A Disney roubou os holofotes nessa semana com o anúncio do seu atraente serviço de streaming, o Disney+. E não é exagero dizer que algumas pessoas na Netflix estão em posição fetal, chorando no canto escuro, com muito medo do que está por vir.

Mais ou menos ao mesmo tempo, o CEO da Disney, Bob Iger, decidiu atrair os holofotes para ele mesmo, mas por um motivo completamente diferente: traçar o paralelo entre um monstro da humanidade e as redes sociais. Para ser mais específico, Iger compartilhou o seu pensamento sobre o que Hitler teria feito se tivesse acesso ao Facebook e outras redes sociais.

O executivo foi homenageado com um prêmio humanitário organizado pelo Simon Wiesenthal Center, organização formada a partir da iniciativa de familiares e sobreviventes do holocausta nazista (um movimento que qualquer pessoa inteligente desse mundo sabe que foi de extrema direita, apesar de alguns idiotas insistirem em associá-lo à esquerda).

Durante a sua intervenção, Iger compartilhou uma reflexão sobre o alcance que as redes sociais atuais, e relacionou isso com Hitler, a desinformação e o autoritarismo.

A seguir, as palavras de Bob Iger, CEO da Disney:

“Hitler teria amado as redes sociais. É a ferramenta de marketing mais poderosa que um extremista poderia esperar. Já que pela natureza do seu design, as redes sociais refletem uma visão de mundo mais curta.

Que filtra tudo o que desafia nossas crenças, ao mesmo tempo que valida nossas convicções e amplifica nossos temores mais profundos. Cria um falso sentido de que todos compartilham da mesma opinião.

Os meios sociais permitem que o mal se aproveite das mentes em problemas e das almas perdidas; e todos sabemos que as notícias sociais podem conter mais ficção do que fatos, propagando ideologias vis que não tem lugar em uma sociedade civil que valoriza a vida humana.”

O mais desconcertante de tudo isso é que Iger tem um bata ponto. Vários estudos e casos comprovam em onde as redes sociais foram utilizadas como arma principal para manipular e garantir o controle do coletivo. Tal e como aconteceu nos Estados Unidos para que Donald Trump fosse eleito. E tal e como acontece nesse exato momento no Brasil, para a manutenção do discurso de viés ideológico (e atrasado, na minha opinião) de Jair Bolsonaro.

O executivo fechou a sua intervenção fazendo um pedido para a audiência: para que ela tome consciência e rechaçasse qualquer manifestação de ódio.

Olha, eu não tenho como concordar mais com Bob Iger. Já chegamos no limite do absurdo em ver pessoas ditas inteligentes defendendo que não foi golpe militar nem ditadura no Brasil, a defesa do uso das armas para a resolução dos problemas, a normalização da chacina de uma família negra por 10 soldados do exército (80 tiros… você já esqueceu?), com afirmações esdrúxulas como “não foi o Exército que matou aquele músico”, ou com um presidente que afirma, de forma imbecil, que “podemos perdoar o Holocausto, mas não esquecer”.

Não dá para perdoar o Holocausto. Muito menos perdoar declarações tão estúpidas.

E aí, bolsominions… vão boicotar a Disney e não vão aos cinemas para assistir Vingadores: Ultimato? Ou o boicote é seletivo e só vale quando convém?

 

Via Variety