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Primeiras Impressões | Kevin Can Wait (CBS, 2016)

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Podia ser o sequel de The King of Queens sem maiores problemas.

Kevin James sendo Kevin James. E todo mundo gosta disso. Dito isso, Kevin Can Wait estreou na CBS nove anos depois de The King of Queens, também exibida no canal, trazendo de volta a boa vibe do pai de família bonachão que precisa segurar as barras da família inteira.

Uma sitcom clássica, com formato simples e direto, bem do jeito que a CBS sabe fazer.

 

O arroz com feijão bem feito

 

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Kevin Can Wait não tem nada de muito espetacular. É a sitcom “arroz com feijão” bem feito, algo que a CBS se tornou especialista.

Kevin James faz o policial gordo e recém aposentado, que imaginava que iria aproveitar a vida de forma tranquila e descolada. Mal sabia ele que agora sua vida ia dar uma volta turca.

Não bastando o fato que ele terá que resolver as pequenas coisas de sua casa (algo que todo marido deve encarar), tem que cuidar dos filhos que ainda estão crescendo, e da barra de vida da filha mais velha que decide largar a faculdade para ficar noiva do nerd que sonha em ficar rico com um aplicativo de smartphone.

Agora, Kevin vai ter que adiar parte dos seus planos para voltar a trabalhar para alimentar duas bocas a mais em casa. Por prazer ou por necessidade, o fará. Porque ser pai é isso (e inventar o kart-paintball).

História engraçadinha

 

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Kevin Can Wait diverte de forma simples e direta. Sua narrativa é de fácil identificação, e o tema dos filhos voltarem para casa após deixar a faculdade é atual e recorrente na sociedade norte-americana.

Além disso, vale a pena repetir que as pessoas gostam do Kevin James. Na TV e no cinema. Lembro sempre que The King of Queens durou quase o mesmo número de temporadas da sua série de origem, Everybody Loves Raymond.

E Kevin James funciona muito bem nesse tipo de papel. Ele organicamente consegue fazer o pai que muita gente gostaria de ter.

No caso em especial de Kevin Can Wait, tudo funciona como deve ser. O elenco é bom, o texto funciona de forma simples, com piadas atuais e que tiram o riso com certa facilidade.

Obviamente, não dá  para esperar algo revolucionário aqui. E nem falo pelo formato de sitcom clássica (até porque o revival de Will & Grace mostra que até nesse tipo de comédia é possível escrever textos vanguardistas).

Mas pela própria natureza da proposta, a série não ousa tanto. Parte mais para o humor mais simples e da situação em si do que pelo inusitado da mesma.

 

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Enfim, Kevin Can Wait não deve ter muitas dificuldades em ser renovada na CBS. Só se o canal for muito exigente com a comédia. Além do que as demais comédias do canal.

Para quem gosta do gênero, pode ser terreno seguro para a nova temporada.

Primeiras Impressões | Son of Zorn (Fox, 2016)

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Bela tentativa de ser criativo, mas…

Son of Zorn combina animação e live action de forma semi-tosca, com o objetivo de fazer uma comédia de situação pura e simples. E não posso reclamar pela tentativa. Afinal de contas, na temporada de reboots, remakes e adaptações, essa é uma das poucas histórias e formatos minimamente originais da temporada.

Porém, é um dos argumentos pelos quais os canais estão investindo em reboots, remakes e adaptações.

 

Volta, Will & Grace! (só usei esse cabeçalho para isso, ele não está relacionado ao texto)

 

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Son of Zorn conta a história da relação entre Alan, o adolescente vegano nerd/almofadinha e seu pai, Zorn (voz de Jason Sudeikis), herói de um desenho animado.

A surrealidade não se limita à combinação de dois mundos. Também está no fato que Zorn decide deixar as batalhas na ilha de Zephyria que ele defende para voltar para Orange County para se reconectar com o filho e com a ex-esposa Edie (Cheryl Hines).

Na volta, descobre que Edie decidiu seguir em frente com a vida. Está noiva de Craig (Tim Meadows), algo que obviamente não agrada Zorn.

Mas na sua tentativa de recuperar sua vida e obter o respeito do filho, o nosso herói decide arrumar um emprego, usar roupa de gente normal e mostrar que pode ser um pai mais presente para seu filho.

Mal sabe ele que sua conexão com o moleque vai se tornar algo muito mais próximo… em vários aspectos.

 

A metáfora do “pai herói” em Son of Zorn

 

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Tá bom. Eu saquei qual é a de Son of Zorn. Sei que a série quer fazer uma brincadeira com a metáfora do “meu pai é meu herói, ele é o máximo, ele tem super poderes”, e em algum momento alguém disse “ok, vamos ver como seria se ele fosse literalmente um herói”.

