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A chegada do YouTube Music Key, plataforma musical do site de vídeos do Google, é apenas mais um indício claro de que existem duas tendências naturais no consumo de conteúdo musical da geração conectada. A primeira tendência é que tudo será consumido por streaming, e as bibliotecas musicais tendem a ser na nuvem para muita gente. A segunda tendência é que as pessoas estão dispostas a pagar por isso.

Vou concentrar esse post na segunda tendência. Com serviços como Rdio, Spotify e derivados, os usuários/fãs de música estão retomando o gosto por pagar para ouvir música. Essa é uma clara evolução da proposta lançada pela Apple com o iTunes há dez anos, que nada mais era do que pagar um preço justo pela faixa que você quiser, ou um valor pelo álbum completo que não esfolasse o usuário na hora de passar pelo caixa.

Esse primeiro movimento era considerada a ruína das gravadoras, que até então ditavam as regras do jogo, oferecendo preços ridículos por CDs com apenas 10 faixas (onde 7 delas ninguém se importava). Acredite, a Apple fez um grande favor para todo mundo: hoje, é possível comprar aquela música que está fazendo sucesso, sem precisar comprar o álbum todo, e com preços muito competitivos.

Esse segundo movimento, liderado de forma brilhante pelo Spotify, pode ser chamado de ‘faca de dois legumes’ (a luz anal dos vaga-lumes… desculpa, gente, lembrei dessa…).

Por um lado, oferece um formato mais sofisticado, completo e vantajoso para que qualquer pessoa possa ouvir suas músicas preferidas em diferentes dispositivos. Você não fica preso ao iPod ou iPhone, e por personalizar as bibliotecas de acordo com o seu gosto, as chances de você ouvir exatamente aquilo que você quer são enormes.

Por outro lado, para muitos ‘figurões’ do mundo da música, serviços como o Spotify pagam menos ainda do que o iTunes paga, já que uma biblioteca de milhões de músicas fica disponível para qualquer pessoa por um valor mensal muito baixo. Como essa fatia do bolo é dividida? Como um artista ou gravadora vai ganhar mais que outra? Seria por conta do número de reproduções?

De qualquer forma, o que realmente importa é que, ao que tudo indica, esse é um modelo de negócio bem viável, e que muita gente já parece abraçar a ideia. Mais e mais pessoas estão assinando serviços de música por streaming para ouvir suas canções favoritas. E não vejo muitas pessoas reclamando da mensalidade paga.

Até porque você só vai pagar se você quiser: sempre existe a opção de uso gratuito desses serviços, para aqueles que não se incomodam em ouvir propagandas entre uma música e outra.

No caso do YouTube Music Key, não só o conteúdo dos videoclipes do canal de vídeos, mas a biblioteca de músicas do Google está disponível para o assinante, com o pagamento de uma única assinatura. São mais de 30 milhões de músicas, sem falar nos videoclipes. Ou seja, os fãs de música vão se esbaldar com esse serviço.

Aqui, entra a lógica: não faz muito sentido pagar dois CDs ou álbuns virtuais por mês, sendo que com esse mesmo dinheiro eu posso ter uma biblioteca musical muito vasta, onde posso reproduzir essas músicas nos principais dispositivos que utilizo diariamente. Entra a praticidade do serviço, mas também a relação custo/benefício, que é muito melhor.

O exemplo deixado pela Netflix é pontual. Conheço muitas pessoas que abandonaram a TV por assinatura, que pararam de comprar DVDs para ver filmes casualmente, e que aproveitam intensamente as possibilidades do serviço de streaming.

No caso dos serviços musicais por streaming, posso afirmar que algo semelhante já está acontecendo.