@oEduardoMoreira

Pessoal e Intransferível

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A hora de trocar de dispositivos (e a via crucis que passamos por isso)

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Como vou trocar o meu notebook Dell Vostro 5470 em breve (sério, Dell… nunca mais…), começo a buscar um substituto para ele. Não só isso: buscar outro smartphone, um segundo notebook menor para levar em viagens, uma filmadora para os vídeos de review… enfim, vários itens.

A ideia é voltar aos poucos a me municiar de dispositivos que possam ser úteis para o meu trabalho. Não é exatamente me cercar de tecnologia (até porque não tenho essa grana toda para isso), mas sim ter os produtos necessários para poder fazer o meu trabalho nos sites sem precisar passar muito sufoco.

 

O que espero de cada produto?

Um dos itens importantes para essa troca é um novo notebook. A ideia é ter um portátil potente o suficiente para a maioria das tarefas de produção de conteúdo e edição. Me convenci que valeria a pena então ter um notebook com tela de 15.6 polegadas ou até de 17.3 polegadas. O segundo seria um monstro de tamanho, mas acho que está na hora de me oferecer tal benefício.

Sobre o smartphone, o LG G4 continua sendo o sonho de consumo, mas recebi algumas propostas de iPhone 5c e iPhone 5s que estão me chamando a atenção. Não pretendo abandonar o Android, até porque não tenho motivos para isso. Mas preciso nesse momento do produto mais viável economicamente, mas que ofereça uma boa relação custo-benefício para as atividades diárias.

Agora… por que um segundo notebook?

Bom, levar quase quatro quilos nas costas não é a minha. Aliás, não é a minha e de mais ninguém. Logo, não seria descabida a possibilidade de pegar um ultrabook, ou um Chomebook (apesar de ainda ter ressalvas em relação ao Chrome OS), ou quem sabe até um netbook com tela de 11.6 polegadas. Pode ser uma solução mais barata e funcional para pelo menos produzir meus textos em qualquer lugar.

De qualquer forma, uma pequena maratona para buscar as melhores opções de dispositivos já começou. Algumas dessas opções eu já considero como possíveis, e podem se tornar produtos que serão minhas ferramentas de trabalho. Mas a pesquisa é longa e ampla. Veremos se terá os resultados que espero.

Por que a Xiaomi poderia ter aborrecido a Samsung na MWC 2016?

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Durante o evento de apresentação do Xiaomi Mi 5, havia a clara impressão que Hugo Barra nos surpreenderia a qualquer momento com um algum tipo de ‘One More Thing’. Isso estava bem claro. A tampa traseira com cristal curvado foi uma mostra que a Xiaomi não está para brincadeira.

Na verdade, eles queriam dizer “Olha, Samsung, nossa curva sim é real, nada de bordas retas”.

Não disseram com essas palavras, mas a imagem abaixo não deixa dúvidas: a Xiaomi quer se comparar com os coreanos. Mas… o que teria acontecido se a tela do Mi 5 também tivesse bordas curvadas?

Talvez a Samsung estaria envolvida em um sério problema.

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A Samsung tem hoje uma carta debaixo da manga, e ela ainda mantem com essa carta o jogo a seu favor. É a única capaz de fornecer um smartphone com design realmente futurista, se destacando dos demais, empenhados em fazer do alumínio com bordas polidas um novo padrão que aos poucos deixa de lado o plástico, que incomoda muita gente.

Seja pelo poder econômico, capacidade de produção ou, quem sabe, por causa das patentes, a Samsung é há pelo menos um ano o único fabricante que conseguiu que um smartphone com tela curva vingasse no mercado (ninguém se lembra do BlackBerry Priv). Mas… e se eles perdessem essa exclusividade?

 

Aqui é onde parecia que a Xiaomi estava prestes a entrar. O vídeo de apresentação do Mi 5 teve momentos que não estava claro se eles estavam mostrando a tela ou a tampa traseira, e todos começaram a pensar na Samsung. O lançamento de um ‘Mi 5 Edge’ teria sido um golpe duríssimo para os coreanos, que precisam melhorar as vendas de seus smartphones premum, que estão estancadas pela maduração da linha média e pelo crescimento das marcas chinesas.

De qualquer forma, a Xiaomi ainda causará danos colaterais com o Mi 5. Basta compará-lo com o Galaxy S7 com tela plana para ver que os dois modelos estão no mesmo nível, onde a grande diferença está no preço (235 euros do Xiaomi Mi 5, contra o Samsung Galaxy S7, que custa 719 euros).

