Eu ainda não sei como isso aconteceu, mas… vamos lá.

De repente, eu estava lá, diante de 150 cantores. Não era algo inédito na minha vida. Eu já fiz isso antes. Mas com cantores que eu conhecia de forma tão profunda, que carinhosamente eu chamava de “amigos, irmãos, cúmplices”. Não que eu não tenha feito amizades no Grande Coro Vozes de Santa Catarina. Pelo contrário: decidi entrar nesse coral porque eu rapidamente estabeleci fortes laços de afinidade e amizade com algumas pessoas que me receberam bem, e por outras que já considero muito especiais.

Ou seja, eu estou dentro de uma grande família formada por outros corais que estão fazendo música porque amam fazer música. Não é para qualquer um acordar às 5h30 da manhã de domingo, pegar a estrada e cantar. Só os fortes fazem isso.

Então… eu estava lá… diante de 150 corajosos cantores. De pessoas que amam a música.

Eu achei que não estaria lá. De verdade. Mas eu estava. Fui lá para cantar. Não imaginava que iria além. Entendo que é muita coragem para qualquer regente deixar o seu coral nas mãos de outra pessoa para a sua condução. Isso é algo que eu respeito profundamente, pois a necessidade de transferir temporariamente a condução de um coral para outra pessoa é uma manobra de risco.

Porém, a vida é feita de correr riscos. Meu regente correu os riscos dele. E eu decidi correr os meus ao aceitar conduzir temporariamente o Vozes de Santa Catarina.

Sim… esse careca em primeiro plano na frente do coral sou eu. Não é a primeira vez que eu fiz isso. Não é a primeira regência da minha vida. Mas dessa vez, foi diferente. Tudo aconteceu ali, em poucos minutos. Preciosos minutos.

 

 

Aceitei naturalmente conduzir esses corajosos cantores, porque em tudo o que faço eu me entrego em 110%. Porque eu fiquei muito feliz em poder ajudar em uma celebração tão bonita. Porque eu pude colocar em prática algo que sempre acreditei enquanto coralista e musicista…

O regente é um servidor. Nas apresentações, ele se coloca no mesmo plano do coral, para que os seus cantores brilhem. O regente orienta um grupo de cantores para entregar a música que pode (e deve) chegar ao coração daqueles que estão ali para também encontrar as palavras e sons que deixam a alma leve, e o coração tranquilo.

Eu fiquei feliz em poder pedir para vocês sorrirem e cantarem sorrindo. Todo coral precisa se sentir feliz para fazer música. E eu sempre desejo que cada cantor desse coral se sinta feliz ao fazer música. É uma responsabilidade enorme acertar as notas, mas… façam isso com amor, com alegria. E tudo vai dar certo. Sempre.

Posso dizer que mais recebi do Grande Coro Vozes de Santa Catarina do que pude oferecer. Por isso, agradeço a vocês pela confiança em mim depositada. Agradeço por cantarem comigo. Por fazer música que alcança os corações. E agradeço por me motivarem a seguir no meu processo de reinvenção e afirmação musical.

Gratidão. Hoje e sempre.