iPhone

A Apple enfrenta um problema de complicada solução na China. O país, que um dia foi o mercado mais promissor para a empresa, parece ter dado as costas nos últimos anos, por conta de uma série de fatores onde Tim Cook e companhia terá que entregar sangue, suor e lágrimas para reverter.

Hoje, a Apple é a quinta colocada na China nas vendas de smartphones, e é superada por fabricantes locais, algo que no passado chegou a parecer uma missão impossível.

Houve um tempo em que a China esperava os novos iPhones com entusiasmo. O iPhone 6 e 6 Plus criou um ponto de inflexão para a Apple em muitos aspectos, catapultando as vendas no país, que superou os Estados Unidos nesse aspecto pela primeira vez na história.

Porém, em 2016 vimos os primeiros sintomas de recessão, em um período em que a Apple não entusiasmou como fez no passado, e o iPhone 6s não foi tão bem na China. As vendas caíram em 22% em 2016 (44,9 milhões de unidades), criando um contraste claro em relação à Oppo, que cresceu no mesmo período 109% (35 milhões), alcançando a marca de 78,4 milhões de dispositivos distribuídos.

Os primeiros resultados trimestrais do mercado chinês em 2017 ratificam que o amor do país pela Apple está em crise. As vendas caíram a ponto de deixar a empresa californiana na quinta posição do país, ficando atrás da Huawei (23 milhões), Oppo (21 milhões), Vivo (16 milhões) e Xiaomi (15 milhões).

O caminho da Apple é mais tortuoso do que nunca, e luta para não sair de um Top 5 em vendas na China que acumula 75% das vendas do país. Algo difícil em um momento em que os fabricantes locais aumentaram sua presença, com maior distribuição em lojas físicas dos seus dispositivos, além de lançar smartphones com especificações cada vez melhores e preços muito mais competitivos.

Mas dinheiro nunca foi o problema na hora de comprar um iPhone na China. Mas… por que agora seria?

Na realidade, agora também não é.

 

 

Um dos pontos sobre essa mudança repentina de comportamento é que nem o iPhone 6s, nem o iPhone 7 chamaram a atenção dos chineses pela ausência de mudanças estéticas dos dispositivos mais recentes.

Fora da China, isso não é tão relevante, ainda mais em um mercado polarizado entre Android e iOS. Nesse caso, muita gente quer apenas o dispositivo mais novo, mas também em função do sistema operacional que ele executa.

Porém, na China, o que é determinante mesmo é se o aplicativo WeChat roda no dispositivo, independente do sistema operacional.

Pese a tudo isso, ainda há esperança para a Apple. Os últimos resultados financeiros mostram uma queda na China de 10% em relação ao mesmo período de 2016, e isso aconteceu mais em função das flutuações nas divisas. Tim Cook afirmou que estava animado com os resultados, que em alguns casos contavam com um leve crescimento.

Considerando a mudança estética como algo fundamental para incentivar a compra na China, talvez 2017 pode marcar uma recuperação de terreno perdido. O próximo iPhone deve oferecer mudanças marcantes nesse aspecto, o que pode recolocar o modelo no radar dos asiáticos.

Que o novo iPhone será diferente, não temos mais dúvidas disso: um modelo quase todo tela, com bordas reduzidas. Isso deve ser o suficiente para mudar a sua aparência, entregando as mudanças que muitos desejavam há muito tempo.

A hipótese que muitos dos compradores do iPhone 6 e 6 Plus estão esperando pelo novo modelo para renovar os seus smartphones é o que ilumina as previsões para o final do ano. Tais previsões estão nos recentes resultados financeiros da Apple, que revela um grande otimismo para os próximos meses, apontando para uma recepção muito positiva do novo iPhone.

Parece certo apostar que o ressurgir da Apple na China será com o iPhone 8. Ou não será. Só nos resta aguardar.