Google

Quando foi anunciada a compra da Motorola pela Google em 2011, eu me empolguei com isso. Apesar de ser pego de surpresa pela notícia, achei aquela compra algo grande. Achei mesmo que a Motorola poderia voltar a ser gigante com um Android com pleno controle da gigante de Mountain View.

Até que veio o Henrique Martin e me disse: “eles só querem as patentes”, jogando água na minha Coca-Cola Zero (que é o que a diabetes me permite).

O tempo mostrou como Henrique Martin tinha razão. Mais: mostrou em como a Google errou feio em comprar toda a Motorola, algo que saiu caro com o passar dos anos.

Agora, a Google novamente faz um grande investimento, mas dessa vez parece ter um pouco de bom senso nisso. Adquiriu uma parte da HTC, ou aquilo que a interessava da empresa, por um valor ínfimo se comparado com outras aquisições da empresa (US$ 1.1 bilhão).

Parece que a Google aprendeu com os erros. Nessa negociação, “comprou” os 2 mil funcionários que já trabalhavam nos seus projetos dentro da HTC, e que passam a fazer parte da força laboral de Mountain View, mas trabalhando exclusivamente para os interesses dos fabricantes de smartphones Pixel.

Considerando esse detalhe – e apenas esse detalhe – podemos dizer sim que a Google aprendeu. Vai incorporar esses funcionários e a tecnologia dessa divisão nos seus próprios projetos de telefonia móvel. Afinal de contas, esses caras já sabem como fazer as coisas mais ou menos do jeito que a Google quer.

Agora, vão fazer as coisas EXATAMENTE do jeito que a Google quer.

 

 

A aquisição da licença não exclusiva da marca HTC mais beneficia os taiwaneses do que aos norte-americanos. A HTC recebe o prestígio da Google de forma indireta para os seus produtos, já que a sua empresa não vai deixar o mercado de telefonia.

No final das contas, o acordo parece que é bom para todo mundo. E parece que, dessa vez, a Google vai colocar os dois pés no mercado de telefonia móvel, e de forma séria, consciente responsável.

É a Google cada vez mais querendo ser Apple, no seu objetivo de ser “a cara do Android de verdade”.

Se vai dar certo? Eu não sei. Vou ali perguntar pro Henrique Martin.