Há quem diga que sim, mas eu quero acreditar que não.

Ainda estamos descobrindo o que fazer com a inteligência artificial. Enquanto ela é adotada para criar efeitos de desfoque em fotos e identificar se estamos fotografando um prato de comida ou um gatinho, usos mais diversificados e inusitados são idealizados pelos mais diversos segmentos.

Um desses segmentos é o da arte. Sim, aquela arte que faz com que quadros sejam vendidos por preços milionários. Mesmo quando são quadros do Homero Brito (desculpa se você gosta, mas eu tenho o direito legal de achar as obras dele tudo, menos obras de arte).

Recentemente, um quadro produzido por um sistema de inteligência artificial foi vendido por US$ 432.500. É um feito bem interessante nos aspectos tecnológicos, pois mostra como está avançado o desenvolvimento técnico dos softwares.

Por outro lado, esse valor é uma verdadeira aberração, levando em conta que estamos falando de uma obra de arte que não foi criada por mãos humanas. Bom, quero dizer, não de forma direta por mãos humanas. Indiretamente, já que toda a tecnologia nesse caso foi desenvolvida por humanos.

É de se imaginar que os US$ 400 mil arrecadados em leilão ajudaram a pagar todo o investimento feito nessa tecnologia para alcançar os resultados entregues. Nem quero falar sobre a qualidade do resultado final, uma vez que até acho o quadro bonito, a partir da minha perspectiva humana.

Mas entendo que este valor só se justifica pelo pioneirismo da proposta. Apenas para o comprador afirmar que foi o primeiro a comprar um quadro produzido por uma inteligência artificial. Fora isso, jamais vou entender por que uma obra produzida pela tecnologia vai custar mais do que algo realizado por um ser humano.

Eu não sou contra o uso da tecnologia. Acho que ela existe para melhorar a vida como um todo. Mas entendo também que uma máquina ou uma tecnologia de inteligência artificial, por mais bem ajustada que ela seja, não vai conseguir entregar todos os sentimentos presentes no coração de um artista.

E não falo só no caso dos quadros. Na música, onde esses experimentos estão bem avançados (com IAs realizando composições completas e executando músicas com precisão absurda), não consigo imaginar que qualquer tecnologia será capaz de reproduzir o estado d’alma do ser humano. Pelo menos na minha perspectiva, não.

Mas… não vou ser cético. Vou seguir acompanhando essas evoluções com atenção. E, de forma pontual, comentar o que é válido ou não dentro dessas propostas.

Mas jamais vou pagar US$ 400 mil por um quadro assinado por uma IA.

Até porque eu não tenho US$ 400 mil! E gastaria esse dinheiro em outra coisa se eu tivesse.