Quando o Xbox 360 parecia estar encerrando o seu ciclo de vida, a Microsoft apresentou o Kinect. Um produto tão promissor, que virou companheiro inseparável do lançamento do Xbox One. E é aí que foi o erro crasso da Microsoft.

O PS4 era muito mais competitivo no preço, e o Kinect nunca mostrou a que veio no Xbox One. Agora, com o fim da produção do acessório, é inevitável ter sensações mistas sobre um acessório que poderia ser, mas nunca foi.

O Project Natal que depois resultou no Kinect prometia um futuro alucinante: sem controles (em partes) e com uma experiência de jogo imersiva.

 

 

Até o Wii, de quem a Microsoft se inspirou, ficou para trás diante de uma proposta ambiciosa. Câmeras e sensores com melhores recursos de captura de movimento do jogador eram o segredo.

Tudo parecia possível com o Kinect, e seus desenvolvedores nos fizeram sonhar com jogos diferentes dos fofinhos jogos do Wii. Vídeos como o de Ryse: Son of Rome (E3 2011) mostravam como a interação do jogo (teoricamente) ia ser muito mais física.

 

 

Porém, o vídeo era uma mentira. Quando o jogo estreou, o suporte ao Kinect era nulo, virando um item secundário dos poucos jogos que o suportavam. E, quando era protagonista, competia diretamente com o Wii.

No inicio, muitos jogos apareceram, mostrando que o Kinect parecia ser um item obrigatório, tanto para gestos como para comandos de voz, complementando a experiência de jogo do Xbox 360 e Xbox One.

Alguns desenvolvedores seguiram demonstrando o potencial do Kinect, mas em um ritmo cada vez mais lento. E, aos poucos, o acessório foi caindo no esquecimento.

Porém, a Microsoft seguia apostando no acessório. Quando concebeu o Xbox One, o fez com o Kinect como parte integral do sistema. Ironicamente, o acessório se tornaria o pior inimigo da Microsoft.

 

 

Isso aconteceu porque, por causa do Kinect, o Xbox One custou US$ 100 a mais que o PS4 no ato do lançamento dos dois consoles. Aqui, o preço pesou, e o console da Sony saiu vencedor da batalha nas vendas.

A Microsoft levou seis meses para se dar conta do erro, e passou a oferecer o console sem o Kinect e no mesmo preço do PS4. Porém, já era tarde: a diferença entre os consoles da Sony e da Microsoft nunca foi reduzida.

Depois disso, o Kinect acabou perdendo sentido para quase todos. Poucos jogos compatíveis, e até mesmo o fim do Xbox Fitness em junho de 2017 eram os sinais claros de morte do acessório.

 

 

A segunda versão do Kinect, apesar de ser mais potente, não teve tempo de demonstrar o seu potencial no novo console. Ninguém deu a mínima para ele. E quando a Microsoft lançou o Xbox One S sem o conector dedicado ao Kinect, era a prova clara de que a morte era uma questão de tempo.

 

 

A Microsoft vendeu aproximadamente 35 milhões de unidades do Kinect desde o seu lançamento em 2010. Sua morte acontece porque usuários e desenvolvedores tiraram partido de suas configurações.

O trabalho para o desenvolvimento do acessório não foi em vão. Toda essa experiência foi útil para o desenvolvimento da HoloLens e do Windows Hello.

 

 

Quando as unidades que restam no mercado se esgotarem, o Kinect desaparecerá do mercado. Mas a Microsoft indica que vai seguir oferecendo suporte ao periférico e atualizações de software.

Agora, a Microsoft foca os seus esforços na realidade mista, com uma aposta ainda mais ambiciosa com o HoloLens.

Fica a torcida para que esse projeto não receba o mesmo fim do Kinect.