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Quem sou eu para incitar o ódio entre os blogs de tecnologia. Eu nunca fiz isso na minha vida, e não será a primeira vez que eu vou fazer. Aliás, nunca critiquei nenhum blog parceiro (mentira, já fiz isso nas internas, mas vocês nunca saberão os blogs que foram alvos da minha crítica… ou até sabem, se me seguem no @oEduardoMoreira do Twitter…). Mas dessa vez, vou ter que abrir uma exceção para falar dos dois “amiguinhos” em questão: o Tecnoblog e o Google Discovery.

Antes de qualquer coisa… tsc, tsc, tsc… que feio para vocês! Ficarem “brigando” por causa do Google Chrome, que não faz mal a ninguém (a não ser devorar a RAM de muitos equipamentos por aí, problema este que foi parcialmente resolvido – convenhamos, isso já foi bem pior), que vive a sua vida de força dominante da internet, rei absoluto entre os navegadores, e ferramenta principal para os leigos o confundir com o Google?

Leave Google Chrome alone, Tecnoblog!

Leave Google Chrome alone, Google Discovery!

Aliás, essa “treta” só aconteceu por causa de dois posts feitos por dois amigos pessoais, pessoas que, se eu pudesse, levaria para o churrasco na minha casa todo final de semana. Isso é, se eu morasse em São Paulo, ou se eles morassem no Paraná, já que aqui na cidade de Ponta Grossa a galera come churrasco quase todo final de semana.

 

A versão do Tecnoblog

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De um lado, o Paulo Higa do Tecnoblog assinou um artigo onde ele afirma categoricamente que “o Chrome é o novo Internet Explorer“, e o seu principal argumento é a clara dominância do navegador da Google no seu segmento, com mais de 77% de cota de mercado no Brasil (de acordo com os números do StatCounter). Aqui, temos um cenário de monopólio estabelecido, onde algumas soluções web já são desenvolvidas exclusivamente para esse navegador.

Isso, e todos os demais problemas que o usuário pode receber no pacote ao utilizar o Chrome de forma ampla e irrestrita: a dependência da Google para muitas ferramentas e soluções conectadas, a ausência de extensões e plugins em outros navegadores e a já destacada fome do navegador pela RAM do seu equipamento.

Ou seja, temos aqui argumentos bons o suficiente para concordarmos com um dos japas mais simpáticos da blogosfera de tecnologia do Brasil, certo?

 

A versão do Google Discovery

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Por outro lado, o Renê Fraga (aka Fox Mulder… desculpa, até a pessoa física se parece um pouco com esse personagem), responsável pelo Google Discovery, afirma exatamente o contrário do que o Higa declarou em seu texto, com um contundente “o Chrome NÃO é o novo Intenet Explorer“. Seus argumentos se apoiam no caráter histórico que envolve tanto o Google Chrome como o Internet Explorer, e como os dois tomaram caminhos bem diferentes para estabelecerem suas respectivas dominâncias no mercado.

Renê usa uma bela carta de Super Trunfo para seus argumentos: para dominar o mercado na sua época, a Microsoft usou de práticas ilegais, integrando o Internet Explorer nos seus sistemas operacionais Windows 95 e Windows 98 (e nas versões posteriores, até que a justiça europeia decidiu acabar com a farra do boi deles). A estratégia funcionou, e o Netscape, então líder entre os navegadores web, foi simplesmente dizimado do do mercado.

Já o Google Chrome galgou a sua liderança degrau por degrau, conquistando a confiança dos usuários com uma oferta de um navegador simples, leve, veloz, com atualizações automáticas e a total integração com o principal mecanismo de pesquisa da internet.

 

Quem tem razão nessa “treta”?

Quem tem razão, na minha opinião, é o leitor inteligente que, a essa altura do campeonato, já sacou que esse post serve apenas para divulgar dois ótimos textos feitos por parceiros que tenho na internet e na vida. Em alguns temas, não existe o lado certo. Os dois lados contam com argumentos válidos, e se complementam. Ter pontos de vistas diferentes não quer dizer que eles são conflitantes ou discordantes. Só quer dizer que o mundo da tecnologia permite sim a dualidade de opinião. No final das contas, todo mundo vai beber cerveja e contar piadas no final do dia.

Se você achou que esse era um post de iniciar a treta entre dois amigos, lamento por você. Reveja seus conceitos, e aprenda a ler ironias em um texto na forma de “palavras entre aspas”.

Vai te fazer um bem danado!