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Eu não consigo acreditar que isso aconteceu.

Na era onde a fake news está na moda, eu estou torcendo para que essa seja a grande fake news em 2019, mesmo que esse ano maldito ainda esteja em fevereiro. Aliás, para você, imbecil beócio que ficou gritando nos últimos meses que nós, jornalistas, ficamos divulgando fake news sobre as notícias que envolviam o seu político corrupto de estimação, saiba você que o jornalismo brasileiro sério ficou mais órfão.

A morte de Ricardo Boechat, dessa forma, tem que ser uma grande fake news. Tem que ser uma piada sem graça, uma calúnia ao bom senso, um atentado violento ao pudor da informação.

Nós, como povo, estamos mais pobres. Para nós, jornalistas, estamos órfãos. Sem rumo, sem referência.

Estamos falando de um dos mais importantes jornalistas da história do Brasil. Uma pessoa comprometida com a informação, completamente apaixonado por esse ofício de ser testemunha ocular da história e narrador dessa história com ênfase nos detalhes de cada capítulo relevante.

Não mais poder ouvir o Boechat tem o mesmo efeito emocional de calar uma classe inteira de profissionais. Se estavam querendo desmoralizar o jornalista brasileiro, saiba que a morte de um profissional como esse é algo muito pior. Era como se o destino realmente direcionasse para dias sombrios na informação brasileira.

Eu estou arrasado. De verdade. Porque Ricardo Boechat é tipo de profissional que a gente quer ser, em que nos espelhamos para narrar os fatos. É um desmoronar onde não apenas acaba o chão, mas o vazio se torna quase infinito, e a gente leva um bom tempo para sentir o impacto.

Como é que vai ser agora?

Como vamos contar a nossa história sem Ricardo Boechat?

Ninguém terá a visão crítica dele. Ninguém terá o discurso enfático dele.

Desapareceu uma grande referência de credibilidade do jornalismo brasileiro. E a impressão que dá é que, daqui para frente, só vai ser relevante quem divulgar as famigeradas fake news.

Luto é pouco. Eu me sinto um derrotado nesse momento.


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