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A Disney vai reabrir os seus parques ao público nesse final de semana, ao mesmo tempo que a Flórida ainda sofre com a pandemia atual. E, guardadas as suas devidas proporções, a decisão é tão infeliz quanto a tomada pelo Beto Carrero World, que fez a mesma coisa enquanto o problema ainda não estava resolvido aqui em Santa Catarina.

Eu sei que, em um passado não muito distante, eu basicamente pedi para o Mickey me adotar. Mas essa é uma decisão que é, no mínimo, muito infeliz. Especialmente nesse momento onde o problema ainda não está resolvido (pelo contrário: só está piorando).

E o vídeo que a Disney lançou para “tranquilizar” as pessoas promove exatamente o contrário, por incrível que pareça. É um vídeo tão mórbido, que só reforça a sensação que tem algo muito errado acontecendo, e que muita gente vai pagar as consequências disso.

 

 

 

Pare de me colocar medo, Disney!

 

 

Eu não estou falando tanto por mim, que não tenho grana para assistir Viúva Negra nos cinemas (se é que poderei ir aos cinemas sem uma vacina antes desse pesadelo acabar), que dirá frequentar um parque da Disney nos Estados Unidos. Falo pelas pessoas que estão realmente interessadas em se divertir naquele local, e se deparam com um vídeo como esse.

O vídeo tem pouco mais de um minuto de duração, e mostra os trabalhadores de limpeza no parque temático, e toda a preparação dos profissionais do local para receber as pessoas que estão tentando conviver com um novo normal.

Pois é… eu nem devia tentar culpar a Disney e o Beto Carrero World. Afinal de contas, são empresas que estão tentando lucrar durante uma crise sanitária global, e quem sou eu para julgar os movimentos comerciais deles?

Por outro lado, qualquer pessoa minimamente racional e consciente sobre tudo o que está acontecendo nesse momento na Flórida sente arrepios quando vê o vídeo. O estado norte-americano é um dos mais afetados pela crise epidemiológica, com um aumento de casos que não atingiu o seu ponto de estabilidade. E tudo isso acontece no país com o maior número de mortos no mundo.

Isso tudo é preocupante. Para não dizer aterrorizante.

 

 

 

Como está a vida na Flórida nesse momento?

 

Os Estados Unidos tem mais de 135 mil mortes por COVID-19 (no momento em que esse post foi produzido), liderando este nefasto índice em todo o planeta. Mais de 3.1 milhões de casos foram confirmados, e 936 mil pessoas estão recuperadas. Obviamente, não estão nesses números todas as subnotificações ocorridas desde o início da pandemia.

A Flórida, ao lado de Nova York, foi um dos estados mais afetados pela pandemia. Ontem (09/07), foram registrados quase 19 mil novos casos no estado, que acumula 233 mil casos até essa data. Já são mais de 4 mil mortos, com 168 fatalidades registradas nas últimas 24 horas.

 

 

 

Cadê o bom senso, Disney?

 

Diante desse cenário do caos, a Disney vai reabrir as portas para o público. Não tem como não dizer que esta é a pior decisão possível: quanto mais pessoas estão concentradas em um lugar, as chances de transmissão do vírus aumentam, independente dos cuidados e restrições estabelecidas. E o quadro só piora quando pensamos nas pessoas que são assintomáticas.

É claro que um ambiente bem higienizado reduz as probabilidades de difusão do vírus, sem falar no uso de máscaras (que não é obrigatório em vários estados norte-americanos) e o distanciamento social. Porém, nada reduz tanto a curva de contágio quanto o isolamento social, tão criticado por gigantes que entendem que não podem ter prejuízos.

O vídeo de reabertura da Disney World mostra o trabalho que os profissionais de limpeza estão fazendo nos parques. Porém, na prática, podem ser o símbolo de uma “crônica de uma morte anunciada” (sem exageros), já que pode ser o retrato de uma maior difusão da enfermidade.

E não é possível que eu seja o único a enxergar isso de forma tão clara.

 


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