A Xiaomi teria que começar a comercializar o seu smartphone em muitos países para poder alcançar a Samsung, mas não resta dúvidas que. no papel, o Mi 5 é tão capaz quanto o Galaxy S7. Restam dúvidas sobre o seu desempenho fotográfico, mas em linhas gerais estamos diante de um smartphone que rapidamente vai chamar a atenção dos usuários com um espetacular preço de 235 euros.

Na China, o caos reina nos escritórios da Xiaomi, uma vez que no momento em que esse post foi produzido já haviam sido feitas no país 10 milhões de reservas do Xiaomi Mi 5, e isso em apenas dois dias.

Será que em algum momento a Xiaomi vai lançar um telefone com tela curvada? O que teria acontecido se um ‘Mi 5 Edge’ tivesse sido anunciado. Certamente a Samsung está fazendo essas mesmas perguntas.

iPhone 5c: não fazia mais sentido sua existência

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Era para ser o iPhone ‘barato’. Nunca foi. O iPhone 5c simplesmente era o iPhone 5 com uma carcaça de plástico e custando o mesmo preço, o que elevava os lucros da Apple sem muito esforço. Seu processador (A6) é obsoleto, deixando de fora os benefícios presentes no iPhone 5s (Touch ID, gravação de vídeo em câmera lenta, updates de futuras versões do iOS). Um erro da Apple (e de quem comprava o dispositivo).

O iPhone 5c desapareceu do catálogo da Apple com a apresentação dos novos iPhone 6s e iPhone 6s Plus, o que é um indício claro que as vendas desse modelo nunca foram excepcionais. A demanda do iPhone 5c sempre esteve muito abaixo do modelo superior, e os números de vendas dos últimos modelos deixam claro que a Apple não vai tentar de novo lançar um iPhone de plástico.

 

O sucesso ou fracasso do iPhone 5c é difícil de se quantificar

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O iPhone 5c não era mais que um iPhone 5 recondicionado, permitindo que a Apple aproveitasse as linhas de produção do modelo anterior, com pequenas modificações externas (aka carcaça de plástico), obtendo assim uma maior margem de lucro. Um ano depois, os processadores A6 e os demais componentes ficaram mais baratos (12% a menos que o iPhone 5s, segundo alguns estudos).

A Apple nunca revelou dados concretos de vendas do iPhone 5c, mas analistas deixam claro que o interesse por esses modelos em países como a China era muito inferior ao que geraram na época (meados de 2014) o iPhone 5s e até o iPhone 5. Ainda que os dados sejam discutíveis, tudo indica que eles são semelhantes no restante do mundo. Exceto em casos pontuais, como no Brasil, onde vejo muita gente com o dito iPhone 5c de 8 GB de armazenamento, junto ao público que antes compraria um Android de linha média.

Fato é que a própria Apple ‘admitiu’ essa situação ao lançar a versão com 8 GB do iPhone 5c, no lugar dos 16 GB da versão original. Apenas para estancar as perdas em função da relação custo-benefício nada favorável.

Por outro lado, também temos indícios de sucesso do iPhone 5c. O AppleInsider informou que sse modelo superouo em vendas todos os modelos de franquia de outros fabricantes, com uma estimativa de 12.8 milhões de unidades vendidas, contra os 9 milhões de unidades vendidas pela Samsung no mesmo período (quarto trimestre de 2013) nos Estados Unidos.

A Apple nunca confirmou ou desmentiu os números, mas é evidente que o resultado para eles não foi o satisfatório, já que eles não lançaram novos iPhones de plástico: em setembro de 2014, foram lançados o iPhone 6 e iPhone 6 Plus, abandonando de vez os modelos de 4 polegadas. O resultado? Um sucesso absoluto para a Apple.

 

Por que ganhar dinheiro quando você pode ganhar MUITO MAIS DINHEIRO?

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A Apple não pensa no volume de vendas, mas sim nas marges de lucro. Os resultados do iPhone 5c deixaram claro que a sua produção deveria ser encerrada, mesmo porque o alvo desse empresa nunca foi os mercados emergentes.

Tim Cook deixou claro essa filosofia da Apple. Na WSJD Live Conference realizada em 2014, ele foi questionado sobre a potencial entrada da empresa nos mercados emergentes. Cook respondeu da forma mais contundente possível: “iremos tão fundo possível sempre que pudermos manter a experiência do usuário”.

