Compartilhe

Lá vou eu falar em causa própria. De novo…

Como é difícil para a dita sociedade cristã ocidental ou para os auto proclamados “cidadãos de bem”* (gente, esse termo é tão horrível, que eu imploro que vocês parem de utilizá-lo se você que está lendo esse texto é meu amigo) respeitar tudo o que é diferente. Incluindo a diferença de idade em relacionamentos afetivos. Mais ainda quando a mulher é muito mais velha que o homem.

Falo de forma específica sobre esse preconceito, porque boa parte do coletivo considera “socialmente aceitável” quando um senhor de 80 anos está pegando uma ninfetinha de 20. E até essa frase que eu acabei de escrever soa preconceituosa: afinal de contas, tanto o senhor de 80 como a ninfetinha de 20 poderiam ser perfeitamente definidos como HOMEM E MULHER, e não como SENHOR E NINFETINHA.

E esse texto não fala sobre política, por favor. Não vou falar sobre o momento atual de divergências sobre o que fazer com a Amazônia. Por outro lado, é de uma pobreza de espírito gigantesca utilizar a vida particular do presidente da França, Emmanuel Macron, 41 anos, que é casado com Brigitte Macron, 66 anos. Tentar reduzir uma pessoa por ser casada com uma mulher muito mais velha mostra o quanto a nossa sociedade ainda é bem podre por dentro. Afinal de contas, esse casamento não tem nada a ver com diferentes visões políticas.

Ah, e antes de continuar… se você já pegou a calculadora, já sabe que a diferença de idade entre Emmanuel e Brigitte é de exatos 25 anos.

E só um ano a mais que a diferença entre Donald Trump, 73 anos, e Melania Trump, 49 anos. Mas aqui não é nada ridículo, pois o presidente dos Estados Unidos com pele na cor laranja tem um histórico de “pegador” (onde ele se auto-declara “manipulador de vaginas alheias” porque “tem dinheiro e poder para isso”), ou um exemplo para todo “cidadão de bem”*.

Já escrevi algumas vezes sobre esse tema, e estou me tornando repetitivo. Mas acho que vale a pena chocar um pouco mais as pessoas que ainda não entenderam que o mundo mudou e vai muito além da visão retrógrada, medíocre, atrasada e limitante dos padrões previamente estabelecidos. Padrões esses que eu prefiro não abraçar.

Eu sempre gostei muito mais de mulheres MUITO MAIS VELHAS do que eu, e por diversos motivos que não necessariamente envolvem o sexo. Porém, já que estou aqui para chocar… sim… o sexo com uma MULHER MUITO MAIS VELHA (sim, eu estou colocando em caixa alta para não deixar dúvidas) é MUITO MELHOR do que com uma menininha de 20 e poucos anos, mimadinha, insegura e com pouca experiência na prática sexual. Ou experimentando caras que nem sexo direito sabem fazer.

Uma mulher madura INTELIGENTE (sim, pois tem algumas com mente vazia ou com mentalidade da década de 1940) está totalmente despida de pré-conceitos, já sabe o que quer da vida, e se joga por completo em qualquer relação. Deixa os pudores de lado e transforma essa experiência em uma verdadeira viagem de prazeres inconfessáveis. E sabe muito bem que pecado não é permitir que certas partes do corpo do homem entre em orifícios que, em teoria, não foram feitos para alguma coisa entrar.

Pecado é ficar se metendo na vida dos outros, criticando as escolhas alheias e “cagando regra” na forma que as pessoas escolheram para serem felizes.

Agora, saindo da cama e entrando na vida prática.

 

 

Quem leu um pouco sobre o relacionamento entre Emannuel e Brigitte consegue entender os dois. Acredite, se quiser, mas algumas pessoas se apaixonam por outras pessoas inteligentes. Ela, professora. Ele, muito curioso e aplicado.

Nem sempre é o corpo bonito ou a conta bancária com vários dígitos. Nem sempre é o carro zero na garagem ou até mesmo o apetite sexual da juventude. Em muitos casos, nos apaixonamos pela forma que a outra pessoa conversa conosco. A forma de olhar, de se vestir. De segurar a mão quando precisamos de apoio. De abraçar na tristeza. De beijar e dizer “EU TE AMO”.

