Press "Enter" to skip to content
Início » Cinema e TV » Pobres Criaturas (2023) | Cinema em Review

Pobres Criaturas (2023) | Cinema em Review

Compartilhe

“Pobres Criaturas” é aquele filme que eu chamo de “necessário”. Ele existe para incomodar, questionar e despertar reflexões em todos. Homens e mulheres. Os mais despreparados podem sucumbir diante dessa louca e muito interessante experiência.

O filme de Yórgos Lánthimos é merecidamente indicado ao Oscar 2024 de Melhor Filme, e suas indicações de atuação para Emma Stone e Mark Ruffalo são mais do que justificadas ao longo de mais de duas horas de filme.

E confesso que fui assistir ao filme esperando um drama denso e intenso. E encontrei isso no filme. Mas fui surpreendido com várias tiradas de um humor sarcástico e desconcertante, o que ajudou a deixar a experiência cinematográfica ainda mais dinâmica.

 

Uma analogia reflexiva

A ideia de inverter a história de Frankenstein ao reviver uma mulher que recebe o cérebro da própria filha que carregava em seu ventre é envolvida em um surrealismo estético e conceitual que funciona muito bem com essa proposta.

Mas até mesmo o bizarro da história não faz com que o foco principal da narrativa se perca: do começo ao fim, o filme levanta os necessários questionamentos e reflexões sobre o papel da mulher na sociedade, e a necessidade absurda do homem em ter o controle do sexo oposto, em todos os aspectos.

Existe pelo menos uma clássica questão Freudiana em “Pobres Criaturas”, que já foi abordado em vários outros filmes com temática similar. Porém, neste caso, fica tão evidente para o espectador, que nem mesmo os mais conservadores conseguem se esconder dele.

É um filme que trabalha a evolução da personagem central em busca de sua liberdade plena, em todos os sentidos. E nessa jornada, desafiar o lugar comum e os padrões impostos pela sociedade se tornam lemas vitais para que Bella alcançasse o que procurava e merecia.

Aprender com o mundo ao seu redor no corpo de uma adulta cria uma dinâmica singular e especial para essa jornada. E é quase impossível não despertar empatia pela protagonista.

E, de certo modo, dá também para se divertir com o desespero do antagonista (interpretado por Mark Ruffalo), que não sabe o que fazer quando se dá conta de que Bella está evoluindo, avançando em um caminho sem volta.

“Pobres Criaturas” é um filme exigente. Faz você pensar o tempo todo, despertando reflexões sobre nossas condutas e atitudes. Ele incomoda, mas faz um bem danado.

 

Vale o ingresso?

Eu não sei como você ainda está sentado no sofá ou na cadeira do escritório lendo este artigo. Vá ao cinema mais próximo e veja “Pobres Criaturas” para ontem.

É mais um filme que testa o caráter e a personalidade masculina, da mesma forma que “Barbie” fez, mas em uma proposta mais madura e disruptiva. Se o seu namorado, marido, amante, companheiro, filho, neto, enteado ou qualquer homem que assistir ao filme com você sobreviver à essa experiência, é sinal de que ele está a salvo do sistema patriarcal, e que a humanidade ainda tem um fio de esperança.

“Pobres Criaturas” é um dos melhores filmes do ano, e com méritos. Não é um absurdo pensar que é a maior ameaça ao Oscar de Melhor Filme (quase) certo de “Oppenheimer”.

Se vencer o prêmio maior em 10 de março, será merecido.


Compartilhe
@oEduardoMoreira