A Apple nunca teve a intenção de oferecer um iPhone barato, e alguns analistas deixaram claro há mais de um ano que o experimento com o iPhone 5c não foi o que eles esperavam. O prestígio buscado pela Apple não era tão apreciado no iPhone de plástico. A Apple sempre foi exclusivista por natureza, com um marketing que retratava essa experiência e o estilo de vida ‘elite’, e eles não podem ser o fabricante do produto top de linha e do produto acessível ao mesmo tempo. Hoje, não mais.

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Isso foi confirmado com o lançamento dos iPhones com telas de 4.7 e 5.5 polegadas, e o sucesso foi evidente: 75 milhões de unidades vendidas no último trimestre de 2014. O iPhone 5c foi um bom experimento para tentar ganhar dinheiro com um produto recondicionado que aumentava as margens de lucro, mas sua demanda não foi suficiente.

Os novos iPhones 6/6 Plus deixavam de lado a ideia de ‘velho renovado’, oferecendo aos usuários modelos com diferentes tamanhos, mas com praticamente as mesmas especificações. O interesse pelos dois modelos mostrou claramente para a Apple que era possível ganhar mais dinheiro com dois produtos novos do que com um novo e outro recondicionado.

E se tem uma coisa que a Apple se caracteriza é o desejo quase obsessivo de querer lucrar ao máximo em cada um de seus lançamentos. Confirmam isso até nos novos iPhone 6s e iPhone 6s Plus, cujo modelo base conta com 16 GB de armazenamento, algo que gerou muitas críticas no ano passado, mas que certamente dá lucro para eles. Senão, esse modelo base já teria passado para 32 GB bem antes.

A Apple é uma empresa, e como tal, quer maximizar os seus lucros, minimizando os custos. O iPhone 5c não tem muito sentido dentro dessa filosofia, e os últimos dois anos deixaram claro que esse experimento não será repetido.

E eu cantei essa bola lá atrás. Afirmei sem medo de errar que o iPhone 5c era um erro.

Smartphone ‘para vip’ no Brasil custa mais de R$ 3 mil. Conforme-se com isso!

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Aconteceu ontem (14) em São Paulo o lançamento dos novos smartphones top de linha da Samsung. Os modelos Galaxy S6 e Galaxy S6 Edge já eram conhecidos do grande público desde a Mobile World Congress realizada em março, mas agora desembarcam no mercado brasileiro, e com preços de modelos ‘premium’: a partir de R$ 3.299 e podendo alcançar a astronômica marca de R$ 4.299.

A Samsung deixou muito claro lá mesmo na MWC 2015 que esses novos modelos da linha Galaxy não era pensado nos meros mortais. Eles sempre projetaram esses produtos para a clientela ‘vip’, ou para quem poderia pagar os valores cobrados por esses produtos. Antes, eu achava essa estratégia algo estúpido, por entender que a boa tecnologia deveria ser mais acessível para o maior número de usuários. Porém, o mundo mudou, o cenário da tecnologia móvel também e, por tabela, minha visão sobre o assunto está um pouco diferente.

Vamos voltar para 2011 (por exemplo). Nessa época, Apple, Samsung e Sony contavam com modelos top de linha, em uma faixa de preço que poucos poderiam pagar. Os demais produtos dessas empresas (mais Sony e Samsung, pois a Apple nunca pensou no mercado de entrada ou intermediário) eram dispositivos com um hardware muito abaixo do ideal, ou que não ofertavam uma relação custo-benefício aceitável.

Eram produtos que não ofereciam um desempenho minimamente aceitável para que o usuário pudesse ter uma experiência de uso satisfatória. Sem falar que o Android não era um sistema suficientemente maduro para otimizar os recursos de hardware para a entrega desse tal bom desempenho.

Porém, o tempo passou, e as coisas mudaram. E muito.

Motorola, ASUS, Huawei, Xiaomi… vários outros fabricantes entraram no mercado de dispositivos móveis, e oferecem hoje dispositivos com um desempenho excelente, um hardware competente e um acabamento bem aceitável com preços muito competitivos.