O problema é que mesmo sendo um herói, Zorn se comporta como um típico cidadão divorciado. Meio largado, inconsequente e beirando à burrice mesmo.

E talvez por isso a série me causou um pouco de irritação. As piadas são meio óbvias em boa parte o tempo, e quando você começa a dar risada do fato de um desenho animado tentar matar um pássaro gigante também feito de desenho animado na base da porrada, é sinal que a coisa fica bem complicada.

A combinação da animação com o live action não é algo orgânico. É meio tosco mesmo, e talvez a ideia fosse essa. Mas o que quero dizer e que, na prática, as atuações ficam engessadas, e a série perde ritmo com isso.

Com tudo isso, não achei Son of Zorn algo detestável. Só achei fraca. Uma tentativa infeliz de fazer algo mais original em uma temporada marcada pelo mais do mesmo.

E digo até que “infelizmente” é uma série fraca. Pois precisamos de comédias de boa qualidade.

Primeiras Impressões | Lethal Weapon (Fox, 2016)

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Podia ser pior. De verdade.

Antes de ver o piloto de Lethal Weapon, li muitas críticas sobre o episódio, dizendo que o mesmo caiu no óbvio. Mas era o óbvio que eu esperava do remake de Máquina Mortífera.

Até porque não tinha muito para onde correr. A série é o que o filme era.

E insisto: poderia ser pior.

 

Nada de novo

 

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O piloto de Lethal Weapon basicamente faz uma repaginação do filme que deu origem à franquia, condensando tudo em 46 minutos.

Está tudo lá. Um Martin Riggs emocionalmente destruído, com potencial suicida lá em cima, mas ao mesmo tempo canastra e bem humorado. Um Robert Murtaugh que é bom pai, bom marido, bom policial, nem tão certinho e todo cuidadoso com a saúde, pois não pode passar por estresse.

A combinação de personalidades tão diferentes vai ser explosiva sob vários aspectos. Um vai completar o outro nos seus estilos de vida, e isso vai contribuir para que os dois solucionem os casos mais inusitados e perigosos.

É claro que a consequência direta para os dois é a vida em risco, ou situações limite como constante. Mas… é exatamente isso que esperamos de uma série chamada Máquina Mortífera, não é mesmo?

 

Não esperava algo além disso

 

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Lethal Weapon não decepciona. Você pode achar o piloto fraco, e eu concordo. Mas é um plot limitado, que não tem muito para onde correr ou se desenvolver.

A boa notícia é que a produção é boa, pelo menos. Diferente de Rush Hour (CBS), que tinha cara de filme dos anos 80, o remake de Máquina Mortífera só parece um filme dos anos 2000, o que choca bem menos.

Nesse aspecto, o piloto é bem feito e tem boas cenas de ação, apesar de algumas coisas tecnicamente bem forçadas (carro capotando por causa de um impacto com uma barreira de latões de plástico cheios de água). Mas não dá para ser algo crível o tempo todo.

O grande problema da série nesse primeiro momento é o seu elenco, ao meu ver.

A dupla de protagonistas, apesar de ter química juntos, tem uma química às avessas, onde os dois ficam meio forçados nos seus respectivos papéis.

Quem me convence que Michael Kyle é um marido sério, um policial responsável e pai de família exemplar?

Talvez por isso eu não siga em frente com Lethal Weapon. Vamos esperar para ver como a audiência norte-americana vê esse remake. Começou com forte audiência (algo que era esperado), mas tem um futuro incerto se não se atentar para os detalhes.

Não precisa muito. Se conseguir divertir a audiência da Fox já será o suficiente.

O duro e detectar o que a audiência da Fox realmente quer. Eles são tão complicados de entender…

Primeiras Impressões | Designated Survivor (ABC, 2016)

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Não… não é o Jack Bauer na presidência dos Estados Unidos. E esta é uma ótima notícia, acredite!

O piloto de Designated Survivor era um dos mais esperados para essa fall season, e posso dizer que ele não decepciona. Um roteiro que torna tudo muito crível, um bom elenco, e um episódio com ritmo que deixa o desejo de ver o que vai acontecer na sequência.

E, é claro, Maggie Q fazendo mais uma agente do governo norte-americano. Mas isso é outra história.

 

Se você esperava ver Jack Bauer, pode esquecer…

 

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A melhor notícia que eu poderia receber de Designated Survivor é que não teríamos um Jack Bauer na presidência dos Estados Unidos.

