Se você tem uma conta secreta em alguma rede social, saiba que você não está sozinho. Famosos e anônimos contam com contas secundárias, e esta é uma prática cada vez mais popular entre os internautas.

Os motivos variam: desde a vergonha para falar sobre certos temas sem que os conhecidos saibam, o medo sobre expressar pensamentos pessoais, ideologias ou hobbies não relacionados à atividade profissional (e em como isso vai influenciar sobre a opinião que as demais pessoas tem sobre você) e até o interesse em bisbilhotar a vida alheia sem ser identificado.

Vários exemplos mediáticos desse fenômeno podem ser citados. Por exemplo, James Comey, ex-diretor do FBI, reconheceu em conferência sobre inteligência e segurança nacional que tinha contas secretas no Twitter e Instagram apenas para familiares e amigos próximos.

A cantora Adele também afirmou ter uma conta secundária no Twitter, porque seus representantes legais não permitiam que ela publicasse em seu próprio perfil sem supervisão (pois ela poderia dizer coisas inapropriadas na rede social enquanto estava bêbada).

O ator Jim Parsons, o Sheldon Cooper da série The Big Bang Theory, tem uma segunda conta com um pseudônimo para ‘ler sobre esportes e política, e para falar com esportistas famosos sem que saibam quem é ele’.

Mas o assunto não se limita aos famosos. Os meros mortais estão alimentando essa particular forma de compartilhamento da vida privada. De novo, os motivos são diversos, mas no final das contas, a prática pode resultar no fim do direito de sermos nós mesmos.

Nos passamos por outras pessoas para expressar a nossa personalidade de forma anônima, com o objetivo de preservar nossa imagem pública e não chocar as pessoas porque nós pensamos e nos expressamos dessa maneira.

É um paradoxo social relativamente complexo, e que merece uma certa reflexão. O que vale mais: a nossa imagem pública, ou a nossa liberdade de ação e expressão?

Sei que todos nós temos responsabilidades sobre a nossa imagem, mas se passar por terceiros para isso pode representar uma prisão. A hipocrisia de ações. A falta de transparência e coragem para assumir posicionamentos.

A linha tênue entre garantia de privacidade, proteção da própria imagem e covardia/hipocrisia pode simplesmente desaparecer em uma simples mensagem. Mais do que o cuidado com o que aparentamos ser, devemos ter cuidado com o que escrevemos, e para quem escrevemos.

Nosso caráter e personalidade são mais importantes que a nossa imagem.