Ao longo de 40 anos da minha vida, eu me envolvi com tantas mulheres tão mais velhas que eu, que muito provavelmente você pode achar que eu sou louco, que tenho problemas afetivos com a minha mãe, ou que eu sou um oportunista/aproveitador de velhinhas indefesas.

E você tem toda a razão ao carregar todas essas teorias no seu coraçãozinho preconceituoso.

Porém…

Minhas loucuras pelas mulheres mais velhas me tornaram uma pessoa mais decente do que você. Com certeza eu prefiro olhar para o interior de alguém e valorizar esse ser pela sua personalidade e caráter. Jamais vou diminuir alguém por estar com alguém que foge dos padrões. Pelo contrário: vou aplaudir qualquer pessoa que tem a coragem de assumir que é diferente da média, que vai além do lugar comum. Que não se contenta em ser mais uma cabeça de gado.

Quem não tem problemas afetivos com a mãe? Aliás, eu tenho soluções: depois de tanto me frustrar com a ausência de manifestações carinhosas, a maturidade e o tempo me ensinaram que a minha mãe me amou da forma dela, com sacrifícios tremendos para cuidar de mim e das minhas irmãs. Logo, meu maior problema nesse momento é que minha mãe está se esquecendo quem eu sou, e isso não é culpa dela ou minha culpa. E a minha solução para isso é manter o amor que eu sinto por ela, por saber o quanto ela é importante para mim.

E é claro que eu estou “me aproveitando” das “velhinhas indefesas”. Eu aproveito a oportunidade que tenho em dar prazer e receber prazer genuíno. Orgasmos de verdade, e não fake news em forma de gemidos. Companhia sincera e que está comigo porque gosta da minha “personalidade errante”, e não porque eu tenho um “dote” de 23 cm (mentira, é só 18 cm) ou uma conta no Instagram com 25 mil seguidores. Eu sou tão oportunista, que trabalho seis horas por dia escrevendo para os meus blogs, canto em três corais onde atuo na área de imprensa dos três (sem ganhar nenhum tostão por isso, detalhe) e, ainda assim, estou progredindo em todos os meus projetos.

O brasileiro, mais uma vez, revelou o seu pior quando achou que seria engraçado ridicularizar o presidente da França por ser casado com uma mulher muito mais velha. Independente da questão política aqui, o brasileiro, como povo dito civilizado, perdeu. De novo. Cada um que se coloque como exceção da regra, mas fato é que o brasileiro médio usa um verniz social absurdo e cretino, é hipócrita por natureza. Guarda dentro de si preconceitos irracionais, e manifesta esses preconceitos de forma infantil e imbecil. São pessoas com visão de mundo muito rasas e mentalmente limitadas para elaborar opiniões que não se baseiam que questões estéticas e superficiais. E preconceito está bem longe de ser considerado um pensamento livre. É a completa falta de pensamento.

Nesse momento, eu penso nas mulheres. Nas mulheres maduras, é claro. Penso na minha mãe com 78 anos, na minha tia com mais de 90 anos, nas minhas colegas coralistas com mais de 60 anos. Nas mulheres maduras que entregaram os seus corpos para mim. Na mulher que eu amo, que tem 69 anos de idade. E em todas as mulheres que merecem envelhecer com dignidade. E que são frontalmente ofendidas com ofensas misóginas. De homens que amam odiar. Que odeiam mulheres por objetivá-las de forma covarde. Penso como é triste e difícil envelhecer como mulher em um país moralmente podre como o Brasil.

E ridicularizar o casal Macron vai tornar a situação do nosso país melhor?

Eu duvido.

Mas como historicamente o brasileiro médio é um moleque de quinta série que nunca cresceu…

Vida que segue. Vou lá ficar com a minha coroa que eu ganho mais!

 

 

* A origem do termo “cidadão de bem” vem de The Good Citizen, nome do jornal da Ku Klux Klan, comunidade que prega a superioridade dos brancos em relação aos negros. Por isso, se você que leu esse texto até aqui e se diz meu amigo, em nome de tudo o que é mais sagrado, pare de utilizar esse termo nefasto!


Compartilhe