Kiefer Sutherland finalmente entendeu que ele precisava interpretar outra pessoa dessa vez (se esqueceu disso em Touch), e dá ao seu personagem o tom crível que queremos: um Secretário da Habitação, um cara comum, com esposa e dois filhos, discreto e, obviamente, despreparado para assumir o posto de homem mais poderoso do planeta.

O ploto da série ajuda: pense no pior cenário possível, que é quando o presidente dos Estados Unidos, o vice-presidente e todo mundo do congresso morre em um ataque ao Capitólio. Quem assume? O Designado Sobrevivente.

A partir daí, vemos como esse sobrevivente se ferra de azul e vermelho, tendo que enfrentar a resistência dos militares (que, mais uma vez, se acham os donos da bola), a pressão da imprensa, a falta de confiança do time de funcionários do primeiro escalão e, para completar, a possibilidade dos ataques terroristas continuarem.

Sem falar que esta pode ser uma ameaça interna. Alguém disposto a derrubar o governo por não concordar com sua forma de fazer política.

Para muitos, seria o mundo perfeito

 

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Há várias coisas muito interessantes no piloto de Designated Survivor.

Uma delas são duas referências à 24 Horas bem sacanas: o personagem de Kiefer, com menos de 10 minutos de piloto, já acorda ao lado da esposa, e já consegue dar uns pegas nela. Desculpe o termo usado, mas as duas coisas Jack Bauer pouco fez na série, e uma delas, quando fez, a mulher morreu logo em seguida.

Deixando as piadinhas de lado, o piloto e bem feito, bem produzido e de fácil compreensão por qualquer pessoa. É um drama político envolvente, tanto na sua estrutura narrativa como no seu ritmo.

Os personagens e suas aspirações são facilmente identificáveis, e a empatia ou antipatia com alguns deles é algo imediato. E isso ajuda a acompanhar a trama de forma mais imersiva.

Você rapidamente entende que o novo presidente é um bom homem, e que está perdido com tanta gente psicologicamente mais forte. E é esse contraste que vai tornar a série mais interessante diante de todos.

No final das contas, entendo que o piloto de Designated Survivor não decepciona. A aposta da ABC pelo visto se pagou, e se não cometer grandes barrigadas de roteiro, deve garantir uma renovação segura.

É claro que eu fico me perguntando como Nikita consegue sair e entrar de tantos empregos dentro do governo norte-americano… não seria melhor manter a personagem ad eternum?

Enfim, quem sou eu pra questionar isso, não é mesmo?

Ah, e antes que eu me esqueça… muita gente por aí concorda com a forma de pensar ilustrada pelo Secretário de Defesa do piloto.

Porém, lá foi por nomeação, e aqui, o vice era da mesma chapa da presidente.

E, nos dois casos, só seguiram as regras do jogo. Entenderam? 😉

E Aí… Comeu? – A Série (Multishow, 2016) | Série em Review (Primeiras Impressões)

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E Aí... comeu?

Eu podia perfeitamente ter esperado mais tempo para escrever sobre E Aí… Comeu?. Mas precisava cumprir com meu compromisso cívico com vocês.

A tentativa de fazer comédia com a visão masculina e bem humorada da crise de meia idade na perspectiva de três homens com vidas diferentes não diz a que veio.

Assim como o filme, que na época achei bem mais ou menos.

 

Eu não como!

E Aí… Comeu? é baseada no texto da peça de Marcelo Rubens Paiva, e mostra as histórias de vidas amorosas de três homens de meia idade, que vivem fases diferentes de suas vidas.

Temos aqui o solteiro (Bruno Mazzeo), o casado (Marcos Palmeira) e o recém divorciado (Emilio Orciollo Netto). São amigos, cada um personalidades e experiências de vida diferentes, mas que acabam se entendendo sempre.

Compartilham suas vivências com as mulheres e, de tempos em tempos, suas conversas sempre caem na mesma pergunta…

E Aí… Comeu?

Pode parecer meio besta (de fato, é um pouco). Mas é o elo de ligação dos três.

A ponto de um deles (o recém divorciado) sugerir aos outros dois a inauguração de um hostel… para pegar mulher!

Não é tão do nada quanto parece, mas é desse jeito que eu estou te contando.

 

E continuo não comendo!

 

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E Aí… Comeu? segue a estrutura básica já vista no filme. Tem os mesmos personagens centrais, logo, é mais do que esperado que essa narrativa se mantivesse.

Tudo gira em torno dos três, o que acaba sendo um pouco cansativo ao longo da série. As situações propostas são inusitadas, mas não são necessariamente engraçadas.

