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A Nokia fez todo mundo acordar cedo (na Espanha e no Brasil… 4h30 da manhã…) para mostrar as suas novidades na Mobile World Congress 2014. A mais esperada delas foi confirmada: a Nokia abraçou o Andorid e chamou de seu, em forma de não um, mas três smartphones: Nokia X, Nokia X+ e Nokia XL.

Desses, apenas o Nokia XL não vazou antes do tempo, e só se diferencia dos demais pelo tamanho de tela (5 polegadas). Já os novos Nokia X e Nokia X+ já eram mais que esperados, e mais uma vez, todos os vazamentos foram confirmados, exatamente do jeito que todos vocês ficaram sabendo em sites especializados em tecnologia. Inclusive a presença do Android no smartphone.

Android? É isso mesmo? Com essa cara?

Bom, por partes.

A Nokia utilizou um “fork”,  ou seja, criou a sua versão do Android, se aproveitando do projeto AOSP (Android Open Source Project), que prevê a possibilidade dos desenvolvedores de dispositivos modificarem completamente a interface do sistema operacional, sem precisar depender dos serviços da Google. A estratégia foi a mesma que a Amazon utilizou para os seus tablets Kindle.

Tudo isso é válido e legal. A Google não está sendo lesada com isso, como alguns já andam dizendo de forma errônea. Talvez o maior prejuízo é não poder contabilizar essas unidades da linha X nas sua crescente contagem de dispositivos Android ativos, pois os mesmos não devem acessar a Google Play Store, e sim uma solução determinada pela Microsoft.

Porém, depois de ter a confirmação do Nokia X (e do Nokia X+… e do Nokia XL…), veio a pergunta na minha cabeça…

Será que era isso que os fãs da Nokia sempre sonharam?

Uma coisa que ficou mais do que clara: a Nokia está com os dois pés fincados no mercado de entrada, com lançamentos com perfis diferentes para os mercados de baixo custo. E o Nokia X é uma prova clara disso. Não só no preço (o modelo mais caro tem preço estimado de apenas 109 euros, ficando abaixo de um smartphone de linha média), mas principalmente nas suas especificações técnicas.

Olhando friamente para o Nokia X, ele não tem um hardware potente o suficiente para bater de frente com, por exemplo, o Motorola RAZR D3, que foi lançado no ano passado. Tá, ok, forcei a barra: ele se equipara ao RAZR D1, com algumas pequenas diferenças. A principal delas? A experiência que a Nokia/Microsoft quer oferecer ao consumidor, similar ao Asha.

Mas… de novo: você, fã da Nokia, que sempre sonhou com um Nokia Android… era isso o que você queria?

Pelo andar da carruagem, não teremos um Nokia top de linha com o sistema Android. Os modelos com hardware mais avançado, que com o Android poderia ser considerado o smartphone (quase) perfeito, ficarão mesmo com o Windows Phone (apesar da própria Microsoft também dar foco para os modelos de entrada no Windows Phone 8.1 Update 1…), enquanto que os modelos de entrada ficarão com o “fork” Android no estilo Asha.

E eu não tenho certeza se era isso que você estava sonhando quando pensou em um Nokia com Android.

Não acho que há decepções nesse aspecto. A Nokia está fazendo o que precisa ser feito: oferecendo opções no mercado onde eles estão vendendo bem. Entendo que o grande diferencial do Nokia X é não ficar dependendo da boa vontade dos desenvolvedores para oferecer seus aplicativos para o Windows Phone. Agora, basta dizer “estamos aqui… #vemnimim”, e pronto. Se vai dar certo ou não, só o tempo vai dizer.

Mas com certeza alguns vão ficar com um vazio no coração, pensando: “e se fosse o Android puro… e se fosse em um Nokia 920…”.