A Motorola em especial dá aula nesse aspecto. Oferece ótimos smartphones em diferentes faixas de preço. A ASUS, com a sua linha ZenFone, conta com dispositivos com um desempenho excelente, com a ajuda do hardware da Intel. Assim como a Huawei, que aposta nos processadores Kirin, saindo um pouco do duopólio Qualcomm/MediaTek, e a Xiaomi, que prepara a sua chegada ao Brasil, e tem dispositivos muito cobiçados.

Ou seja, temos hoje um cenário muito diferente de 2015. Não precisamos pagar mais de R$ 3 mil para ter um excelente smartphone. Com até R$ 1.5 mil você já pode ter um modelo com desempenho e especificações respeitáveis, permitindo que a experiência com esses dispositivos seja a mais eficiente possível para o grande público.

Na hipótese mais ‘absurda’, a melhor relação custo-benefício de um top de linha hoje é, sem dúvida, o Motorola Moto Maxx. Mesmo custando R$ 2.399 (mas você pode encontrar por menos), a diferença de preço para o iPhone 6 mais barato (16 GB) é considerável, e falando especificamente da experiência do Android, muita gente vai preferir o Android ‘puro’ do Moto Maxx do que a TouchWiz do Samsung Galaxy S6, que traumatizou muita gente por conta dos problemas apresentados nos modelos anteriores.

Por fim, temos sempre que considerar aquela velha frase que se fez presente em vários textos sobre o assunto: ‘tem gente pagando o valor cobrado pelos modelos mais caros’. Principalmente no Brasil.

Quem escreve sobre o mercado de tecnologia nacional estava prevendo um valor ainda mais alto para os novos Galaxys. No evento da LG que participei ontem (14) em São Paulo, muito se comentava sobre valores batendo os R$ 4.5 mil para o Galaxy S6 Edge. Ver ele chegando a R$ 3.799 é uma ‘vitória’. Pelo histórico da Samsung, não era nenhum absurdo prever um valor acima dos R$ 4 mil para o modelo com tela curva.

De qualquer forma, a realidade de mercado é essa. Temos uma nova categoria de produto no Brasil, a dos smartphoens ‘para Luciano Huck comprar’ (se bem que ele compra nos EUA). Apple e Samsung decidiram que, no Brasil, os seus modelos top de linha podem custar acima de R$ 3 mil, pois vai ter sempre alguém pagando por isso.

Mas eu estou muito feliz com o meu Moto Maxx!

Quatro motivos para a Apple vender mais smartphones que a Samsung no final de 2014

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A Gartner informa que pela primeira vez desde 2011, a Apple tirou o trono da Samsung em vendas de smartphones durante um trimestre de algum ano (nesse caso, 0 quarto trimestre de 2014). A gigante de Cupertino ganhou quota de mercado global, e vendeu no último trimestre do ano passado 74.8 milhões de unidades, contra 73 milhões dos coreanos. Milagre? Longe disso.

 

Um trimestre de novos iPhones

A Apple superou a Samsung no último trimestre de 2014, mas os coreanos ainda contam com larga liderança ao longo de todo o ano de 2014. Foram mais de 300 milhões de smartphones vendidos pela Samsung no ano passado (24.7% do mercado), contra 191 milhões de unidades de iPhones (15%). Para a Apple, essa fatia é a mesma de 2013.

O diferencial a favor da Apple dessa vez é que o volume de vendas globais foram maiores, alcançando a marca de 1.2 bilhão de smartphones. Quem perdeu mesmo foi a Samsung, com queda de 6%. Sem falar que o último trimestre de cada ano é sempre o mais forte ciclo de lançamentos da gigante de Cupertino.

A Time mostra um gráfico que resume essa situação, onde vemos os grandes picos de vendas após os lançamentos da Apple, enquanto que a Samsung tem um crescimento mais sustentável e constante.

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O acerto do iPhone 6 e iPhone 6 Plus

Além de ser um trimestre forte de vendas, o aumento significativo da Apple também se deu pela sensação geral de acerto em relação aos novos iPhone 6 e iPhone 6 Plus.

No final de 2013, a Samsung alcançou uma quota de vendas de 29.5%, com 83 milhões de smartphones vendidos. Nesse trimestre, e com o iPhone 5s recém chegado ao mercado, a Apple ficou nos 50 milhões de unidades (17.8%).

Olhando para os dados do final de 2014 da Gartner, a Samsung perdeu 10 milhões no número de smartphones vendidos (19.9%), enquanto que a Apple vendeu quase 25 milhões de unidades a mais (20.4%).

