Morreu o menino Google+. E, vamos combinar: quem é que vai sentir falta dele?

Resposta: ninguém.

Ou melhor, quase ninguém. Além do pessoal da Google, eu conheço apenas uma pessoa que usava regularmente aquela rede social, e eu desconfio que essa única viva alma alienígena também abandonou a plataforma antes do seu fim prematuro. A descoberta de mais uma brecha de segurança que comprometeu as contas de nada menos que 52.5 milhões de usuários (que só ficaram sabendo disso depois de um bom tempo, o que viola as regras do GDPR) foi o tiro de misericórdia na cabeça de uma rede social que jamais deveria ter existido.

A Google quis empurrar a fórceps o Google+ na vida de todos, quando tornou obrigatória a associação de uma conta na plataforma para a utilização de alguns dos seus serviços mais populares. Isso me incomodou profundamente, e pelo êxodo de usuários antes mesmo dessa morte anunciada, eu acredito que não fiquei irritado sozinho.

Já era difícil competir em um mundo onde Facebook e Twitter estavam consolidados. E com os aplicativos de comunicação instantânea cada vez mais interativos e com linguagem de rede social, fica ainda mais complicado para uma plataforma completamente nova conseguir algum espaço. Agora, some tudo isso ao Instagram (que evoluiu demais copiando o que o Snapchat trazia de melhor) e a própria Google que não soube trabalhar com a expansão do Google+, e pronto: temos um cenário consolidado de fracasso.

O problema dos vazamentos de informações se alinham diretamente ao que muitos estão pregando aos quatro ventos (e nem é uma novidade esse discurso): as redes sociais são inseguras para o usuário comum. E a diferença entre o Facebook e o Google+ nesse aspecto é nula. O que diferencia mesmo é o fato da rede de Mark Zuckerberg ser tão plural, que torna quase impossível que alguém a deixe sem ter aquela sensação de suicídio online.

Já o Google+? Nada acontecia. Feijoada.

Ninguém se importava com aquilo, e ninguém nunca se importou. Até poderia ser uma ideia bem pensada, mas não era melhor do que, por exemplo, o Google Wave, que foi encerrado pelo “pecado” de estar à frente do seu tempo. A maioria das pessoas simplesmente não foi capaz de entender o que o Google Wave tinha a oferecer. E a maioria simplesmente não se importou com o pouco que o Google+ oferecia.

É um fim melancólico por alguns aspectos, e pode ser até considerado um fiasco, se levarmos em consideração que estamos falando da Google e de todo o tamanho que ela possui. Mas jamais poderemos considerar essa como uma grande perda.

Para mim, o Google+ vai tarde.

E, se é para fazer desse jeito, eu prefiro seguir com a minha campanha: “Google, eu nunca pedi nada mas… volta Orkut!”