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Nesse momento, existem dois tipos de pessoas no mundo:

1) Os puristas da Apple, que chamam de “aberração” as telas customizadas do iOS, que amaldiçoam a gigante de Cupertino por essa liberdade de expressão inconveniente que a empresa cedeu para pessoas que não estavam preparadas para isso, avacalhando a “quase perfeita” interface de usuário do sistema operacional móvel.

2) Os revolucionários do iPhone, que são os defensores da liberdade individual, entendendo que cada cliente que paga caro por um iPhone tem o direito de fazer o que quiser com o dispositivo, sem ter que passar pelo julgamento dos cagadores de regra ao dispositivo alheio, principalmente quando as implicações desta liberdade são meramente estéticas.

De que lado eu estou?

E você ainda me pergunta isso?

 

 

 

A modinha que, nesse caso, faz muito bem

 

 

Eu tive um iPhone por cinco anos da minha vida, e sempre me incomodou essa história de não poder fazer com o iOS tudo aquilo que eu queria. Por isso, fui obrigado a recorrer ao jailbreak e ao Cydia para deixar o caro telefone que paguei com o suado dinheiro do meu trabalho do jeito que eu queria.

E sempre entendi que o sucesso e a popularidade do Android também estavam diretamente relacionados com a liberdade que os usuários recebiam do Google em poder personalizar a interface gráfica dos seus dispositivos. Customizar um smartphone não é apenas um modismo. É o reforço de identidade para uma geração que, gostando você ou não, cresceu na era do “eu”, da individualidade.

E isso, com redes sociais e comunicadores instantâneos. Que mais podem afastar do que agregar. Assista ao documentário O Dilema das Redes (Netflix), e você vai entender muito bem do que eu estou falando.

Os puristas até podem argumentar que essa onda de customização dos iPhones não passa de mais uma modinha passageira, e que em um determinado momento os usuários vão cair em si e voltar a utilizar aquele design padrão, monótono e enfadonho.

Pode até ser. Mas… quem é que sabe o que realmente vai acontecer no futuro?

Se for modinha passageira, que seja. Porém, duas coisas que já aconteceram e são verdades inescapáveis para o tempo presente estão na cara de todos, inclusive dos puristas conservadores (que só não vão enxergar isso se não quiserem):

1) A grande maioria dos usuários do iPhone queriam customizar a interface do sistema operacional, e não é de hoje;

2) A liberdade de personalização da interface do iPhone, pelo menos nesse primeiro momento, deu certo. E não acho que tal movimento terá volta.

 

 

 

Pelo direito de fazer o que quiser com o meu caro iPhone

 

 

Sempre achei um contra senso por parte da Apple essa filosofia de não permitir que um cliente que chegou a pagar até R$ 10 mil em um iPhone possa personalizar esse caro dispositivo do jeito que quiser, sem os entraves do fabricante.

A regra é bem simples, e vale para todo mundo e para qualquer produto: se eu paguei, é meu, e eu faço com ele o que eu quiser. Principalmente quando eu tenho que vender o meu rim e o meu baço (em bom estado) para comprar esse produto.

Durante muito tempo, a Apple insistiu na afirmação que sabia exatamente aquilo que o seu usuário queria, tirando assim o direito de cada cliente em estabelecer a sua identidade em um produto da marca. A impressão que ficou é que a gigante de Cupertino, no desespero em manter o seu padrão de qualidade e excelência, colocou todos os usuários na mesma filosofia, sem permitir uma expansão de horizontes e visões de uso.

Com o tempo, a mesma Apple percebeu que não era assim que a banda deveria tocar, e se tocou (sem trocadilhos) que precisava dar a liberdade criativa para esses usuários. E essa é uma estratégia que funcionou muito bem para o Android, cuja popularidade está refletida nessa liberdade de customização.

Logo, os puristas que me desculpem, mas eles estão errados.

Se eu pago uma pequena fortuna por um smarpthone, eu quero ter o direito de fazer o que quiser com ele. Indo de drop test para saber se ele é resistente até transformar a sua interface no Windows 95.

Afinal de contas, eu paguei caro por isso.


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