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Apple Pay: simples para pagar, mas complexo no quesito segurança

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A Apple descobriu que o NFC existe, e por conta disso, decidiu apresentar o Apple Pay, sua proposta de pagamentos de produtos e serviços através dos dispositivos móveis. A ideia aqui não é reinventar a roda dos pagamentos via smartphones, mas sim aproveitar aquilo que já existia, com as funcionalidades que a Apple já oferecia em seus dispositivos, combinar tudo e facilitar todo o processo. Aparentemente, eles conseguiram. E não estão para brincadeira.

A promessa é de oferecer para o consumidor final um recurso simples e funcional para realizar pagamentos com o smartphone (iPhone, em questão – óbvio), dispensando qualquer tipo de possibilidade do usuário chegar perto da carteira ou do cartão de crédito para realizar esse pagamento. Pensando nisso, eles apresentaram uma solução onde o usuário vai aproximar o smartphone da base que vai identificar esses dados, e através da identificação do usuário via TouchID e dos dados de cartão de crédito armazenados no Passbook, o pagamento é realizado em segundos.

Sem burocracia, sem perca de tempo, e de forma (presumidamente) segura.

Entendo que o grande ganho do Apple Pay é fazer com que o NFC seja finalmente reconhecido como uma funcionalidade que pode ser utilizada no dia a dia para pagamentos móveis. Particularmente, nunca utilizei essa conectividade nem para pagar uma coxinha no bar do Zé das Couves. Primeiro, o Zé das Couves (e outros estabelecimentos) simplesmente ignoravam a existência do NFC. Segundo, nenhum fabricante Android ofereceu uma forma tão intuitiva para utilizar tal funcionalidade.

A Apple pode virar esse jogo, não só com uma proposta que é simples e objetiva nas suas funcionalidades, mas também porque fechou acordos com Deus e o mundo para estrear tal tecnologia. McDonald’s Subway, Macy’s Disney… são nada menos que 83% das principais redes de produtos e serviços dos Estados Unidos que fecharam parcerias com a Apple para engrenar a proposta do Apple Pay nos Estados Unidos. A ideia da Apple é fazer com que o serviço esteja disponível em 150 países do planeta até o final de 2015.

Sem falar nas parcerias fechadas com ninguém menos que Visa, Mastercard e American Express. “Apenas” as três maiores bandeiras de cartão de crédito no mundo.

Imagino que a Apple terá “algumas pequenas dificuldades” para implementar o recurso no Brasil. Mas vamos ter fé que tudo vai dar certo, não é mesmo?

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Ok, é tudo muito lindo no Apple Pay, certo? Quase.

Apesar da ideia ser bem interessante, e talvez ser a grande novidade da Apple no evento de hoje (9) em Cupertino, o que eles não deixam lá muito claro é como vai funcionar todo esse processo de segurança dos dados do cliente. Eles afirmam que os dados não serão salvos no dispositivo, e que em momento algum o estabelecimento vai receber informações pessoais do cliente, como número de cartão de crédito e endereço de cobrança. O pagamento vai ser confirmado em segundos, e é isso o que interessa.

Ok. Mas… levando em conta que recentemente (e isso, queira a Apple admitir ou não) o iCloud passou por um sério problema de segurança, onde fotos íntimas de celebridades foram compartilhadas na internet de forma não autorizada, é natural que usuários e especialistas em tecnologia questionem a empresa sobre os detalhes de como os dados serão criptografados, ou como eles efetivamente vão evitar que qualquer alheio pegue esses dados e use de forma inapropriada.

Tá, o Passbook pode ajudar a embaralhar os dados do cartão de crédito, ou de fato o iPhone não vai salvar esses dados. Mas… e daí? E o meio do caminho no processo de pagamento? Não tem nenhuma ‘área cinza’ que a Apple não cobriu, e que pode ser explorada pelas mentes maliciosas mais inteligentes? E o que garante que esses dados realmente não são salvos? E, se forem, eles ficam realmente encriptados em uma área do smartphone que nem a Apple é capaz de acessar?

São muitas questões que ainda precisam ser respondidas.

De qualquer forma, o Apple Pay pode ser o primeiro passo efetivo para que a prática de pagamentos via smartphones seja algo que faça parte do nosso dia a dia. Resta esperar se o sistema vai funcionar de forma tão eficiente e prática como a Apple promete, no grande teste prático que vai começar em outubro nos Estados Unidos.

Ficaremos de olho.


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