Os novos iPhone 6 e iPhone 6 Plus superaram o iPhone 5s em vendas com forte relevância. Aqui, com certeza influenciou o aumento da tela, que animou os antigos usuários de iPhone a trocar os seus dispositivo, ou trazer de volta aqueles que se sentiram atraídos pelo Android por causa de dispositivos com telas generosas.

 

Sem um competidor mais forte

A Samsung teve uma boa notícia na Mobile World Congress 2015: a boa acolhida aos novos Galaxy S6 e Galaxy S6 Edge. As reações foram muito diferentes daquelas vistas no ano passado com o Galaxy S5, e isso explica também por que a Apple superou a Samsung.

Também não podemos deixar de olhar para o cenário no mercado de smartphones nesse ano: mais rivais para a Samsung entre os modelos top de linha, e uma ressurreição entre os modelos de linha média e de entrada feito por marcas que centraram seus esforços no ‘bom, bonito e barato’.

O que ajuda a Samsung dessa vez é que o Galaxy S6 é sim um rival de peso para o iPhone 6, o que pode prometer fortes emoções para os próximos relatórios de vendas.

 

A tranqulidade de viver um excelente momento

É fato: a Apple passa por um momento excelente, não só pela base de usuários que aumenta, mas também em relação ao mercado como um todo. Os últimos resultados corroboram para isso, e grande parte do seu valor na Bolsa e os lucros obtidos são por conta das vendas do iPhone, que não só são em números elevados, mas que também teve o preço médio de venda aumentado em US$ 50.

Isso, com dezenas de milhões de unidades vendidas ao ano, entregam para a Apple uma tranquilidade que permite uma tomada de decisões mais serena e sem pressões, diferente dos demais concorrentes do mercado.

Crise nos EUA? Afinal, smartphones de menos de US$ 200 estão mais populares por lá…

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Pelo visto, não é só uma tendência da Europa ou de mercados emergentes – como o Brasil, por exemplo. Agora, até os norte-americanos estão mais propensos a adquirirem smartphones que custam menos de US$ 200, no lugar dos modelos top de linha, que ficam na faixa de US$ 600 ou mais. Sinal dos tempos?

Talvez. Já faz algum tempo que eu canto essa bola para as pessoas eventualmente me pedem sugestões sobre os futuros dispositivos que desejam comprar: a maioria não precisa de um smartphone top de linha para ser feliz. E pelo menos nos últimos 12 meses, essa tendência se tornou ainda mais consistente, com a chegada de modelos intermediários da Sony, LG e, principalmente, da Motorola.

Falando especificamente do mercado norte-americano, pode não ser exatamente um indício de crise, mas sim de uma mudança de comportamento e consumo desses produtos. Temos sempre que lembrar que o mercado de modelos top de linha está em um ponto onde podemos chamar de ‘saturação’. Não só por conta dos lançamentos dos últimos meses, mas também porque temos muitos dispositivos lançados no ano passado que ‘ainda dão um belo caldo, por assim dizer.

O comportamento pode mudar por questões econômicas sim. Afinal de contas, por que pagar mais caro se você pode ter a mesma coisa pagando mais barato. Porém, eu entendo que estamos diante também daquela coisa do ‘eu não preciso de tudo isso no meu smartphone’. Sabe, aquela grande quantidade de sensores que, no papel, são maravilhosos, mas que a maioria dos usuários não vão utilizar.

Eu tiro por mim.

Mesmo sendo um usuário avançado, e entendendo que algumas inovações são muito bem vindas e realmente atraentes, eu cheguei à conclusão que, pelo menos para mim, vale muito mais um dispositivo que funcione bem para as principais finalidades: uma tela de boa qualidade, uma interface de usuário leve e funcional, uma câmera que permita que eu registre fotos decentes, alto-falantes que me permita uma conversação inteligente, uma ergonomia bacana para uma melhor interação com o dispositivo com uma ou duas mãos, entre outras necessidades.

Mas isso vale para mim. Cada um vai buscar as suas escolhas e preferências.

E o que entendo é que a maioria não vai precisar de um sensor cardíaco, barômetro, desbloqueio de digitais e derivados. O que muita gente quer é um bom smartphone. E isso realmente não pode custar muito caro. Acho justo que todo mundo tenha a opção de ter tecnologias de qualidade, mas sem precisar vender o rim para isso. Quem quer ter recursos diferenciados, que pague a mais por isso. Para mim, é uma regra bem simples.

