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A pressa é inimiga da perfeição?

Depende.

Se a pressa se aplica a atividades como cozinhar (miojo) e fazer sexo, a resposta é um enorme e contundente SIM. Qualquer coisa que leva apenas três minutos para ser concluída tem chances gigantescas de sair um serviço de porco.

Agora, se a pressa resulta em economia de tempo, é preciso pensar um pouco.

Uma das obsessões do mercado de telefonia móvel é fazer com que o smartphone fique o máximo de tempo possível longe do carregador. E se isso não for possível (porque os fabricantes precisam entregar telefones cada vez mais finos), o “plano B” é fazer com que a bateria do smartphone recarregue por completo no menor tempo possível.

E é sobre essa pressa específica que vale a pena refletir.

 

 

Ninguém tem medo da degradação da bateria?

Todos os fabricantes estão colocando o recurso de recarga rápida nas baterias dos seus telefones, onde cada fabricante está desenvolvendo as suas respectivas tecnologias. Tudo bem, isso é ótimo, pois se em algum dia mais ocupado você drenou a bateria do seu smartphone durante a manhã de trabalho, basta você deixar o telefone conectado durante o almoço que a autonomia de uso do mesmo está garantida.

Agora, isso acontece sem uma solução efetiva para o problema da degradação de bateria. Qualquer bateria disponível no mercado hoje, mesmo livres do famigerado “efeito memória”, sofre da natural degradação pelo uso. Nada nessa vida é eterno, que dirá a vida útil das baterias (sim, estou falando de VIDA, algo que chega ao fim um dia).

É claro que eu não estou imaginando um cenário de caos, onde o seu smartphone vai ficar com uma bateria inutilizável depois de um ano. Mas levando em consideração que os dispositivos top de linha estão cada vez mais caros, e as pessoas pensam em ficar com esse tipo de dispositivo em uso por dois anos ou mais (pelo menos; algumas pessoas ficam com o mesmo telefone por quatro ou cinco anos), essa bateria com recarga rápida (ou ultra-rápida em alguns casos) pode também perder a sua vida útil com maior velocidade.

Será que é exatamente isso que os fabricantes de telefonia móvel querem?

 

 

Obsolescência programada?

Não quero chegar nesse ponto. Não quero pensar em teoria da conspiração baseada em um recurso que, em princípio, existe para beneficiar a nossa vida prática. Mas não é nenhum absurdo considerar tal possibilidade.

Especialmente em um mercado de telefonia estagnado, onde os usuários levam muito mais tempo para trocar os seus dispositivos, e os fabricantes buscam motivos dos mais diversos para gerar a rotatividade de vendas de modelos. Não será surpresa alguma se, mais adiante, algum especialista em tecnologia descobrir alguma pequena trapaça de determinados fabricantes que ofereceram o direito de você ter pressa na hora de recarregar a bateria do seu smartphone.

Pode ser muita paranoia da minha parte. Mas no final das contas, faz algum sentido. Meu conselho? Repense quantas vezes forem necessárias antes de investir em tecnologias que beneficiam na teoria, mas que podem entregar um efeito colateral que se transforma em enormes dores de cabeça no futuro.

Não estou afirmando que o pior vai acontecer. Mas não se surpreenda se o pior se fizer presente.

Mas se lembre que eu fui um dos primeiros a falar sobre isso.


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