Tal e como acontece no filme.

A tendência é que você identifique as ironias propostas pelo roteiro final de Bruno Mazzeo, mas não é algo que você efetivamente se apega logo de cara.

A série tem um tom mais adulto do que as demais comédias do Multishow, e algumas pessoas poderão achar que o texto tem um tom machista.

Mas acho isso um exagero que não tem muita razão de ser.

Podemos simplesmente resumir que E Aí… Comeu? é fraca, e tem que melhorar um bocado para vingar. E nada mais.

Primeiras Impressões | BrainDead (CBS, 2016)

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A série poderia acontecer em Brasília, sem maiores problemas.

Robert e Michelle King, criadores de The Good Wife, apresentam BrainDead, drama (quase dramédia) com toque de terror/ficção da CBS para a summer season, onde mostra a história de políticos que são infectados por insetos que chegam do espaço, através de um meteorito que caiu na Rússia. Ou como também gosto de tratar como “a teoria mais aceita para que Donald Trump fale tanta m*rda durante a campanha para presidência dos Estados Unidos”.

Antes de mais nada, não devemos levar a sério os acontecimentos da série e sua linha narrativa, que tropeça na galhofa e no absurdo o tempo todo. Porém, a série é menos bizarra do que eu imaginava, e eu ainda não sei se isso é uma coisa boa ou ruim. Talvez eu descubra até o final desse post.

 

Do que se trata?

“Pilot” – on BRAINBEAD,Tuesday, March 22 (10:00-11:00 PM, ET/PT) on the CBS Television Network. Photo: Jeff Neumann/CBS ©2016 CBS Broadcasting, Inc. All Rights Reserved

BrainDead se centra inicialmente em Laurel Healy, uma documentarista frustrada, que acaba aceitando ser assistente do seu pai em Washington, D.C., para conseguir os US$ 200 mil que precisa para concluir o projeto cinematográfico de sua vida. Por sua vez, ela é obrigada a trabalhar para o seu irmão, o senador sênior democrata Luke Healy, um cara que aparentemente não quer nada com nada. Até aí, nada de anormal.

Enquanto isso, um meteoro (ou meteorito, porque se fosse um meteoro já teriam chamado o Bruce Willis) cai na Rússia. Como os russos não contam com recursos para lidar com esse problema vindo do espaço, o corpo celeste é mandado para os Estados Unidos. E como esse pequeno artefato precisa ser mantido em segredo, ele é transportado em um simples navio comercial, desprovido de qualquer tipo de segurança reforçada para evitar que materiais que nem conhecemos entrem em contato com seres humanos.

Esses “pequenos deslizes” são necessários. Sem isso, não temos série, não é mesmo?

O que ninguém sabe é que o meteorito é uma espécie de “cavalo de Troia alienígena”, abrigando uma imensa colônia de formigas alienígenas que conseguem escapar e infectar todo mundo que vê pela frente. A esposa do engenheiro que estudava o corpo celeste avisa Laurel que algo está estranho com o seu marido (como, por exemplo, parar de beber… algo anormal para uma pessoa adulta que bebe pacas). Laurel descobre que seu irmão Luke está envolvido na migração do meteorito para a América.

Nesse meio tempo, o congresso reduz o orçamento do governo antes do meteorito se tornar oficialmente uma propriedade do próprio governo dos Estados Unidos. Para evitar que isso aconteça, Laurel arma um encontro entre Luke e o rival, o senador republicano Red Wheatus, e um acordo acontece. Porém, Red é infectado, e obviamente muda de ideia, persuadindo outros senadores a seguirem sua posição.

Então, Laurel decide investigar o que está causando esse comportamento estranho dos políticos e de seus assessores. E tudo isso ao som de The Cars, uma banda da década de 1980 que só ficou conhecida por roubar de Michael Jackson o prêmio de melhor videoclipe do ano no primeiro MTV VIideo Music Awards da história.

 

Vale a pena?

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Como disse, BrainDead não é para ser levada a sério. É quase um plot no estilo “Marte Ataca”, se a gente parar para pensar de forma mais fria. Mesmo assim, se pegarmos por uma perspectiva mais metafórica, a série faz uma grande crítica ao cenário político atual dos Estados Unidos, onde temos candidatos do nível de Donald Trump, que fala um arsenal de bobagens que só seriam explicados se o topetudo tivesse sido possuído por alienígenas.

Aliás, uma das cenas que deixa isso bem claro é quando Red Wheatus (Tony Shalhoub) retira o seu cérebro pela orelha, se tornando um “cabeça oca”. Na verdade, não um cabeça oca: as formigas alienígenas controlam o cara. Mas o seu cérebro não mais comanda seus raciocínios. E muitos políticos daqui e de lá se tornaram isso: um bando de acéfalos.