Quem complica (ou complicava) mesmo são os fabricantes. Mas eles estão aprendendo a lição. De forma mais lenta do que eu gostaria que fosse, mas estão aprendendo.

Ohm, carregador e alto-falantes sem fio em um produto

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O Ohm (ou Ohm Bluetooth Speaker) é um alto-falantes portátil, com conectividade Bluetooth com o nosso smartphone, mas também permite recarga do telefone, se o mesmo contar com o sistema de recarga sem fio Qi.

Dentro do dispositivo, temos uma bateria que o transforma no dispositivo ideal para transportá-lo em qualquer lugar, além de recarregar o telefone em questão. Sua autonomia como alto-falantes pode alcançar em torno de 8 horas.

Se o usuário quiser usá-lo no modo mãos livres, também é possível. O dispositivo é construído em plástico e silicone, nas cores branco e preto.

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De forma adicional, temos um cabo USB que auxilia nas recargas. Também é possível conectar outros dispositivos no Ohm, através da saída de 3.5 mm (de fones de ouvido).

O Ohm pode chegar ao mercado por um preço limite de US$ 170. Não é algo que podemos chamar de barato, mas certamente por ser um produto bem desenhado, pensado, e que já não deve ter essa saída toda em outros mercados.

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Crise na Samsung?

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A Samsung divulgou ontem (07) o resultado preliminar dos seus resultados financeiros relativos ao terceiro trimestre de 2014, relativo aos meses entre julho e setembro de 2014. E esses resultados revelam uma queda de 60% nos lucros da empresa, que veio de um recorde de US$ 10 bilhões de lucros no mesmo período de 2013, para US$ 3.8 bilhões de lucros em 2014.

A pergunta que fica é: a Samsung está em crise? Afinal de contas, é uma queda muito acentuada – mesmo levando em conta que estamos falando de um recorde histórico em 2013 – para uma empresa que está acostumada a ser líder de mercado em vários segmentos, e não apenas no setor de telefonia.

Bom, na minha opinião, ainda não é crise. Ainda. Aqui, é inevitável a comparação com a Apple, que registrou uma desaceleração dos seus lucros nos últimos 18 meses e, mesmo assim, não parou de lucrar. Só está lucrando menos, e é o que vai acontecer com a Samsung daqui para frente.

Motivos para o momento de queda dos lucros dos coreanos não faltam: para começar, o Galaxy S5 não é a ‘última bolacha do pacote’ que a Samsung imaginava que seria. Na verdade, ele já nasceu com várias críticas, desde o design até o continuísmo da proposta. O resultado é um produto com vendas abaixo do esperado pelos coreanos. E a tendência é que isso apenas piore com a chegada dos novos iPhones.

Aliás, esse é o segundo motivo. A desaceleração das vendas dos smarphones da Samsung está também diretamente ligada com a perspectiva de lançamento dos novos iPhone 6 e iPhone 6 Plus. Aliás, esse é um reflexo natural que antecede todos os grandes lançamentos de tecnologia, mas se acentua um pouco mais quando envolve os lançamentos da Apple. É algo que a Samsung já deveria estar acostumada com isso. Os demais fabricantes estão. A ponto de apresentarem seus lançamentos bem antes de novos iPhones, ou imediatamente depois de novos iDevices.

Aí, vem a explicação da Samsung: os elevados gastos em marketing.

A Samsung admite que perdeu muito tempo e dinheiro em campanhas publicitárias dos seus principais produtos ao redor do planeta. Em alguns casos, essas campanhas eram claras cutucadas na Apple – algo que é sempre divertido, e que vou defender sempre, por conta do fator diversão -, algo que nem sempre representa um aumento de vendas.

Tudo bem, eu compreendo que é o marketing pesado da Samsung que faz com que a empresa receba a visibilidade gigante que ela tem hoje, e não apenas no setor de mobilidade, mas principalmente nos eletro eletrônicos. Não estou discutindo se os produtos da empresa são bons ou não (particularmente, tenho alguns aqui, e não tenho do que reclamar), mas sim que o maciço marketing da empresa funciona de forma eficiente para tornar a marca uma das mais conhecidas do planeta.

Porém, isso não é mais o suficiente na galinha dos ovos de ouro da Samsung: o setor de mobilidade.

