É difícil digerir a morte de Stephen Hawking. Que dirá explicar o quanto a Humanidade perde sem ele em nosso mundo. Suas contribuições para as áreas científicas são substanciais, e apesar de algumas ainda não serem compreendidas de forma plena até mesmo por boa parte da comunidade científica, elas serão relevantes para o nosso futuro a longo prazo.

Sem Hawking, o mundo fica literalmente mais burro. Muito mais burro. Não importa o que você está pensando nesse momento sobre “ah, mas temos mais mentes brilhantes nesse momento no planeta, e…” ERRADO! Ele vai fazer falta. E, por incrível que pareça, não apenas nos âmbitos científicos, onde trabalhou até o último dia de vida.

Ele também fará falta perto de cada um de nós, em uma presença mais palpável no nosso cotidiano.

Hawking foi um dos cientistas que teve o cuidado de simplificar para o grande público as suas teorias que envolviam a criação do universo que nós conhecemos. Teve em si o compromisso de fazer com que tudo o que ele estava conhecendo e desenvolvendo alcançasse o maior número possível de pessoas, uma vez que ele acreditava que informação era o sinônimo de poder.

Hawking foi além de viver preso em suas teorias e estudos científicos. Interagiu de forma plena com o mundo real, através dos símbolos máximos da cultura pop. Teve participações no cinema e na TV que são icônicas, porque trazia dentro de si o típico humor ácido e espirituoso dos britânicos. Conseguiu ser gênio e, ao mesmo tempo, ser criança, sempre que quis. Pois seres com mente brilhante conseguem desenvolver uma flexibilidade intelectual acima da média.

Stephen Hawking inspirou muita gente. Hoje, se temos muitos cientistas no mundo, foi por causa dele. Sua capacidade de raciocínio e paixão pelos estudos científicos inspirou vários outros que vieram depois dele, e essa contribuição indireta que ele deu para o progresso da Humanidade será, talvez o seu maior legado.

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Foi polêmico em suas opiniões sobre temas mais sensíveis, mas… qual gênio não é polêmico? Foi ousado ao voltar atrás na sua própria teoria dos buracos negros mas… não são apenas os ignorantes que mantém a mesma opinião o tempo todo?

Mas… a mais importante lição que Stephen Hawking deixou para pelo menos cinco gerações de seres humanos está contida em uma das palavras mais fortes de qualquer dicionário.

Resiliência.

Preso pelas limitações do seu corpo desde os 21 anos de idade por conta da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Stephen Hawking deixou ao mundo lindas lições. Ele poderia se deixar levar pela paralisia do corpo, pelas dores que essa paralisia gerava, e pela natural acomodação que qualquer doença ou deficiência pode trazer para qualquer pessoa.

Mas Hawking fez exatamente o contrário.

Vivendo em uma prisão de carne e osso, ele fez muito mais do que a grande maioria dos seres humanos com 100% de suas capacidades motoras. Não se deixou levar pelo parecer médico, que afirmou que ele só teria dois anos de vida após o diagnóstico do ELA. Viveu intensamente por mais de 50 anos, e nesse tempo, não apenas aproveitou a vida como podia, algo que qualquer pessoa deveria fazer, independente da expectativa de vida gerada. Ele contribuiu decisivamente para o progresso da humanidade. Deixou o legado científico que o colocou na história.

E lembrou ao mundo que sempre podemos fazer algo por nós mesmos, apesar de todas as limitações e dificuldades. Vivenciou a resiliência por mais tempo que qualquer um de nós. É uma das histórias de vida mais valiosas e emocionais que podemos aprender e nos inspirar.

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Stephen Hawking deixa esse mundo para se eternizar como o gênio do meu tempo. Não vai existir outro Stephen Hawking. Repito: como humanidade, ficamos bem mais burros. Pior: perdemos parte da sabedoria que tornava toda uma humanidade um pouco menos ignorante.

O que nos resta? Olhar para seu exemplo e tentar aprender a não mais nos limitar pelos nossos pré-conceitos, a não mais viver na esfera do “o que eu sei me basta”, e procurar aprender algo novo a cada dia, com a coragem de nos colocarmos como eternos aprendizes, nos reciclando sempre diante de conceitos que não mais nos levam adiante. Aprender a ter a coragem de jogar fora ideias que estão mortas em nós, para receber o novo com a convicção de que, em função do novo, viveremos dias melhores.

Foi embora o homem da Teoria de Tudo. Onde o Tudo era a vida. E… enquanto há vida, há esperança.

Hawking era a esperança viva de um mundo melhor. A esperança não morre.

Logo, Hawking será eterno.

Sim. Teorizei.