Por conta disso, BrainDead chega em um momento certo para a grade de programação. As eleições presidenciais nos Estados Unidos acontecem em novembro, e muitos entendem que nem Hillary Clinton e muito menos Donald Trump são as escolhas ideais para governarem o país. Mas que os norte-americanos serão obrigados a escolherem entre um e outro. Pensando nisso, a série é bem sacada e chega à grade da CBS com um timing perfeito.

É inegável que eles vão apostar no bizarro para conquistar seu público. Diferente de The Good Wife que era 100% séria, BrainDead pode ir para a galhofa com muita facilidade. Mas é uma galhofa consistente. Pode não agradar aos fãs da série da boa esposa, mas ao menos mostra um pouco de versatilidade da dupla King.

 

Recomendada?

De certo modo, sim. Que mal há em ver esse piloto? Não acho que serão 43 minutos absolutamente perdidos. Você pode não comprar a ideia, o que é algo absolutamente compreensível. Por outro lado, se você entender que essa é uma série do Syfy dentro da CBS, já está com meio caminho andado para se divertir.

 

Primeiras Impressões | Feed the Beast (AMC, 2016)

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A summer season começou (apesar de estar passando um frio absurdo no Paraná).

A AMC apresenta nesse início de temporada no verão norte-americano um dos seus dramas mais “acessíveis” dos últimos tempos. Feed the Beast tem um tema adulto, mas um pano de fundo que está na moda: a gastronomia. Além disso, aproveita bem as tragédias pessoais dos seus protagonistas para contar uma história de recomeço, de reconstrução de vidas. Mas nem sempre escolhendo o caminho mais ético.

Tommy Moran (David Schwimmer) e Dion Patras (Jim Sturgess) são duas pessoas problemáticas, que precisam lidar com suas tragédias pessoais e seguir em frente com suas vidas.

Dion é um cara instável: mal saiu da cadeia, e não consegue ficar longe de problemas. Aliás, ele só saiu da cadeia por bom comportamento, e porque seu ofício de chef de cozinha ajudou a reduzir a pena. Já Tommy é um enólogo que perdeu a esposa de forma precoce, e não consegue superar essa perda. Precisa se manter firme para poder cuidar do filho pequeno, mas a ausência de sua esposa (e o alcoolismo) não ajudam muito.

Os dois se reencontram depois de anos, após Dion sair da cadeia. Depois de discutirem o passado e o presente, eles decidem abrir de forma insana um novo restaurante em Nova York, oferecendo culinária de boa qualidade com um toque mais popular. Mas… como conseguir o dinheiro, sendo que os dois estão quebrados?

Como eles são mais espertos que as meninas de 2 Broke Girls, eles decidem ir pela via mais perigosa de todas: o mundo da criminalidade, corrupção policial, tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. Eles atuarão como intermediários para essas atividades criminais e, dessa forma, vão levantar o capital para iniciar o empreendimento de suas vidas.

Porém, essa decisão cobra um preço alto: as pessoas que Tommy e Dion procuram vão envolvê-los em situações limite, exigindo dos dois um comprometimento que vai além das funções culinárias. Sem falar que o futuro restaurante tem todo o potencial para servir de cenário principal para as transações criminosas dos envolvidos.

 

Vale a pena conferir?

Feed the Beast tem um plot bem interessante, e todo o potencial para se tornar a nova série queridinha do AMC. Os protagonistas são interessantes, seus dramas pessoais são próximos daquilo que chamo de “palpável” (o reino de Westeros não é acessível para todo mundo), e suas motivações para a criação do restaurante são factíveis e até criativas sob determinados aspectos.

O piloto não te cansa, passa bem rápido, os diálogos são muito bons, o texto é bem construído… enfim, é uma série onde entrega tudo certo, na medida certa. Sem falar que Jim Sturgess e David Schwimmer se mostram ótimos atores ao longo do episódio piloto. Os dois tem todo o potencial para oferecerem à trama o nível de credibilidade que a história pede.

Pode ser um pouco cedo para dizer, mas acho que vale a pena dar uma chance para Feed the Beast. Apenas pela trama criada logo de cara, onde temos tudo para ver conflitos para todos os gostos, podemos esperar uma série com uma trama um pouco mais elaborada. Entendo que os roteiristas vão precisar de criatividade para encontrar esses conflitos e suas eventuais soluções. Mas pelo menos as primeiras impressões deixadas são animadoras.