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Pelo visto, não é só uma tendência da Europa ou de mercados emergentes – como o Brasil, por exemplo. Agora, até os norte-americanos estão mais propensos a adquirirem smartphones que custam menos de US$ 200, no lugar dos modelos top de linha, que ficam na faixa de US$ 600 ou mais. Sinal dos tempos?

Talvez. Já faz algum tempo que eu canto essa bola para as pessoas eventualmente me pedem sugestões sobre os futuros dispositivos que desejam comprar: a maioria não precisa de um smartphone top de linha para ser feliz. E pelo menos nos últimos 12 meses, essa tendência se tornou ainda mais consistente, com a chegada de modelos intermediários da Sony, LG e, principalmente, da Motorola.

Falando especificamente do mercado norte-americano, pode não ser exatamente um indício de crise, mas sim de uma mudança de comportamento e consumo desses produtos. Temos sempre que lembrar que o mercado de modelos top de linha está em um ponto onde podemos chamar de ‘saturação’. Não só por conta dos lançamentos dos últimos meses, mas também porque temos muitos dispositivos lançados no ano passado que ‘ainda dão um belo caldo, por assim dizer.

O comportamento pode mudar por questões econômicas sim. Afinal de contas, por que pagar mais caro se você pode ter a mesma coisa pagando mais barato. Porém, eu entendo que estamos diante também daquela coisa do ‘eu não preciso de tudo isso no meu smartphone’. Sabe, aquela grande quantidade de sensores que, no papel, são maravilhosos, mas que a maioria dos usuários não vão utilizar.

Eu tiro por mim.

Mesmo sendo um usuário avançado, e entendendo que algumas inovações são muito bem vindas e realmente atraentes, eu cheguei à conclusão que, pelo menos para mim, vale muito mais um dispositivo que funcione bem para as principais finalidades: uma tela de boa qualidade, uma interface de usuário leve e funcional, uma câmera que permita que eu registre fotos decentes, alto-falantes que me permita uma conversação inteligente, uma ergonomia bacana para uma melhor interação com o dispositivo com uma ou duas mãos, entre outras necessidades.

Mas isso vale para mim. Cada um vai buscar as suas escolhas e preferências.

E o que entendo é que a maioria não vai precisar de um sensor cardíaco, barômetro, desbloqueio de digitais e derivados. O que muita gente quer é um bom smartphone. E isso realmente não pode custar muito caro. Acho justo que todo mundo tenha a opção de ter tecnologias de qualidade, mas sem precisar vender o rim para isso. Quem quer ter recursos diferenciados, que pague a mais por isso. Para mim, é uma regra bem simples.

Quem complica (ou complicava) mesmo são os fabricantes. Mas eles estão aprendendo a lição. De forma mais lenta do que eu gostaria que fosse, mas estão aprendendo.