Agora, a empresa vai apostar na estratégia de oferecer modelos top de linha com elevada qualidade de construção, para elevar os lucros com vendas um pouco mais modestas. É um movimento arriscado: a Sony fez algo semelhante, e se ferrou com prejuízos homéricos. Mas diferente da Sony, a Samsung é a líder do mercado. Pode contar com resultados com impacto mais aprofundado em grande escala.

Além disso, a empresa quer investir mais nos mercados emergentes, onde eles já não vão tão bem nas vendas por diversos fatores (modelos melhores com o mesmo preço, fabricantes menores em mercados localizados, etc).

No final das contas, a Samsung segue líder no mercado mobile, e AINDA não está em crise. Mas o sinal amarelo está definitivamente ligado. Com três trimestres consecutivos de quedas nos lucros, e um Galaxy S5 que não é tão chamativo como os antecessores, os coreanos precisam repensar a sua estratégia, e principalmente, a margem de lucros. É claro que o impacto pode ser menor nos próximos trimestres – por conta de um recorde em um mês atípico -. Mesmo assim, é bom a Samsung ficar de olho, e agir rápido.

Pois nessa vida, tudo o que sobe, desce.

Um iPhone maior pode matar o iPad de vez: esse é o dilema da Apple

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Cuidado, Apple! Essa história de colocar todas as maçãs na mesma cesta começa a ser algo perigoso. Os resultados financeiros revelados nessa semana mostram que o iPhone segue muito bem. Por enquanto. E por causa da China (o recente acordo com a China Mobile). Porém, a margem de manobra para o mercado de smartphones está cada vez mais limitada, e a corrida para lançar um iPhone maior pode acabar canibalizando o iPad de tal forma, que o tablet da Apple pode simplesmente desaparecer.

Ok, pode ser uma previsão apocalíptica demais. Mas os resultados financeiros mostram que o iPhone do jeito que está continua muito bem nas vendas (35.2 milhões de unidades no último trimestre fiscal da empresa). Isso se reflete em uma clara dependência do iPhone para que o dinheiro das vendas entrem (nos últimos sete trimestres, o iPhone oscilou entre 51% e 57% no faturamento da empresa).

Já no caso do iPad, as quedas acontecem já por trimestres consecutivos. No último relatório financeiro, a queda foi de 9% em relação ao mesmo período de 2013. Tudo bem que o segundo trimestre é sempre aquele mais fraco, onde os usuários querem saber o que a Apple vai revelar em setembro/outubro. Mas também pode ser mais um claro indício de condenação do segmento dos tablets (e não só dos iPads): o auge dos phablets.

 

A dicotomia: um phablet Apple? Ou um tablet Apple?

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O iPhone é tão relevante para a Apple, que eles preferem mesmo atender o que os seus usuários querem, ou seja, aumentar a tela do iPhone. Essa mudança pode garantir o sucesso do produto por mais dois anos (pelo menos), mas pode fazer com que o iPad (principalmente o iPad mini) seja mais e mais irrelevante.

As vendas do iPad são cada vez menos estáveis com o passar dos últimos trimestres, mostrando que o iPad está cada vez menos relevante nessas vendas. De 20% das vendas totais da Apple no começo de 2013, temos hoje 16%. Nenhuma outra divisão da Apple tem esse comportamento hoje… exceto é claro o iPod (que ainda vende muito bem, acredite se quiser).

A lógica diz que, a partir do momento que a tela do iPhone crescer até as 5.5 polegadas, as vendas do iPad vão cair de forma vertiginosa. Afinal, por que eu preciso de um tablet, quando o smartphone já resolve o problema? Muitos usuários estão se perguntando isso nesse momento.

O ciclo de renovação dos tablets é maior, e no caso da Apple, o smartphone segue sendo o seu produto perfeito. É com o iPhone que a empresa obtém os seus maiores lucros, impulsionando outros negócios (acessórios, loja de aplicativos, iTunes, etc).

A falta de diversificação da Apple – algo que Steve Jobs defendeu com unhas e dentes – pode ser algo perigoso nos próximos trimestres. Os cartuchos da empresa podem se esgotar no processo de renovação das suas linhas clássicas, enquanto esperamos essa próxima geração de dispositivos, como smartwatches, soluções para a saúde e quantificadores.

Provavelmente a Apple já se deu conta que o mercado de tablets já flerta com a zona do declínio, e depender do iPad pode ser algo perigoso. Principalmente quando fica claro que os concorrentes já o superaram nos recursos e principalmente, no preço. E um iPhone com tela maior é apenas uma parte dessa equação: muitos sonham até hoje com um iPhone mais simples e barato, e a Apple segue dizendo “não” para essa possibilidade.

