Não vou olhar para partidos ou ideologias políticas. Só vou olhar para os fatos.

A vereadora Marielle Franco foi brutalmente assassinada no Rio de Janeiro. Não é precipitação da minha parte, e nem precisa de uma perícia técnica para constatar que vários tiros ao lado do motorista dão indícios claros de que o que aconteceu foi uma chacina.

A violência no Rio de Janeiro não é uma novidade. Talvez vai ter alguns candidatos se valendo desse crime para apoiar suas plataformas políticas para as Eleições 2018. Prática essa que considero nojenta, desde já.

Porém, esse não foi apenas mais um caso de roubo seguido de morte. Não é mais um caso que apenas reflete o quão problemática é a questão da segurança pública no Rio de Janeiro.

O fato mais importante: mais uma pessoa que tentava mudar alguma coisa tem sua vida interrompida por bandidos.

Marielle Franco.

Negra.

Antes de morrer, ela conversava com outras mulheres jovens. Negras.

Tentava, do seu jeito, tornar a sua cidade um pouco melhor, através de iniciativas simples, como o diálogo, a troca de ideias.

Mais uma pessoa de bem que perde a vida pelas mãos daqueles que não se importam com a vida alheia. Daqueles que não medem esforços para que a criminalidade continue.

Dentro da tal justiça que tanto buscamos, esperamos na verdade que a impunidade também acabe. Que criminosos sejam punidos exemplarmente. Que o cidadão de bem possa sair de casa com a certeza que vai voltar para casa no final do dia.

Marielle Franco.

Virou estatística.

Até quando os números seguirão aumentando?