Dois milhões de smartphones em três meses. Isso foi tudo o que a Sony vendeu no segundo trimestre de 2018. Números preocupantes para uma gigante que parece ter abandonado o setor.

A Sony espera vender 9 milhões de unidades no seu ano fiscal que acabou de começar, mas desse jeito fica difícil. E olha, que é um fabricante que tem uma teórica vantagem competitiva incrível: eles fabricam os sensores fotográficos de boa parte dos smartphones do mercado.

Os motivos para esse fracasso são vários, a começar pelas culpas da própria Sony. Design, capa de personalização, relação custo/benefício e câmeras, por incrível que pareça, seguem decepcionando seus usuários.

A empresa não se adapta aos novos tempos, e seus últimos lançamentos são um mais do mesmo. A queda nas vendas entre 2016 e 2017 foi confirmada, e a estimativa para o final do ano fiscal (2019) foi reduzida em pelo menos 1 milhão de unidades.

Traduzindo: a Sony está ficando irrelevante em um mercado muito competitivo, por não conseguir tomar as decisões corretas para colocá-la novamente no lugar que, por tradição e recursos, merecia estar.

Colocando em perspectiva: a Oppo, quinta colocada no setor (segundo o IDC), distribuiu no segundo trimestre de 2018 nada menos que 29,4 milhões de unidades dos seus smartphones.

Os 2 milhões distribuídos pela Sony se tornam ridículos perto dos números alcançados por Samsung (71.5 milhões), Huawei (54.2 milhões), Apple (41.3 milhões) ou Xiaomi (31.9 milhões).

O mais grave disso tudo é que a Sony tem vantagem no recurso que mais diferencia hoje os smartphones: a câmera.

A Sony domina nesse segmento. Apresentou recentemente um sensor de 48 MP, que pode ser a próxima revolução nos smartphones top de linha, mas provavelmente não o veremos em dispositivos da própria Sony, ou pelo menos não antes de chegar nos smartphones da concorrência.

É um cenário estranho e trágico. Há tempos que os smartphones da Sony não se destacam nos aspectos fotográficos. Não são os piores, mas também não são os melhores.

Um exemplo disso é o Xperia XZ2. Mesmo com um avançado sensor Exmor RS de 19 MP, ele deixa a desejar em relação ao que promete no pael.

Outras empresas souberam trabalhar com o pós-processamento de imagem e sistemas de inteligência artificial, que tiram o máximo de partido desses sensores, mas a Sony não consegue competir como o esperado.

Fato é que a Sony precisa de uma revolução. E ela pode fazer muito por ela mesma, transformando toda essa problemática em oportunidade de melhora.

Arriscar um pouco mais não custa nada. Um novo foco, um novo impulso. Resta saber se a Sony quer (ou tem coragem) para fazer isso.

Mas parece que a própria Sony não se importa muito com isso. O PlayStation superou a marca de 82 milhões de unidades distribuídas em todo o mundo. E isso está compensando o fiasco no mercado de smartphones.

E parece que nada vai mudar a curto prazo.