Deixando escapar pelos dedos milhões de novos usuários.

Quem sabe eles não mudam de ideia se perceberem os pés um pouco molhados, não é mesmo? (para bom entendedor…)

O que faz o Xperia Z2 Tablet custar R$ 2.599?

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A Sony anunciou ontem (09) que começou a vender no Brasil o seu Xperia Z2 Tablet. Tudo bem, o produto é bonito, seguindo a proposta de design dessa linha Xperia, que é formada por produtos top de linha. Compreendo tudo isso. Mas… R$ 2.599 por um tablet? Esse preço não é lá muito compreensível.

Vou tentar ser justo. O conjunto de hardware do Xperia Z2 Tablet é realmente top de linha: processador Qualcomm Snapdragon 801 quad-core de 2.3 GHz, GPU Adreno 330, 3 GB de RAM, 16 GB de armazenamento interno (expansíveis via microSD de até 128 GB), câmera traseira de 8 megapixels, bateria de 6.000 mAh, tela IPS LCD de 10.1 polegadas (1920 x 1200 pixels), 439 gramas de peso, TV digital Full-Seg e sistema operacional Android 4.4 KitKat.

Em resumo: é o tablet Android mais completo que você vai encontrar. Por outro lado, é um dos tablets mais caros que o seu dinheiro pode comprar. Isso é, se você tiver esse dinheiro.

Entendo que os únicos que realmente podem aproveitar um produto com esse conjunto de hardware – e por esse preço – são os usuários profissionais, com necessidades muito específicas. E, mesmo assim, a maioria dos aplicativos pensados para os profissionais estão na plataforma concorrente – o iOS. Logo, para muitos, mesmo com algumas restrições (como a expansão de memória), é muito melhor comprar um iPad air do que o Xperia Z2 Tablet.

Sem falar no investimento nos itens complementares para que o profissional seja produtivo. No meu caso, por exemplo, a aquisição de um case com teclado físico, ou um teclado Bluetooth passa a ser algo obrigatório. Todo mundo sabe que não se obtém a mesma produtividade com um teclado virtual. Logo, esse valor de R$ 2.599, que já é elevado para a maioria, fica ainda maior.

Ou seja… não seria mais barato comprar logo um ultrabook? Está quase no mesmo preço…

Não me entendam mal. Não estou aqui dizendo que o produto é ruim, ou que não deveríamos pagar pela proposta geral do produto. O que estou afirmando é que o valor é elevado demais, até mesmo para um suposto público alvo de profissionais. Em busca rápida na Apple Store brasileira, o iPad Air de 64 GB com 4G + WiFi (que é o modelo mais caro) está com o preço sugerido de R$ 2.499. Aí, você vai me dizer “por R$ 100 a mais eu tenho muito mais de hardware, e…”. Será? Será que a relação custo/benefício na hora de encontrar aplicativos, acessórios e itens complementares para atividades profissionais é tão maior no caso do modelo da Sony?

Tenho minhas dúvidas. Até porque, nesse aspecto, o iOS sempre se mostrou mais ajustado para os mais diferentes segmentos profissionais.

Não quero desvalorizar o Xperia Z2 Tablet. Só acho que, para ser competitivo, não poderia ser tão caro. Empresas como Samsung, LG, HP, ASUS, Acer e derivados já entenderam que não basta oferecer um produto ajustado para um bom desempenho, ou enviar para o mercado um tablet top de linha. Se o fator “preço” não chamar a atenção do consumidor, pode esquecer. O produto pode cair no completo esquecimento, ou ser solenemente ignorado, mesmo quando é especificamente voltado para os mais produtivos.

Não é mesmo, Microsoft Surface?

Logo, que a Sony reveja seus conceitos. O Xperia Z2 Tablet possui um potencial incrível, mas é caro demais. Por mais que os fabricantes queiram assumir a nobre missão de oferecer o fator de produtividade para os tablets – uma vez que eles estão ocupando o lugar dos computadores pessoais tradicionais na vida de muita gente -, essa mesma produtividade está sendo descoberta pelos fabricantes, e até mesmo pelo consumidor em geral.

E, hoje, entre um iPad Air e um Xperia Z2 Tablet, pelos mais diferentes motivos, eu ficaria com o modelo da Apple.