A festa acabou. A bebida e a comida, também. A euforia passou. E a bolha do mercado de smartphones estourou. E isso é oficial, minha gente. Não sou eu que estou falando como palpiteiro. Os números mostram isso.

Aliás, números sobre o assunto é o que não faltam. A Apple revelou a queda de 15% nos lucros relativos ao iPhone, e mesmo não revelando o número de unidades vendidas, isso já mostra que o mercado chegou ao seu limite.

Mas você pode dizer: “ah, mas estamos falando da Apple, que perdeu a noção das coisas com os seus preços absurdos”.

Eu concordo com você.

Mas olhando para o lado, os números da concorrência reforçam a sensação que a bolha do mercado de smartphones estourou.

A Samsung, por exemplo.

A empresa anunciou a queda nos LUCROS TOTAIS (somando todas as divisões da empresa, e não apenas o segmento de smartphones) em 10%. E o argumento dos sul-coreanos foi a queda na distribuição de componentes para smartphones e dispositivos móveis.

Tal declaração não apenas reforça a minha teoria, como também confirma que todo um mercado mobile está com o mesmo movimento de quedas nas vendas de dispositivos.

E essas quedas nas vendas está acontecendo no mundo todo, inclusive no Brasil. O IDC Brasil já informou que o mercado nacional caiu 7% em comparação ao mesmo período de 2017 (números relativos ao terceiro trimestre de 2018).

Aqui, os motivos para a queda incluem não apenas uma variação do dólar diante do real, mas também todo um cenário de instabilidade política, algo que só diz respeito ao Brasil.

Mas a verdade é a seguinte: para quem acompanha o dia a dia dos usuários, sabe que quem já comprou um smartphone não vai trocar de dispositivo por, pelo menos, dois anos (ou mais, dependendo do modelo). E os novos dispositivos estão chegando ao mercado com preços acima do que realmente poderiam custar, e em todas as faixas de preço.

Ao meu ver, a solução passa por uma profunda reformulação de filosofia dos fabricantes. O consumidor não está mais disposto a pagar os valores atuais (especialmente os clientes de dispositivos top de linha). Ou as marcas apresentam inovações que realmente justificam os preços cobrados (e, ainda assim, o ideal seria oferecer preços acessíveis), ou as marcas começam a reduzir o preço médio dos produtos.

Caso contrário, não é difícil imaginar um cenário de crise a médio prazo.

Aliás, nem é preciso dizer que 2019 já será um ano bem difícil para o mercado de smartphones. Quem viver, verá.