência, pode ameaçar essa liderança. Há muito o que mudar, apesar dos coreanos já anunciarem as reduções de custos para elevar a competitividade.

O Galaxy S9 não funcionou, e isso é um fato. Os motivos são diversos: desde as discretas mudanças em relação ao S8 até a dificuldade para competir com a Apple dentro desse segmento premium.

O conceito de smartphone caro na Samsung só se estabeleceu por ter um valor mais pessoal do que objetivo, e o mesmo deve ser calibrado por cada usuário. Quando olhamos para os lados, não só a Apple, como Huawei, HTC e Vivo tentam se aproximar desse conceito, e os demais ficam passos atrás.

Comercializar um smartphone premium que supera os R$ 4 mil é algo complexo. Mesmo sendo muito potente, o Galaxy S9 não se diferencia muito do Galaxy S8, que ainda vende muito bem. O primeiro custa o dobro do segundo, e o modelo de 2017 canibaliza o modelo de 2018.

Soma isso à uma Apple muito forte no segmento premium, não tanto pela qualidade dos produtos, mas pela fortaleza do seu mercado de segunda mão, com baixa desvalorização. No caso do Android, comprar caro para revender barato (quando consegue vender), torna essa rotatividade mais complexa. Ou seja, como investimento, o iPhone é mais seguro, olhando apenas para os fatores econômicos, e não de preferências pessoais.

 

 

Como disse antes, Huawei, Xiaomi e outros fabricantes apostam no segmento de preços premium, o que ajudou (em partes) na erosão das vendas da Samsung, que lidera em volume de vendas, mas que testemunha quedas constantes nos lucros.

Descendo um degrau no catálogo da Samsung, as linhas Galaxy A e Galaxy J repetem a estratégia de preços elevados. A gestão de custos que a Samsung alega é prejudicial nessas linhas, onde encontramos modelos mais baratos que as propostas dos sul-coreanos, com as mesmas especificações, quando não são melhores.

Aqui, Huawei e Xiaomi produzem um estrago enorme, e até Motorola e Nokia tiram sua casquinha. Todas elas oferecem mais por menos, e trimestre a trimestre gagnham adeptos. A Xiaomi está virando sinônimo de “culto ao baixo custo” com seus produtos.

Um Samsung Galaxy J8 a R$ 1.899 e um Galaxy A8 2018 a R$ 1.700 não ajudam muito. Ainda mais quando Xiaomi, Huawei e OnePlus oferecem modelos melhores com preços menores. Sem falar na Motorola, com a linha Moto G6, com preços bem competitivos, e a Nokia, com os seus modelos de linha média.

A concorrência melhorou em relação à Samsung, contando inclusive com forte apoio de operadoras e distribuidoras. A Samsung precisa voltar a ser competitiva no preço, e isso é algo que, por enquanto, se mantém distante de suas possibilidades.

 

 

Além disso, a Samsung precisa reformular o seu catálogo, e não apenas no preço. O desempenho dos modelos de linhas inferiores poderia melhorar com a presença de modelos com Android Go e Android One. A melhora nas atualizações também seria importante e, na medida do possível, aumentar a duração dessas.

Smartphones mais baratos (mas sem loucuras), com um melhor desempenho sustentado e com ciclos de vida mais longos. Missões complicadas para a Samsung recuperar a saúde de mercado dos anos anteriores. Bem longe dos áureos tempos dos primeiros Galaxy S, a concorrência é muito mais feroz, demonstrando aos poucos que as mudanças são necessárias para se manter no topo.

Reduzir o preço e o número de modelos, além de fazer com que os seus donos se sintam garantidos por mais tempo. Mas, de novo, a chave pode estar no custo. A Apple se sente mais cômoda vendendo vários dos smartphones mais caros do mercado, mas para a Samsung isso não está funcionando. Reduzir custos para ser mais competitiva é fundamental, especialmente por ser o fabricante que mais se auto-abastece de componentes do mercado.

A Samsung pode (e deve) fazer alguma coisa. Caso contrário, o sofrimento só vai aumentar.