Errar é humano. O problema é quando a borracha gasta mais que o lápis. E erros com catástrofes naturais são ainda piores. Principalmente quando tentam promover produtos nas redes sociais às custas de catástrofes. É quando vemos que a dignidade é simplesmente soterrada.

É inacreditável ver que tem gente que tenta fazer publicidade com tragédia. Porém, infelizmente, isso é real, e precisa acabar. Uma coisa é errar. A outra coisa é jogar de forma muito baixa.

Os incêndios que aconteceram nessa semana na Califórnia resultaram na hashtag #malibufire no Instagram. A tragédia resultou em 84 mortos, um número altíssimo.

Tais hashtags são utilizadas para contactar com familiares em perigo, pedir ajuda e difundir as notícias com maior precisão. Porém, diversos influencers e empresas utilizaram a hashtag para fazer publicidade de seus produtos, de forma totalmente descarada.

Some a isso o uso de hashtags adicionais que não tem nada a ver com o incêndio, mas que contavam com a palavra ‘california’, para atrair as ferramentas de busca para essa postagem. O absurdo é usar todas as hashtags possíveis para aproveitar o volume de pessoas buscando por aquele tema.

Não é uma estratégia nova. Quem usa o Twitter e o Instagram usa as hashtags para atrair atenção e vender produtos e serviços. E em um sociedade de consumo como é a dos Estados Unidos, isso se torna uma triste realidade frequente.

 

 

Agora, não importa o tipo de sociedade. Se o um influencer ou uma empresa se vale dessa estratégia para atrair audiência e promover produtos, está é automaticamente a forma mais baixa de fazer isso. Sem falar nos influencers que, depois de usarem uma hashtag fora de contexto, acusa os próprios seguidores de propagar a polêmica nas redes sociais, o que é algo ainda menos ético.

É preciso algum mecanismo para evitar isso. As redes sociais são uma ótima forma de transmitir notícias rapidamente, e mesmo que alguém venha a deturpar esse tráfego de notícias no meio do caminho, ela ainda é vital para que o máximo de pessoas possível sejam ajudadas em casos de desastres.

Tudo bem, reconhecemos que existem pessoas e empresas cruéis, insensíveis e irresponsáveis. Jamais deveriam usar uma catástrofe para vender produtos e serviços. É uma simples questão ética.

Por outro lado, Twitter, Instagram e demais redes sociais precisam criar mecanismos para detectar o mau uso das hashtags, além de remover as mensagens indicadas e punir de forma severa aqueles que produziram as postagens.

O grande problema é controlar o fluxo de mensagens, algo que pode ser um trabalho imenso, resultando em falsos positivos que podem obstruir a informação.

Por último, tal medida bate de frente com a liberdade de expressão. O que torna a medida ainda mais polêmica (apesar de que particularmente eu entendo que todos tem o direito de se expressar, mas também respondem pelas consequências daquilo que fala ou escreve).